Lojas Renner na zona de rebaixamento: Itaú BBA corta recomendação para as ações LREN3 — e aqui estão os motivos
Para o banco, diante de ventos macroeconômicos contrários e indicadores como margens brutas e crescimento de vendas sob pressão, há pouco espaço para atualizações de lucros no curto prazo

O Itaú BBA acaba de colocar a Lojas Renner na zona de rebaixamento. Em meio a uma mudança de sentimento sobre a varejista de moda, os analistas reduziram a recomendação para as ações LREN3, de “outperform” para “market perform”, equivalente a neutro.
A revisão acontece depois de um balanço aquém das expectativas, questionamentos sobre bônus elevado a funcionários e uma queda acumulada de quase 20% das ações na bolsa.
Na visão do banco, alguns investidores mostravam disposição de "dar uma chance à Renner” antes do quarto trimestre, impulsionados por um sentimento marginalmente melhorado sobre o Brasil e a perspectiva de resultados ligeiramente melhores de um player com liquidez e maior “beta” — isto é, mais suscetíveis a acompanhar melhorias de mercado.
Mas isso mudou. Agora, um ceticismo crescente toma conta dos investidores, que agora veem em um cenário macro cada vez mais difícil para um setor dependente de crédito como o vestuário de renda média e se frustraram com as finanças da varejista.
O resultado disso é a necessidade de uma “pausa para assimilar” tudo o que aconteceu (e o que ainda está por vir), de acordo com o Itaú BBA.
“Com ventos contrários macroeconômicos e fatores específicos da empresa em jogo (como margens brutas e crescimento de vendas), vemos pouco espaço para atualizações de lucros no curto prazo”, avaliou o banco.
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Sem gatilhos de valorização para a Renner (LREN3)?
Na visão do Itaú BBA, com um valuation de 9,5 vezes o preço/lucro para 2025, a Renner é negociada com um prêmio para outras empresas de moda, como C&A (CEAB3) e Azzas 2154 (AZZA3), que negociam a múltiplos de 8,3 vezes e 7,7 vezes, respectivamente.
Esse valuation premium não seria justificado na avaliação dos analistas. Isso porque, ainda que a Renner tenha a melhor produtividade de loja entre os pares, a varejista apresenta um potencial de crescimento limitado.
Um dos motivos citados pelo banco é a saturação da rede de lojas: com presença em cerca de 370 shoppings, os ganhos incrementais da Renner parecem limitados.
Segundo os analistas, a companhia inclusive teve dificuldade em ganhar participação de mercado estruturalmente.
Outro fator mencionado pelo banco é a competição cada vez mais próxima. Para os analistas, a C&A estreitou significativamente a lacuna operacional com a Renner, tornando a vida da Renner mais difícil como concorrente direta nos mesmos locais.
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