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BALANÇO DA INDÚSTRIA

A renda fixa vai reinar em 2025? Fundos voltam a ter saldo positivo depois de dois anos; saiba quais receberam mais aportes em 2024 e o que esperar agora

Saldo positivo quebrou uma sequência de dois anos de performance ruim para os fundos de investimentos; ‘é uma demonstração da solidez e da resiliência da indústria’, comenta o diretor da Anbima

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Imagem: Canva / Montagem: Giovanna Figueredo

Depois de passar por 12 meses bem complicados em 2023, a indústria brasileira de fundos de investimentos parece ter vivido um renascimento em 2024: os ativos saíram de um resgate de R$ 106,2 bilhões para uma captação líquida de R$ 60,7 bilhões no ano passado. 

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Os dados foram divulgados nesta terça-feira (7) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Considerando os últimos cinco anos, o resultado de 2024 ficou abaixo daqueles vistos em 2020 e 2021, nos quais os fundos captaram R$ 176,5 bilhões e R$ 405,7 bilhões, respectivamente. 

Apesar disso, o dado foi recebido com certo otimismo, já que interrompeu uma sequência de dois anos de desempenho negativo da indústria. 

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“Apesar dos desafios enfrentados por algumas categorias, a retomada da captação líquida positiva depois de dois anos de resultados negativos é uma demonstração da solidez e da resiliência da nossa indústria de fundos”, avalia Pedro Rudge, diretor da Anbima

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Mesmo tendo revertido o prejuízo, é importante notar que não foram todas as classes de fundos que tiveram um ano positivo. 

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Enquanto os fundos de renda fixa foram os verdadeiros vencedores de 2024,  com captação líquida de R$ 243 bilhões, outras duas classes ficaram na lanterna. 

Os multimercados tiveram o pior desempenho do ano, com resgate líquido de R$ 356,7 bilhões. Os únicos que se salvaram dentro da categoria foram aqueles com exposição ao dólar, já que foram beneficiados pela alta expressiva da moeda norte-americana. 

Para Rudge, esse resgate expressivo se deve ao fato de que muitos desses fundos tiveram performance insatisfatória. 

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Logo em seguida, compartilhando as piores posições do ranking da Anbima, os fundos de ações viram uma saída líquida de R$ 10 bilhões. 

O dado mostra o pessimismo dos investidores brasileiros quanto ao mercado de ativos de risco. Em 2023, esse mesmo tipo de veículo de investimento tinha recebido aportes líquidos de R$ 3,3 bilhões.

Além dos aportes positivos de maneira geral, a indústria de fundos também viu um boom no número de veículos de investimentos e de gestores. O Brasil agora conta com 31.761 fundos (aumento de 2,7% na comparação anual) e 1.037 gestores (aumento de 4,4%).

No total, o patrimônio líquido dos fundos fechou o ano em R$ 9,2 trilhões, 10,1% a mais que em 2023.

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Mesmo em um período de bastante incerteza econômica, as informações sinalizam o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro – o chamado financial deepening. Os investidores pessoa física foram responsáveis por aportes na casa de R$ 26,5 bilhões. 

2025 continuará sendo o ano dos fundos de renda fixa?

Na visão do diretor da Anbima, tudo indica que em 2025, a renda fixa continuará sendo a “grande locomotiva de captação para os fundos”.  

Com perspectivas de que a Selic vai continuar elevada nos próximos meses, a tendência é que os investidores “mantenham o comportamento de ir em busca de produtos mais conservadores e que estão pagando uma rentabilidade bem interessante”, comenta Rudge.

Nesse contexto, ganham destaque os fundos de crédito privado, que incluem ativos isentos de imposto de renda, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e debêntures de infraestrutura incentivadas. 

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Os fundos com 50 a 70% de crédito privado totalizaram R$ 113,3 bilhões em captação líquida até novembro. Em um contexto mais amplo, a captação líquida de todos os fundos que têm alguma parcela de crédito privado no portfólio somou R$ 323,1 bilhões, no mesmo período. 

Para Rudge, isso demonstra uma tendência dos gestores de lançarem novos fundos a fim de diversificarem as estratégias. Somado a isso, existe também o fato de que a demanda por esse tipo de produto cresceu significativamente, como resposta ao cenário de juros mais altos.

Ainda nesse contexto de aumento da relevância dos títulos privados, os títulos públicos federais sofreram um “baque” e perderam espaço na carteira dos investidores.

A Anbima mostra que eles reduziram a participação no patrimônio líquido de 45,9% a 43,9%, enquanto os títulos privados (tanto bancários como corporativos) foram de 22,9% para 26,6%. 

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O cenário da indústria de fundos do Brasil em 2024

A instituição também mostrou dados sobre o desempenho de outras classes de fundos.

Os ETFs, os fundos de índice, sofreram resgates de R$ 1 bilhão, evidenciando o fato de que ainda não “caíram no gosto dos brasileiros”. 

Segundo Rudge, para que esse tipo de ativo decole no Brasil, ainda falta uma educação financeira do investidor.

“Quando a gente olha lá fora, é uma indústria que cresceu e hoje representa um percentual bastante relevante. Em algum momento, a gente deveria também chegar nessa situação”, diz.

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Por outro lado, a previdência privada fechou o ano com saldo positivo de R$ 37,4 bilhões.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que só recentemente foram abertos para a pessoa física, tiveram captação líquida de R$ 113,5 bilhões.

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