Chuva de balanços das big techs, PIB dos EUA abaixo do esperado e juros: como a bolsa reage a esse combo
Wall Street abriu o dia com ganhos, mas entra na tarde desta quinta-feira (30) flertando com as perdas; entenda o que mexe com os índices em Nova York

Dizem que nada melhor que uma noite bem dormida quando se tem questões importantes para resolver. No caso de Wall Street, até que funcionou. O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq abriram a sessão desta quinta-feira (30) no azul — embora o sol não esteja mais brilhando para todos em Nova York.
Depois da manutenção dos juros na faixa entre 4,25% e 4,50%, os investidores ainda digeriam a sinalização do Federal Reserve (Fed) de que não há pressa para novos ajustes na política monetária quando foram tomados por uma avalanche de balanços das big techs.
Enquanto a Meta — holding que controla o Instagram, o Facebook e o Whatsapp — superou as previsões para os resultados financeiros trimestrais, a Microsoft apresentou uma previsão de receita que decepcionou o mercado. Já a Tesla de Elon Musk não conseguiu superar as previsões de lucro e receita para o período.
As ações da Meta iniciaram a sessão com alta de mais de 3%, enquanto os papéis da Tesla chegaram a saltar mais de 5%. A Microsoft, por sua vez, caía mais de 6%.
“Com resultados muito bons, além de uma perspectiva ainda extremamente positiva para o negócio — mesmo com possíveis solavancos no meio do caminho por conta das dúvidas ligadas a necessidade de investimento em IA —, seguimos com recomendação de compra para a Meta”, diz Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research.
No caso da Tesla, os papéis avançam embalados pelas declarações de Musk de que é possível que a empresa cresça entre 20% e 30% neste ano.
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Olhando para os índices da bolsa de Nova York, a situação mudou depois da abertura. O Dow Jones é o único que ainda opera em alta neste início de tarde, de 0,10%, enquanto o S&P 500 opera próximo da estabilidade e o Nasdaq cai 0,37%.
Ontem, os três índices encerraram a sessão em baixa, com o declínio de 4% na Nvidia pesando no mercado. Hoje, depois do fim das negociações, é vez de a Apple apresentar o balanço, enquanto a Amazon está programada para a próxima semana.
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O PIB
Além dos resultados das big techs, os investidores ainda tinham pela frente a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do quarto trimestre de 2024, que veio abaixo das projeções na primeira leitura.
Mais cedo, o Departamento de Comércio norte-americano informou que o PIB dos EUA cresceu ao ritmo anualizado de 2,3% entre outubro e dezembro — abaixo das projeções de 3,1% do Broadcast. No terceiro trimestre, o PIB dos EUA teve expansão anualizada de 3,1%.
No ano de 2024, a economia norte-americana cresceu 2,8% depois do 2,9% de 2023.
“O fato de a economia dos EUA basicamente ter sustentado o ritmo de 2023 em 2024 é uma conquista impressionante diante do que ainda é um ambiente de taxas de juros elevadas”, disse Admir Kolaj, economista da TD.
TRUMP no GOVERNO: As AÇÕES AMERICANAS vão brilhar em 2025?
Os juros nos EUA
Na primeira reunião de 2025, realizada ontem (29), o Fed resolveu manter os juros na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano. O mercado já esperava por isso — o que chamou atenção foi o que veio junto com a decisão.
O comunicado indicou que a inflação nos EUA permanece “um tanto elevada” em uma mudança de linguagem que indicava, até então, que a inflação estava progredindo na direção da meta de 2%.
Logo depois, Powell foi o encarregado de baixar ainda mais a temperatura do mercado ao dizer que a política monetária está bem posicionada, reduzindo as esperanças de corte de juros no curto prazo.
Não demorou muito para que o presidente dos EUA, Donald Trump, criticasse a decisão. Duas horas depois do anúncio dos juros, o republicano culpou o Fed por gerar inflação ao não cortar a taxa referencial.
Segundo o Goldman Sachs, ao afirmar que ainda vê a política monetária como restritiva, Powell não fechou as portas para novos cortes de juros este ano.
No entanto, uma nova redução em março parece improvável para o banco diante das incertezas provocadas pelas políticas de Trump.
“Continuamos confortáveis com a previsão de que haverá mais dois cortes de juros de 0,25 ponto percentual, um em junho e outro em dezembro”, afirmam os analistas do Goldman em relatório.
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