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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VOLATILIDADE NO VAREJO

É hora de vender Magazine Luiza? Ações MGLU3 caem no Ibovespa em meio a rebaixamento pelo JP Morgan

O banco norte-americano revisou para baixo a indicação para o Magalu, de neutro para “underweight”, e cortou o preço-alvo para R$ 7,50 por ação

Camille Lima
Camille Lima
6 de março de 2025
12:25 - atualizado às 12:35
magazine luiza magalu mglu3 balanço 4t22 prejuízo
Imagem: Shutterstock/Montagem: Felipe Alves

Enquanto a volatilidade continua a marcar forte presença no setor de varejo brasileiro e a pressão avassaladora dos juros elevados sobre os negócios de consumo se mantém, a recomendação do JP Morgan é clara: mantenha distância das ações do Magazine Luiza (MGLU3).

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O banco norte-americano revisou para baixo a indicação para o Magalu, de neutro para “underweight”, equivalente à venda.

Os analistas cortaram o preço-alvo de R$ 11,50 para R$ 7,50 por ação para dezembro de 2025, o que representa uma desvalorização potencial de cerca de 4% em relação ao último fechamento.

“Vemos uma empresa altamente alavancada com significativo risco de queda no lucro por ação em meio a um ambiente desafiador para o consumo discricionário, intensificado pela concorrência acirrada de players puramente de e-commerce”, avaliaram os analistas.

As ações do Magalu operam no vermelho na sessão desta quinta-feira (6). No início da tarde, os papéis caíam 4,12%, cotados a R$ 6,98. Em um ano, MGLU3 amarga perdas da ordem de 67% na B3.

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JP Morgan recomenda distância de Magalu e outras duas ações

Se fosse para resumir em um “guia de bolso” as análises do JP Morgan para o setor de varejo, uma das principais recomendações seria manter distância de nomes que operam altamente endividados.

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Entre os papéis citados, estão Assaí (ASAI3), que conta com recomendação neutra, e Magazine Luiza (MGLU3) e Pão de Açúcar (PCAR3), ambas com indicação equivalente à venda. 

Para os analistas, não há muito a fazer no varejo de alimentos, já que não há sinais materiais de melhorias nos fundamentos de curto prazo. 

Além disso, na avaliação do JP Morgan, o Magazine Luiza conta com riscos significativos de queda de lucratividade decorrentes de sua alta alavancagem, taxas de juros mais altas no país e demanda limitada por itens discricionários de alto valor. 

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É por isso que o banco acredita que as ações do Magalu (GLU3) hoje negociam com prêmio em relação a outros pares de varejo, a um múltiplo de 46 vezes a relação preço/lucro estimada para 2025.

No entanto, o JP Morgan destaca um alto interesse do mercado em posições vendidas em MGLU3, o que sinaliza um risco aumentado para o movimento de short squeeze — quando investidores com posições vendidas (short) desfazem suas apostas na queda do papel e recompram a ação para cobrir a posição, consequentemente elevando os preços. 

Se não no Magazine Luiza (MGLU3)... onde?

Mas se não investir no Magazine Luiza (MGLU3), onde colocar dinheiro no varejo, então?

O JP Morgan divide as varejistas em dois cestos principais: 

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  1. Teses de longo prazo, que podem não ter os principais desempenhos de ações de curto prazo devido a valuations mais premium e catalisadores limitados; e 
  2. Casos depreciados com valuations deprimidos, ampliados por preocupações de execução, mas com balanços sólidos e crescimento decente. 

Nesse sentido, o primeiro grupo de ações abarca nomes como RD Saúde (RADL3) e Smart Fit (SMFT3), dois grandes consolidadores da indústria que possuem sólidos balanços, execução superior aos pares e sólidos impulsionadores de longo prazo. 

“Embora seja improvável que sejam as ações com o maior momento de curto prazo, acreditamos que nomes de qualidade — com sólida execução e resiliência de balanço que suportam boa visibilidade de médio e longo prazo — provavelmente permanecerão como participações centrais para os investidores mesmo no contexto de que esses carregam uma avaliação premium para a indústria”, afirmaram os analistas. 

Já na segunda categoria, estão as companhias Natura&Co (NTCO3), Lojas Renner (LREN3), Vivara (VIVA3) e Azzas 2154 (AZZA3). Para os analistas, o mercado agora precifica um cenário pessimista, mas a perspectiva de curto prazo provavelmente é melhor do que o previsto. 

Os analistas apostam que a Natura será, outra vez, uma das varejistas que mais se destacará em 2025, com resultados sólidos de curto prazo e avanços nas melhorias operacionais da empresa, com simplificação de negócios e a separação da Avon.

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Quanto à Lojas Renner, o banco acredita que a varejista entrou em 2025 com o pé direito, com resultados positivos no curto prazo que devem ajudar a reduzir os ruídos em torno das ações.

“Embora persistam dúvidas sobre o ritmo de crescimento de médio e longo prazo da empresa, acreditamos que o movimento de venda das ações após a frustração com o 4º trimestre de 2024 foi exagerado”, avaliou. 

“Se o momento positivo continuar a se construir, as expectativas de crescimento de médio prazo podem potencialmente aumentar, levando a Lojas Renner a ser novamente um caso de crescimento de médio e longo prazo no varejo brasileiro.”

Quanto à Vivara e à Azzas 2154, os analistas avaliam que os ruídos de governança devem desaparecer conforme novos resultados decentes se materializarem gradualmente.

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