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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

WHAT A WEEK, HUH?

Com R$ 480 milhões em CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3) cai 24% na semana, apesar do aumento de capital bilionário

A companhia vive dias agitados na bolsa de valores, com reação ao balanço do terceiro trimestre, liquidação do Banco Master e aprovação da homologação do aumento de capital

Bia Azevedo
Bia Azevedo
20 de novembro de 2025
9:32 - atualizado às 23:06
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3)
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3). - Imagem: Divulgação

A Oncoclínicas (ONCO3) tem vivido dias agitados na bolsa de valores. A companhia começou a semana com o pé direito após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, que impulsionou os papéis a subirem mais de 18% no pregão de segunda-feira (17). No entanto, no dia seguinte, veio um balde de água fria: a liquidação extrajudicial do Banco Master.

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A empresa já confirmou ter uma exposição nada trivial aos títulos do banco liquidado pelo Banco Central nesta semana. No final de outubro, a rede de clínicas oncológicas afirmou que detém R$ 478 milhões em papéis da instituição.

Diante disso, nem mesmo a aprovação da homologação do aumento de capital social da companhia, aprovado pelo conselho de administração, foi capaz de segurar a queda das ações. 

Também na terça, a Oncoclínicas comunicou ao mercado que o colegiado deu aval para a emissão de 471.514.866 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 3,00 cada, movimentando um total de R$ 1,415 bilhão.

Desde o início da semana até o pregão de ontem (19), as ações perderam quase 24% do valor — negociadas a R$ 1,66 — de acordo com dados do Investing.com. Lembrando que não há negociações na B3 nesta quinta-feira (20) em razão do feriado da Consciência Negra.

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A exposição aos CDBs do Banco Master

A companhia tinha firmado um acordo para resgatar esses valores, o que estava previsto ocorrer em 20 parcelas entre outubro deste ano e maio de 2027. Segundo a Oncoclínicas, o saldo aplicado venceu antecipadamente na terça-feira (18).

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Em fato relevante, a empresa ressaltou que já havia provisionado R$ 217 milhões em suas demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2025, em função do rebaixamento do crédito do Master por agências de classificação de risco entre os meses de setembro e outubro.

“Dessa forma, a exposição contábil líquida do provisionamento já efetuado, é estimada em aproximadamente R$ 216 milhões”, diz a Oncoclínicas no documento.

O acordo firmado entre a rede e o Banco Master previa o vencimento antecipado nos CDBs, automaticamente resgatáveis em sua totalidade na ocorrência de determinados eventos, não especificados.

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Conforme fato relevante divulgado em 22 de outubro, o acordo previa ainda a possibilidade de a Oncoclínicas utilizar o saldo dos CDBs para comprar ações da própria companhia que estão em poder de dois fundos de investimento em participações (FIPs): o Tessália Fundo de Investimento e o Quíron Fundo de Investimento.

O Banco Master investiu R$ 1 bilhão na Oncoclínicas em um aumento de capital em maio de 2024 por meio desses dois fundos. Na ocasião, os papéis da companhia (ONCO3) saíram a R$ 13, mas desde então sofreram forte queda e eram cotados a R$ 1,66 no fechamento de ontem (19).

Para a empresa usar o dinheiro dos CDBs para recomprar as próprias ações foram estabelecidas três condições. A primeira é que o Master conclua uma negociação que libere as cotas dos FIPs. Além disso, é preciso ocorrer um evento de vencimento antecipado e a aprovação da operação pelos acionistas da Oncoclínicas em assembleia.

De acordo com o fato relevante da terça, a administração da companhia entrará com as medidas cabíveis, incluindo providências visando à formalização e exercício da opção de compra sobre as cotas do Tessália e do Quíron, "cujo valor na data de hoje, considerando a cotação de fechamento ONCO3 na data de ontem, equivale a aproximadamente R$ 203 milhões”, diz o documento.

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A semana movimentada para a Oncoclínicas

Começando pelo balanço do terceiro trimestre de 2025, divulgado na noite da última sexta-feira (14), ao qual o mercado reagiu no início desta semana. A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,88 bilhão, revertendo o lucro líquido de R$ 3,1 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.

Em termos ajustados, a empresa apurou prejuízo de R$ 97,9 milhões, em comparação com lucro de R$ 8,9 milhões no ano anterior.

A empresa adiantou que o desempenho foi impactado por duas provisões: uma de R$ 864,9 milhões e outra de R$ 67 milhões, bem como por duas baixas contábeis de R$ 466,2 milhões e de R$ 183,2 milhões.

Analistas do Safra veem os resultados do terceiro trimestre de 2025 da Oncoclínicas marcados por eventos extraordinários significativos, em um período de ajustes.

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“A Oncoclínicas reportou um 3T25 fortemente distorcido por diversos itens não recorrentes resultantes de decisões ruins do passado, como concentrar muito volume em pagadores com baixa pontuação de crédito, investir em centros de tratamento de câncer (hospitais) e manter grande parte do seu caixa em uma instituição financeiramente instável”, pontuam os analistas.

O banco mantém a recomendação underperform (equivalente à venda) para as ações. Na visão dos analistas, a avaliação (valuation) permanece cara para um ativo que continua passando por uma grande reestruturação e possui um balanço patrimonial ainda alavancado.

Analistas do BTG Pactual avaliam que o terceiro trimestre da Oncoclínicas foi marcado por fortes ajustes não caixa e uma margem Ebitda estável na comparação anual.

O banco vê as recentes iniciativas reforçando a confiança da gestão no ciclo de melhora da Oncoclínicas. A geração de caixa mais saudável no trimestre, o ajuste comercial e a maior convergência com as fontes pagadores são passos corretos, na visão dos analistas.

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No entanto, a alavancagem segue como principal desafio da companhia. Dessa maneira, o banco prefere aguardar evidências mais consistentes de disciplina na alocação de capital antes de adotar uma visão mais construtiva para a ação e mantém a recomendação neutra.

O aumento de capital

A aprovação da homologação do aumento de capital é uma boa notícia para a companhia. 

Na última quarta-feira (12), a rede conseguiu uma vitória importante ao alcançar a demanda mínima de R$ 1 bilhão necessária para seguir adiante com o aumento de capital bilionário — um passo essencial para reequilibrar as contas da rede de tratamento oncológico.

O aumento de capital proposto em setembro previa a emissão de até 666,6 milhões de ações a R$ 3 cada, o que poderia levantar até R$ 2 bilhões para a Oncoclínicas. A empresa, porém, estabeleceu um piso de R$ 1 bilhão para levar a operação adiante.

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Esse mínimo foi superado: o conselho aprovou a homologação da oferta, que resultou na emissão de 471.514.866 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 3 por papel, movimentando R$ 1,415 bilhão.

Vale lembrar que esta é a terceira injeção de liquidez na rede de tratamentos oncológicos desde 2023.

O novo aporte acontece em meio à tentativa da Oncoclínicas de se reencontrar com sua essência. Após uma trajetória de crescimento arrojado — e marcada por alguns erros estratégicos como a entrada no segmento de hospitais e a joint venture na Arábia Saudita —, a companhia precisou revisar a rota para enfrentar o endividamento elevado e o consumo intenso de caixa.

“A Oncoclínicas consumiu muito caixa. É uma companhia muito alavancada. Mas, quando tira os ativos hospitalares e a Unimed FERJ da conta, é um negócio que para de pé, que funciona e que gera caixa”, disse uma fonte próxima à companhia ao Seu Dinheiro. 

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No entanto, a geração de caixa não é o suficiente para pagar os juros do endividamento que ela tem hoje. Então, para retomar a rota da companhia, é necessário injetar capital, afirmou a fonte. A transação, no entanto, não vem sem custo: os acionistas que não participaram da oferta foram fortemente diluídos, em cerca de 41%.

Em decorrência da homologação da operação, o capital social da companhia passou de R$ 3,147 bilhões, dividido em 661.414.628 ações ordinárias, para R$ 4,562 bilhões, dividido em 1.132.929.494 ações ordinárias.

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