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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO BALANÇO

Auren (AURE3) sente pressão de prejuízo milionário e endividamento alto no 4T24 e ações recuam no Ibovespa

A dívida líquida subiu 60% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 18,9 bilhões; veja os destaques do balanço

Camille Lima
Camille Lima
25 de fevereiro de 2025
12:33 - atualizado às 12:34
Logo da Auren (AURE3)
Logo da Auren (AURE3) - Imagem: Divulgação

As ações da Auren Energia (AURE3) protagonizam uma das maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (25), após entregar um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024, no primeiro resultado desde a combinação de negócios com a AES Brasil.

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Por volta das 12h20, os papéis caíam 4,38%, negociados a R$ 8,30. No acumulado de 12 meses, as perdas chegam a 32% na B3.

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Uma das frustrações do mercado com o resultado veio da linha da lucratividade. 

A empresa de energia teve um prejuízo líquido de R$ 363,6 milhões entre outubro e dezembro, revertendo o lucro de R$ 220,2 milhões apurado em igual intervalo de 2023.

No acumulado do ano, as perdas da companhia somaram R$ 32,6 milhões.

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Os números foram apresentados sob uma visão proforma, considerando as operações combinadas da Auren e da antiga AES Brasil desde janeiro de 2023. Vale ressaltar que a AES só foi incorporada de fato no último trimestre do ano passado.

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Auren (AURE3) e o peso da dívida

Outro ponto de pressão sobre o resultado da empresa veio do endividamento. A dívida líquida subiu 60% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 18,9 bilhões, pressionadas pelos gastos da combinação de negócios com a AES.

Por sua vez, a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, subiu 2,3 vezes, para 5,7 vezes no fim do quarto trimestre.

Com isso, o fluxo de caixa operacional pós-serviço da dívida caiu 9% no comparativo anual, encerrando o trimestre a R$ 527,9 milhões.

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A Auren afirmou que já iniciou a implementação de uma estratégia para “redução significativa do endividamento”.

“Com os passos que demos em 2024, temos hoje um portfólio equilibrado, com novos projetos que começam a gerar caixa e sinergias significativas que ajudarão a reduzir a nossa alavancagem, deixando a Auren ainda mais forte e competitiva”, disse Mateus Ferreira, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Auren, em nota.

Já o diretor-presidente da companhia, Fabio Zanfelice, destacou que o índice de conversão de caixa da companhia, de 59,3% no quatro trimestre de 2024, “comprova a tese de que a companhia vai desalavancar muito rápido”. 

Para o CEO, em aproximadamente dois anos, a alavancagem estará “muito mais baixa do que é hoje”.

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Outros destaques do balanço da Auren (AURE3)

O Ebitda ajustado, indicador usado pelo mercado para mensurar o potencial de geração de caixa de uma empresa, caiu 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 889,8 milhões, também abaixo do esperado por analistas.

A receita líquida da companhia cresceu 35% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e alcançou R$ 3,5 bilhões. 

Segundo a Auren, o quarto trimestre foi marcado pelo início acelerado da integração operacional da AES Brasil, com captura de sinergias que já representaram uma economia de R$ 43,5 milhões. 

“Em um ano, essas sinergias podem somar R$ 250 milhões e a implementação do plano de integração, redução de custo e otimização de recursos continua em curso ao longo de 2025”, projetou a empresa. 

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A economia prevista está bem acima do guidance inicial projetado pela Auren, de uma redução de gastos de R$ 120 milhões.

O que dizem os analistas

Para o Itaú BBA, embora a Auren iniciará um processo de desalavancagem e a gestão da empresa está entregando as sinergias, a trajetória de redução do endividamento será mais longa, atingindo níveis abaixo de 3,5 vezes apenas em 2028.

Na avaliação do BTG Pactual, o patamar elevado de alavancagem da Auren e as taxas de juros de longo prazo mais altas pressionaram o patrimônio da empresa. 

O banco manteve recomendação de compra para AURE3, mas afirma que o endividamento impactará o comportamento de curto prazo das ações.

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“Esperamos que a empresa esteja altamente correlacionada às condições financeiras do país no curto prazo. Mas os fundamentos micro devem prevalecer a longo prazo”, disseram os analistas.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

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