O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Federal Reserve encara pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, por cortes nos juros, enquanto lida com dominância fiscal sobre a política monetária norte-americana
O que está acontecendo com a economia americana? Depois do desastroso “Liberation Day” o mercado apostou em uma forte e imediata queda da atividade e alta da inflação, que acabou não vingando – com a economia crescendo bem (descontando os impactos da antecipação de importações no PIB) e com a alta da inflação de bens sendo, em parte, compensada com a queda de inflação de serviços.
Neste cenário, o Federal Reserve (Fed) poderia privilegiar, apesar das reclamações de Donald Trump, o lado inflacionário do seu duplo mandato, já que, em tese, demoraria um certo tempo para o choque tarifário ser absorvido pelo sistema de preços. Mas o desastroso Payroll de agosto mudou tudo isso.
Há um debate real sobre até que ponto a forte queda nas contratações são um fenômeno de demanda ou de oferta, dada a interrupção do fluxo imigratório. Mas na prática, para o Fed, essa questão não tem poder de impedir uma reação imediata pelo fato de que o ponto de partida da política monetária é vista como contracionista (se ela é ou não de fato é outro debate).
Assim, como sacramentado por Jerome Powell, presidente do Fed, na sua fala em Jackson Hole, a “mudança no balanço de risco” abre a porta para iniciar um “cuidadoso” corte de juros de, provavelmente, 0,25% em setembro.
Importante reconhecer que Powell foi além de reconhecer que o balanço de risco mudou. Ele também adotou como cenário base que o choque tarifário será “de duração curta”, ou, para ressuscitar o termo popular em 2021, transitório.
Isso é importante porque abre espaço para um ciclo mais longo de corte de juros pelo lado da inflação. A meu ver, a situação é diferente de 2021, já que o choque atual deve ser transitório pela falta de forte expansão fiscal, como ocorreu depois da pandemia.
Leia Também
Devemos lembrar que Trump no seu “Big Beautiful Bill” somente sacramentou níveis de tributações que estão vigentes desde 2017, e que tarifas funcionam como um imposto regressivo. Assim, o impulso fiscal neste momento é de neutro a negativo, diminuindo muito as chances de haver um processo inflacionário perene a partir do choque tarifário.
Apesar de Powell ter indicado o início de novo ciclo de queda de juros, Trump abriu nova frente de batalha demitindo “por justa causa” Lisa Cook, diretora do Fed, por suposta fraude financeira.
A pergunta mais relevante desse episódio é por que o mercado tem ignorado essa questão; afinal, não representa um ataque frontal à independência do Fed?
Há várias razões. Lisa Cook não é um membro de grande importância dentro do comitê – se Trump tentasse demitir Powell ou Williams, a reação do mercado seria outra. A judicialização da questão – Cook está processando o governo para se manter no cargo – deve levar a Corte Suprema dos EUA a definir o que é de fato “justa causa” no caso do Fed, algo que não é definido na lei. Essa decisão não só definiria o futuro de Cook, mas delimitaria o poder do Presidente sobre a instituição, esclarecendo as “regras do jogo”.
É um tanto óbvio que, se Cook de fato fez o que ela está sendo acusada, ela deve sair do Fed. Argumentos na mídia de que esse tipo de infração seja algo “comum” são irrelevantes, pois membros do Fed devem de fato observar estritamente todas as regras financeiras vigentes.
O Supremo pode reconhecer isso e ao mesmo tempo deixar claro que Trump não pode demitir membros do Fed por discordar de suas decisões técnicas, assim resguardando a independência operacional da instituição.
Mas na verdade o que esse imbróglio todo manifesta é algo mais estrutural e que está também ocorrendo em outros países, inclusive o Brasil: a crescente dominância da problemática fiscal sobre a política monetária.
A vontade de Trump de baixar as taxas de juros não é somente pela questão cíclica da atividade, mas também passa pela trajetória de endividamento, quando falta vontade e condições políticas de controlar déficits fiscais frente a um quadro de quase colapso demográfico.
Desde a pandemia, todos os países economicamente relevantes – e isso inclui a China – têm mostrado trajetórias fiscais insustentáveis. Pressionar o seu banco central como parte de uma estratégia de repressão financeira é um expediente comum nessas situações (como, por exemplo, ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial).
Olhem para a recente crise do governo francês ou o que está acontecendo na curva de juros da Inglaterra; o tema é o mesmo. Essa questão estará conosco muito depois da saída de Trump da Casa Branca.
O mercado acionário norte-americano tem entrado no seu tradicional período de mau humor nos meses de agosto e setembro. A perspectiva de corte de juros gerou uma rotação fora das big techs para empresas cíclicas, as "esquecidas" 493 empresas do S&P 500 que não fazem parte do 7 Magníficas. Questões sobre se o gasto das empresas com inteligência artificial (IA) está excessivo também voltaram a rondar o mercado, como o crescimento futuro depois da divulgação dos resultados da Nvidia.
Se essa “rotação” vai levar a quedas mais acentuadas nos índices vai depender muito do grau de desaceleração da economia. A perspectiva de queda de juros dá ao mercado um suporte condicional na medida que o risco de recessão se mantém comedido.
O mercado parece estar precificando um “goldilocks” de crescimento relativamente robusto, inflação estável e um mercado de trabalho que está desacelerando, em boa parte mais devido a questões de oferta do que de demanda.
Somente uma surpresa negativa questionando este cenário poderá derrubar a bolsa de forma mais contundente.
Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026
Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?
Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs
Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais
Fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, permitindo ao investidor, em um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras e geradoras de caixa
Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país
Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho
Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição
Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa
Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno
Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia