Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Rodolfo Amstalden: A falácia da “falácia da narrativa”

Pela visão talebiana, não conseguimos nos contentar com o simples acaso, precisamos sempre de uma explicação para o que está acontecendo

Saddam-Narrativa-Tesouro-Bloomberg
Antiga cédula do Iraque com Saddam Hussein estampada - Imagem: Unsplash

Como todo mundo já sabia o que esperar da Super Quarta, pedimos licença ao Federal Reserve (Fed) e ao Copom para um debate metodológico na edição de hoje.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No sexto capítulo de “Cisne Negro”, Nassim Taleb nos apresenta o conceito de “falácia da narrativa”.

Antes de qualquer ressalva, quero esclarecer que Taleb é uma espécie de pai intelectual da Empiricus, e que entender a referida falácia é condição sine qua non para trabalhar em nosso Research.

No entanto, para seguir amadurecendo, precisamos praticar um parricídio metafórico; ao melhor estilo de Édipo Rei, é isso que eu proponho aqui.

Flexibilidade interpretativa

Voltemos à abordagem original de Taleb, amparada na flexibilidade interpretativa das diferentes estórias que podemos contar para explicar um mesmo fenômeno.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Seu exemplo da capa da Bloomberg News em 2003 tornou-se famoso por tirar sarro dos jornalistas.

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O porquinho da reserva de emergência turbinado, resultados da Berkshire Hathaway, Embraer e Itaúsa: o que mexe com o mercado hoje

PLANO A

Quem cuida das coisas quando você não está? Este investimento dribla imposto e ajuda sua família no momento mais difícil

Pela manhã, a Bloomberg noticiou que os Treasuries subiam devido à captura de Saddam Hussein.

Mais tarde, no mesmo dia, quando o pregão inverteu e caiu, a Bloomberg atualizou a manchete com a mesma justificativa.

Ou seja, uma mesma variável explicativa (“Saddam Hussein”) foi usada para justificar tanto a propensão quanto a aversão ao risco, em um mesmo dia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como humanos enviesados, manipulamos os mapas de significado conforme as nossas intenções, sejam elas tão nobres como a busca pela verdade ou tão mundanas como a necessidade de atualizar rapidamente uma manchete.

Pela visão talebiana, não conseguimos nos contentar com o simples acaso; precisamos sempre de uma explicação para o que está acontecendo, ainda que seja apenas ruído estocástico.

E Taleb está certo aí, realmente é uma carência epistemológica.

Motivos genuínos

No entanto, assim como Gerd Gigerenzer fez com os vieses das Finanças Comportamentais, podemos também perguntar se os humanos são simplesmente idiotas por usar falácia da narrativa, ou se eles têm um motivo genuíno para tanto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eu desconfio que haja alguns motivos genuínos, mas vou me concentrar em apenas um por enquanto.

Ele deriva da seguinte pergunta: qual é o melhor substituto possível para o acaso?

Pois não sabemos a priori se é acaso ou não (isso se confunde com a própria definição de acaso); e simplesmente se render ao acaso pode custar caríssimo.

Hegel dizia que o melhor substituto do acaso é a dialética: um processo lógico no qual as contradições se enfrentam e redundam numa síntese mais alta (tese → antítese → síntese).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sob essa perspectiva, não é surpresa alguma que a dualidade da Bloomberg pareça contraditória, pois ela espelha o decorrer de um processo dialético tocado pelo próprio mercado, e noticiado pelo coitado do jornalista.

Mudança de opinião do mercado

Assim, a captura de Saddam não estaria explicando dois eventos paralelamente opostos, iguais em hierarquia, mas sim uma oposição em movimento entre tese e antítese — o que é bem diferente, e bastante construtivo do ponto de vista da formação do conhecimento.

  • VEJA TAMBÉM: Descubra como os gigantes do mercado estão investindo: o podcast Touros e Ursos traz os bastidores toda semana; acompanhe aqui

Ao longo de um processo dialético, é natural que o mercado mude de opinião, até que atinja uma síntese. Isso dificulta muito qualquer exercício preditivo, mas não implica necessariamente uma falácia, já que a narrativa está efetivamente se modificando no decorrer do processo.

Só para deixar tudo mais tangível, vejamos outro exemplo contemporâneo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
  • A) Você pode querer se manter afastado da Vale (VALE3) devido aos fundamentos frágeis da economia chinesa (e.g. crescimento anual em 4%, versus 5% na média dos tris anteriores).
  • B) Ou pode deduzir que é justamente essa fraqueza que incitará uma retomada dos estímulos fiscais/monetários até o fim do ano; logo, precisa sim ter VALE3 no portfólio.
  • C) Num passo além, pode intuir que a mera possibilidade de uma síntese derivada da interação entre A e B basta para provocar um FOMO comprador de VALE3. Já que o peso da mineradora no índice é muito grande, a chance de perder essa carona passa a ser dura demais para ser tolerada.

Percebe como tudo isso pode soar extremamente contraditório e, ao mesmo tempo, compor uma unidade final com perfeito sentido?

O mercado depende de um arcabouço lógico que admita a reflexividade e a contradição, desde que elas estejam a serviço de uma síntese a ser formada no tempo.

Assim, análises estáticas e baseadas estritamente em "Verdadeiro ou Falso" serão sempre pobres demais dentro do léxico econômico-financeiro, e concluirão prematuramente pelo gosto falacioso de um bolo cru, que ainda precisa ser assado no forno.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, está sentado, com um microfone e um copo de água sobre a mesa que está a sua frente 5 de agosto de 2026 - 15:36
Imagem mostra, à esquerda, o prédio do Palácio do Planalto e, à direita, a sede do Banco Central 5 de agosto de 2026 - 8:09
Imagem mostra o prédio do banco central visto de baixo. o céu está bem azul com poucas nuvens ao fundo 4 de agosto de 2026 - 8:24
Tesoura rosa corta a Selic, taxa básica de juros 4 de agosto de 2026 - 7:20

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Juros: o corte que cabe e o corte que custa

4 de agosto de 2026 - 7:20
Imagem criada por inteligência artificial mostra uma fila de pessoas para usar um aparelho em uma academia. Homens e mulheres aguardam para usar o equipamento de crossover 3 de agosto de 2026 - 8:27
Aperto de mãos representando apoio entre amigos ou colegas de trabalho 2 de agosto de 2026 - 8:00
30 de julho de 2026 - 8:32
Microsoft 29 de julho de 2026 - 20:00

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Um olhar mais detalhado sobre as hyperscalers

29 de julho de 2026 - 20:00
28 de julho de 2026 - 8:21
Logo do Federal Reserve (Fed) em uma nota de dólar 28 de julho de 2026 - 7:35
Blocos representam escolha e seletividade 27 de julho de 2026 - 15:19
24 de julho de 2026 - 8:30
Imagem mostra um investidor preocupado olhando para um tablet com gráfico de um papel em queda, com prejuízo 23 de julho de 2026 - 8:17
Imagem traz um corte de um título de eleitor 22 de julho de 2026 - 19:55

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: E nessa loucura de dizer que não te quero 

22 de julho de 2026 - 19:55
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar