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Relatório revela que excluir empresas com notas baixas em sustentabilidade não prejudica os retornos e pode até proteger a carteira em ciclos de baixa
Investir em empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) significa abrir mão de lucros? Essa é uma dúvida comum no mercado financeiro, que a XP resolveu responder com dados.
Um novo estudo aprofundado desmistifica a ideia de ações ESG não serem lucrativas e mostra que o resultado pode ser exatamente o oposto.
A pesquisa analisou o desempenho das ações do Ibovespa e chegou a uma conclusão clara: deixar de fora as empresas com as piores notas ESG não só não compromete a performance, como pode tornar seus investimentos mais seguros.
Para chegar a esse resultado, os analistas da corretora utilizaram os ratings ESG da Refinitiv, que classificam as empresas de 'A' (melhor nota) a 'D' (pior nota). O levantamento simulou o que aconteceria ao remover as empresas com nota 'D' de diversas estratégias de investimento.
A análise foi dividida em duas partes: primeiro, entender se as empresas com bom ESG são muito diferentes das outras em termos de preço e qualidade; segundo, medir o impacto real de tirá-las da carteira.
As principais preocupações de um investidor são se a ação está "cara" (valuation) ou se a empresa por trás dela é sólida e lucrativa (qualidade). O estudo da XP investigou se as notas ESG tinham alguma relação com esses dois fatores e verificou que não há diferença significativa.
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Empresas com notas 'A' em ESG não são, em média, mais caras do que as empresas com notas 'C' ou 'D'. Isso vale para indicadores de qualidade das ações, como a lucratividade sobre patrimônio (ROE) e as margens de lucro.
Por outro lado, no quesito risco a diferença entre as companhias com boas notas e más notas é gritante.
O estudo da XP revelou que ações com notas ESG mais altas tendem a ser significativamente menos arriscadas. Isso foi medido principalmente pelo "beta", um indicador que funciona como termômetro da agitação de uma ação em relação à bolsa.
Empresas com nota 'A' apresentaram um beta de 1,03, enquanto as com nota 'B' saltaram para 1,28, mostrando serem mais voláteis. Essa redução de risco ficou ainda mais clara quando os analistas excluíram as empresas com nota 'D' das estratégias de investimento.
Na prática, uma maior exposição às ações ESG ‘A’ funcionaria como um colchão de proteção, com capacidade de reduzir o prejuízo em momentos de forte queda do mercado.
A pesquisa da XP utiliza o "Índice de Sharpe", um indicador que avalia se o retorno de um investimento compensou o risco corrido. Quanto maior o índice, melhor o desempenho.
Nesse ponto, a exclusão das empresas com as piores notas ESG mostrou um impacto misto. A única estratégia que teve uma melhora significativa no Índice de Sharpe foi a de short interest (apostar na queda de ações), que subiu de 1,02 para 1,07.
Nas estratégias de qualidade e baixo risco, o impacto foi quase nulo, pois elas já tendem a favorecer empresas com bom ESG.
Contudo, e este é um ponto fundamental do estudo, mesmo nas estratégias em que o Índice de Sharpe caiu um pouco — como em valor, que foi de 0,92 para 0,83 —, a proteção contra perdas máximas foi notável.
Isso sugere um resultado geral muito equilibrado: o filtro ESG pode reduzir ligeiramente o retorno ajustado ao risco em alguns cenários, mas, em compensação, oferece uma redução significativa no risco de perdas durante as piores crises, tornando a carteira mais resiliente.
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