Lucro líquido da Auren (AURE3) despenca, mas outros indicadores surpreendem e ações disparam mais de 13%; veja por que o mercado se animou
Crescimento do Ebitda e redução do nível de endividamento animam os investidores e analistas, que definem o primeiro trimestre como “para se lembrar”

Em um primeiro momento, a queda de 64,3% no lucro líquido da Auren Energia (AURE3) no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado, pode parecer um resultado muito ruim. Porém, não foi.
O lucro operacional da companhia, medido pelo Ebitda ajustado, cresceu 66% no período e atingiu um valor recorde para a empresa, de R$ 1,2 bilhão. O número foi tão surpreendente que veio muito acima do estimado pelos analistas.
Segundo a Auren, foi resultado de uma forte geração de energia nas diferentes frentes da empresa (hidrelétrica e eólica) entre janeiro e março, além de um volume maior de comercialização e melhoria nos custos gerenciáveis.
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O BTG considerou os resultados sólidos e reiterou sua recomendação de compra, argumentando que a elétrica “continua a entregar sinergias após a fusão com a AES Brasil”.
Com isso, as ações AURE3 fecharam entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (8), surfando a onda do apetite ao risco no mercado doméstico e a reação ao balanço.
As ações da Auren subiram 9,43%, a R$ 9,52. Na máxima intradia, a ação da elétrica atingiu uma alta de 13,68%.
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O crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e a redução no nível de endividamento foram os destaques do trimestre.
A alavancagem, indicador que mede o nível da dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado, ficou em 5,0 vezes no período, frente a 5,7 no trimestre passado. Para os analistas do Santander, isso pode ser visto como o primeiro passo significativo da empresa em sua trajetória de desalavancagem.
A continuidade das entregas de sinergias com a AES após a fusão também é uma perspectiva positiva para o BTG e o Santander, que veem a situação como um apoio para a tese de compra.
“A empresa apresentou uma sinergia recorrente de R$ 56 milhões com a operação da AES, o que gerou resultados positivos principalmente em serviços e outras despesas”, escreveram os analistas do Santander em relatório.
Segundo a companhia, a conclusão da combinação de negócios deve acontecer até o segundo semestre deste ano. A operação movimentou R$ 7 bilhões e tornou a Auren a terceira maior geradora de energia do país, com uma capacidade instalada total de 8,8 GW.
É hora de comprar AURE3?
As recomendações para as ações AURE3 estão divididas após o balanço do 1T25. O BTG Pactual tem recomendação de compra, enquanto o Santander se mantém neutro no papel.
O BTG Pactual considera que a Auren segue como uma oportunidade atrativa em um cenário de juros elevados. O banco tem preço-alvo de R$ 13,50 — o que representa um potencial de valorização de 55,2% sobre o preço de fechamento da véspera (7).
Mas, para o Santander, a alavancagem é fonte de preocupação, e os analistas do banco preferem se manter neutros até ter mais confirmações de que a empresa vai continuar em um caminho de diminuição das dívidas.
O banco tem preço-alvo de R$ 9,20 — o que representa um potencial de desvalorização em relação ao preço do dia.
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