Ações da C&A (CEAB3) dão salto de 20% na bolsa: o que está por trás da disparada após a queda de 94% do lucro no 1T25
Bancos explicam o motivo do desempenho da varejista nos três primeiros meses do ano e dizem se é hora de colocar os papéis na carteira

A C&A (CEAB3) registrou um lucro líquido de R$ 4,1 milhões no primeiro trimestre de 2025, uma queda de 94,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. Porém, a análise deste número não é tão preto no branco.
O lucro líquido contábil despencou entre janeiro e março porque no mesmo período de 2024 a empresa reconheceu ganhos extraordinários com tributos.
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Ao retirar esses efeitos e comparar o desempenho operacional “real” entre os dois anos, o desempenho é positivo em 2025, o que indica uma melhora da operação em si, apesar da margem ainda bastante estreita.
Ao longo do dia, as ações da C&A registraram forte alta nas negociações em bolsa, chegando a superar os 20% de valorização no pico da sessão. No fechamento, a alta era de 16,38%, a R$ 14,99.
Segundo o Itaú BBA, a base de comparação anual no segundo trimestre estará “mais fácil”, já que o mesmo período do ano anterior foi afetado por um clima mais quente e inundações no Sul do Brasil.
No final das contas, os analistas viram resultados sólidos da C&A no começo deste ano, com números acima das expectativas, forte crescimento nas vendas mesmas lojas (SSS) de vestuário e alguma expansão da margem.
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“A C&A registrou um sólido primeiro trimestre, com iniciativas internas apoiando o crescimento da receita e melhorando as margens, bem como a inadimplência”, escreveram os analistas da XP, em relatório.
Resultados da C&A
No critério ajustado, a varejista de moda teve lucro líquido de R$ 2,5 milhões, revertendo o prejuízo ajustado de R$ 61,4 milhões no primeiro trimestre de 2024.
Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 244,5 milhões no período, um crescimento de 35,4% na base anual.
A margem Ebitda também aumentou entre janeiro e março, para 15,2%, alta de 2,7 pontos porcentuais em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
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A receita líquida da C&A somou R$ 1,61 bilhão nos três primeiros meses do ano, crescimento de 10,9% na comparação anual.
Por fim, outro número significativo foi das vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) de vestuário, que atingiram 15% no 1T25.
Para o Santander, os resultados da C&A acima do esperado “estão se tornando a norma”.
“Acreditamos que isso ressalta a eficácia das iniciativas estratégicas ‘Energia C&A’ em impulsionar as vendas e a alavancagem operacional”, diz relatório.
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Hora de comprar CEAB3?
“Os resultados do primeiro trimestre reforçaram nossa visão positiva e o bom momento operacional da C&A”, escreveram os analistas do BTG.
Os especialistas afirmam estar impressionados com os investimentos estratégicos da varejista na cadeia de suprimentos, no desenvolvimento de produtos e nas tendências de serviços de crédito ao consumidor — apesar da recente desaceleração.
Segundo eles, todas essas iniciativas “impulsionaram o desempenho superior nos últimos trimestres e são fundamentais para competir com plataformas internacionais e pares locais”.
O relatório diz que, embora a visão sobre as ações da companhia seja otimista, os analistas preferem continuar monitorando os riscos do aumento da plataforma de financiamento ao consumidor em meio a um ambiente de alta taxa de juros e inadimplência.
A recomendação do BTG é de compra para as ações CEAB3, com um preço-alvo de R$ 17,00.
O Itaú BBA “gosta” da tese estratégica da companhia, considerada “simples” pelo banco.
“Um exercício simples mostra que a C&A poderia dobrar sua linha inferior se diminuísse completamente sua diferença de produtividade em relação à Lojas Renner (LREN3). Claro, isso não acontece da noite para o dia, mas não vemos nenhuma razão estrutural para que isso não possa acontecer nos próximos anos”, diz o relatório.
A recomendação do banco também é de compra para as ações da C&A, com preço-alvo de R$ 15,00.
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