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Além do movimento técnico, um aumento da pressão compradora na bolsa e o alívio no cenário macroeconômico ajudam a performance da varejista hoje; entenda o movimento
Outra vez, as ações da Casas Bahia (BHIA3) conquistam as alturas na bolsa brasileira, com ganhos de dois dígitos fora do Ibovespa nesta terça-feira (25). E não, não se trata de um déjà vu.
Os papéis BHIA3 subiram 18,47% hoje, negociados a R$ 9,75. Nas máximas do dia, a empresa do varejo chegou a ultrapassar a cotação de R$ 10 pela primeira vez desde março do ano passado.
Desde o início do ano, a varejista mais do que triplicou de valor na B3, com ganhos acumulados de 240%. O valor de mercado hoje é estimado em pouco mais de R$ 920 milhões.
Nas últimas semanas, a principal razão por trás do movimento estelar foi o desenrolar de um short squeeze, que se estende ao pregão de hoje.
O movimento acontece quando investidores com posições vendidas (short) precisam desfazer suas apostas na queda do papel recomprando as ações no mercado, consequentemente elevando ainda mais os preços do ativo.
No entanto, o short squeeze não é o único fator a impulsionar as ações da Casas Bahia hoje.
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Além do movimento essencialmente técnico, resultado de operações de aluguel de papéis acontecendo no mercado, há ainda uma pressão compradora sobre BHIA3 e uma ajudinha do cenário macroeconômico favorecendo a performance nesta tarde.
Para Rafael Ragazi, sócio e analista de ações da Nord Investimentos, boa parte do movimento da Casas Bahia (BHIA3) hoje pode ser atribuída a uma forte pressão compradora na varejista.
“Trata-se de um investidor montando uma posição em um papel que está com uma capitalização de mercado pequena, com baixa liquidez e muito alugada”, disse.
Vale lembrar que o investidor Rafael Ferri pode ter influenciado o mercado recentemente ao abocanhar mais de 5% da varejista em meados de março.
Muito conhecido dos pequenos investidores da bolsa nas redes sociais, Ferri já popularizou entre os 'sardinhas' teses de investimento como a da empresa de educação Cogna, além da própria Casas Bahia quando ainda se chamava Via Varejo.
No passado, Ferri chegou a ser condenado pela CVM por manipulação de mercado no caso da chamada "bolha do alicate", como ficou conhecida a valorização e posterior queda da empresa de utensílios domésticos Mundial.
A tese de que a alta das ações BHIA3 possa ser atribuída outra vez a uma compra relevante de papéis por algum investidor na bolsa brasileira é baseada no volume atípico de negociação com a varejista.
Hoje, há cerca de 14,9 milhões de papéis da Casas Bahia negociados na B3, bem acima do volume médio dos últimos três meses, de pouco mais de 5 milhões de ativos.
Uma fonte de mercado afirma que a entrada de Ferri acabou por atrair investidores que estão de fora e acreditavam que ele poderia saber de alguma informação nova, elevando as compras do papel.
“O movimento visto no pregão do dia 10, que marcou a entrada do Ferri, é muito semelhante ao de hoje: a Genial, o JP Morgan e o UBS são, mais uma vez, as três corretoras com maior volume de compra. Isso não significa necessariamente que o Rafael esteja comprando de novo, mas a coincidência da característica da movimentação poderia sinalizar um aumento de posição”, disse o sócio da Nord.
Analistas de mercado destacam que a recente intensificação do fluxo positivo para as ações potencialmente tem acentuado a pressão sobre os investidores shorteados nos papéis.
“Houve uma corrida dos vendidos recomprando suas posições para poder zerar e estancar as perdas”, ponderou o analista da Nord.
No começo do mês, havia cerca de 25% das ações BHIA3 em circulação alugadas no mercado. Hoje, esse percentual beira os 15%.
Para uma gestora com posição comprada na varejista, há semanas, o short squeeze impulsiona as cotações de BHIA3 na tela de forma acentuada devido ao baixo valor de mercado da Casas Bahia, que tende a multiplicar as cotações em caso de oscilações tão significativas.
A Genial Investimentos também ressalta a pressão vinda do aumento dos custos de manter uma posição vendida em BHIA3 desde fevereiro, que fez com que os investidores que ainda desejavam manter suas posições passassem a enfrentar um custo cada vez mais elevado para continuar apostando na queda da varejista na bolsa.
Há ainda um terceiro fator que impulsiona não só a Casas Bahia, como também outros players do varejo hoje: o alívio na curva de juros futuros (DIs) após a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Hoje, o Copom reiterou seu compromisso com a convergência da inflação para a meta. Para tanto, é importante que a atividade desacelere, mas os sinais ainda não são tão claros quanto gostariam os diretores do BC.
“Para além da próxima reunião, o comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, diz o documento.
A ata do Copom desencadeou movimentos mistos na curva de juros, com ganhos entre os títulos mais curtos, mas com a ponta mais longa operando em queda hoje.
Isso gera um efeito positivo para setores mais cíclicos da economia, como é o caso do varejo, já que os juros mais baixos no horizonte reduzem o custo de financiamento das empresas e tornam os investimentos em renda variável mais atrativos frente à renda fixa.
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