Como as brigas de Trump fizeram o Brasil virar uma superpotência da soja, segundo a Economist
Enquanto os produtores de soja nos Estados Unidos estão "miseráveis", com a China se recusando a comprar deles devido às tarifas de Trump, os agricultores brasileiros estão eufóricos

A gente costuma dizer que ninguém ganha em uma guerra comercial. Mas, se olharmos para o Brasil, parece que a história é um pouco diferente. O fato é que a guerra comercial iniciada por Donald Trump consolidou o país como a superpotência mundial da soja. As informações são da revista britânica The Economist.
Enquanto os produtores de soja nos Estados Unidos estão "miseráveis", com a China – de longe o maior cliente deles – se recusando a comprar um único volume de soja em retaliação às tarifas de Trump, os agricultores brasileiros estão eufóricos.
O benefício imediato: o presente de grego
As ações de Trump criaram um cenário de ouro para o Brasil, e não foi a primeira vez que isso aconteceu.
1. A ascensão rápida: No primeiro mandato de Trump, a proporção do vasto mercado de soja da China que era suprida pelo Brasil disparou de cerca de metade, em 2017, para três quartos, em 2018.
2. “O "antídoto perfeito": A segunda guerra comercial de Trump, com o embargo chinês à soja americana, é considerada o "antídoto perfeito" para os produtores brasileiros. Esse cenário criou um mercado de vendedores na América do Sul.
3. Compensação total de perdas: Graças a essa demanda, as exportações brasileiras de soja estão a caminho de atingir 110 milhões de toneladas em 2025. O dado mais impressionante é que, de acordo com informações do governo brasileiro, esse volume elevado compensa completamente as perdas de exportação que o país sofreu devido à tarifa de 50% imposta por Trump sobre outros bens brasileiros, como carne bovina e café.
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Em resumo, o que poderia ter se tornado um excesso de colheita no Brasil por causa de uma safra recorde, acabou se transformando em um estoque estratégico com destino certo.
Vantagens estratégicas e confiança do produtor
Os agricultores brasileiros parecem bastante confiantes e tranquilos com essa situação. Mesmo podendo se proteger contra quedas futuras de preço (por meio da venda antecipada da colheita), a maioria está "aguardando", o que sugere que eles estão seguros da sua posição no mercado.
O Brasil também tem a seu favor o calendário de colheita. A colheita gigantesca que está sendo plantada atualmente no Brasil só será colhida em janeiro, época em que a safra americana atual já terá sido escoada e seus estoques estarão esgotados.
O fator de longo prazo
Mesmo que Trump e o líder chinês Xi Jinping se encontrem e cheguem a um acordo – o que poderia reduzir a vantagem brasileira –, o cenário de longo prazo é favorável ao Brasil.
Tanto os fornecedores americanos quanto os compradores chineses, depois de serem afetados duas vezes pelas tensões comerciais, provavelmente tentarão reduzir sua dependência mútua.
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Isso significa que a China buscará fornecedores mais estáveis, e o Brasil está pronto para preencher essa lacuna. Prova disso é que a área plantada nos EUA já diminuiu 8% desde 2017, com agricultores mudando para culturas como milho.
Além dos choques de Trump, o Brasil tem vantagens estruturais que garantem sua vitória no setor:
- Qualidade superior: A soja brasileira possui um teor de proteína mais alto do que a cultivada nos Estados Unidos.
- Produtividade e tamanho: O setor agrícola brasileiro é mais produtivo e muito maior, com 49 milhões de hectares plantados.
- Espaço para crescer: Ao contrário do Meio-Oeste americano, o interior do Brasil oferece amplo espaço para uma maior expansão.
- Demanda interna: O Brasil possui uma forte demanda doméstica por soja, já que precisa de grandes quantidades de óleo de soja para a sua indústria de biocombustíveis.
Atualmente, o único ponto em que os Estados Unidos ainda levam vantagem é em suas grandes ferrovias e portos. No entanto, o boom de infraestrutura que está ocorrendo no Brasil tem potencial para eliminar essa última diferença também, aponta a Economist.
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