PIB dos EUA: o que os números da maior economia do mundo escondem — e como Trump e Biden usarão essa arma no debate de hoje
O democrata e o republicano se enfrentam na noite desta quinta-feira (27) no primeiro debate das eleições presidenciais de novembro e os dados do PIB podem ser um trunfo na definição dos votos dos eleitores indecisos

A economia dos EUA se mostrou surpreendentemente resiliente aos juros mais altos dos últimos 23 anos — o Federal Reserve (Fed) aumentou a taxa de referência 11 vezes em 2022 e 2023 para tentar domar a pior inflação em quatro décadas. A maioria dos economistas previu que esse quadro jogaria a maior economia do mundo em recessão.
Isso não aconteceu. A economia norte-americana continuou a crescer, embora a um ritmo mais lento, e os empregadores continuaram a contratar.
Dados divulgados nesta quinta-feira (27) mostraram que, no primeiro trimestre de 2024, os EUA cresceram 1,4% em base anual, marcando uma forte desaceleração em relação aos 3,4% dos últimos três meses de 2023 — ainda assim uma expansão acima das previsões.
O mercado de trabalho também segue firme: em maio, o país criou 272 mil vagas, embora a taxa de desemprego tenha subido pelo segundo mês consecutivo, mas mantendo um nível baixo de 4%.
Ao mesmo tempo, a inflação medida pelo principal indicador de preços do governo, desacelerou de um pico de 9,1% em 2022 para 3,3% agora — um percentual ainda acima da meta de 2% do Fed.
- VOCÊ JÁ DOLARIZOU SEU PATRIMÔNIO? A Empiricus Research está liberando uma carteira gratuita com 10 ações americanas pra comprar agora. Clique aqui e acesse.
Economia: uma arma para o debate entre Trump e Biden
Embora a economia dos EUA permaneça saudável de acordo com a maioria das métricas e a inflação esteja bem abaixo do pico, muitos norte-americanos dizem estar frustrados porque os preços ainda estão bem acima dos níveis pré-pandemia.
Leia Também
Por isso, o estado da economia certamente será um tema central na noite desta quinta-feira, quando Joe Biden enfrenta Donald Trump no primeiro debate das eleições presidenciais de 5 de novembro.
Os aluguéis e os alimentos mais caros são fontes específicas de descontentamento, e Trump tem procurado atribuir a culpa a Biden, em uma ameaça à tentativa de reeleição do atual chefe da Casa Branca.
Uma medida da inflação no relatório do PIB divulgado hoje mostrou que as pressões sobre os preços aceleraram no início de 2024. Os preços no consumidor subiram a um ritmo anual de 3,4%, acima de 1,8% no quarto trimestre de 2023.
Excluindo os custos voláteis dos alimentos e da energia, o chamado núcleo de inflação acelerou a um ritmo anual de 3,7%, acima dos 2% em cada um dos dois trimestres anteriores.
ENTENDA COMO O FED É O MAIOR CULPADO PELA PAUSA NOS CORTES NA SELIC
- Leia também: O primeiro debate entre Joe Biden e Donald Trump vem aí: o que esperar da eleição mais importante do mundo
Todo mundo de olho nos juros dos EUA
À luz das pressões inflacionárias ainda elevadas, os membros do comitê de política monetária do Fed indicaram no início deste mês que reduziriam os juros apenas uma vez em 2024 — abaixo da previsão anterior de três cortes nas taxas.
A maioria dos economistas espera que o primeiro corte nos EUA ocorra em setembro, com possivelmente um segundo corte em dezembro.
Logo que os dados de hoje foram divulgados, a ferramenta FedWatch do CME Group mostrava um leve aumento na possibilidade de redução nos juros até setembro: 64,1% de 62,3% antes da publicação dos indicadores.
Até dezembro, o monitoramento apontava um modesto crescimento na chance de cortes de 50 pontos-base pelo Fed, de 42,% logo antes dos dados a 43,5%.
Já para novembro, o cenário visto como mais provável (50,7%) é de que o corte até lá seja de 25 pontos-base, seguido (24,1%) por manutenção e por uma redução de 50 pb (23,1%).
- VEJA MAIS: Investimento em BDRs permite buscar lucros dolarizados com ações gringas, sem sair da bolsa brasileira – veja os 10 melhores papéis para comprar agora
Se o mercado está de olho nos juros, Trump e Biden também estão.
Quando comandava a Casa Branca, o republicano criticava regularmente o presidente do Fed, Jerome Powell — seu próprio nomeado para o cargo — por não reduzir os juros a zero. Trump chegou até mesmo a considerar destituir Powell do cargo — embora seja uma questão em aberto se o chefe do banco central pode ser destituído legalmente apenas porque o presidente discorda dele em termos de política.
Desde que deixou o cargo, Trump sugeriu que substituiria Powell. O Wall Street Journal informou que alguns de seus conselheiros vão mais longe, considerando formas de o republicano influenciar mais diretamente a política monetária.
Questionar Trump sobre o futuro do Fed durante o debate de hoje pode revelar se ele tem uma agenda que vai além de atacar Powell pessoalmente.
Quanto a Biden, ele tem respeitado a tradição da era moderna de manter o Fed à distância — a chamada independência política que supostamente permite ao banco central tomar decisões que sejam melhores para a economia no longo prazo mesmo que exijam escolhas difíceis no curto prazo.
Mas será que Biden quer realmente que o Fed faça mais para combater as mudanças climáticas, por exemplo, como alguns dos seus apoiadores acreditam que deveria? É isso que vamos descobrir no debate de hoje. O canal do Seu Dinheiro no YouTube fará a cobertura em tempo do confronto a partir de 22h (de Brasília).
IA NO CONTROLE
“IA pode assumir controle da internet em até 12 meses”, alerta CEO da Anthropic
12 de setembro de 2026 - 15:18APONTA ESTUDO
País de escala continental, natureza exótica e praias paradisíacas é o melhor lugar do mundo para sobreviver a uma catástrofe global — e não é o Brasil
11 de setembro de 2026 - 10:30O ROTEIRO DO CHOQUE
Recessão à vista? Fitch diz o que acontece com a economia mundial se a inteligência artificial virar a vilã dos mercados
9 de setembro de 2026 - 19:01Conteúdo Empiricus
De olho em temas como Oriente Médio, petróleo e decisão de juros nos EUA, Empiricus traz recomendações de BDRs para setembro
9 de setembro de 2026 - 12:59VIRADA NO JOGO
Investidor estrangeiro volta para a bolsa brasileira, mas não compra qualquer coisa; veja o que está no radar do gringo
9 de setembro de 2026 - 12:41MUDANÇA NA ÁREA
Mapa-múndi vai mudar? Novo modelo é aprovado pela ONU e propõe uma nova representação dos continentes
8 de setembro de 2026 - 14:57FOI SEM QUERER
O ‘insuportável’ William Shockley, Prêmio Nobel que perdeu seus principais pesquisadores e criou o Vale do Silício por acidente
7 de setembro de 2026 - 7:14Conteúdo BTG Pactual
Dólar ou Selic: mesmo com juros em dois dígitos, títulos atrelados ao CDI ‘apanharam’ dos investimentos ‘gringos’; entenda
5 de setembro de 2026 - 11:00NOVA ROTA, MESMO DESTINO
A nova ameaça de Trump após o dado de emprego para forçar a queda de juros nos EUA
4 de setembro de 2026 - 12:26VALE FICAR DE OLHO
O cartão de crédito de Paris estourou: como a França virou a dor de cabeça dos mercados e o sinal de uma crise na Europa
2 de setembro de 2026 - 18:01CÂMBIO
O trade mais manjado e lucrativo da década está mudando de endereço — e o investidor brasileiro leva vantagem sem fazer esforço
2 de setembro de 2026 - 14:01BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
A receita de um dos maiores economistas do mundo para investir com juros altos, guerras e intervenções
31 de agosto de 2026 - 13:50O FIM DO SPOILER
De Wyoming para o seu bolso: o que Kevin Warsh disse no evento mais exclusivo do mundo que mudou os rumos do dólar e da bolsa
28 de agosto de 2026 - 13:04BARRADO DO BAILE
Nem os US$ 250 bilhões de Jeff Bezos garantem ao dono da Amazon um lugar no ‘clube dos bilionários’
27 de agosto de 2026 - 16:32DESFECHO
Bilionário na cadeia: como o colapso da Evergrande fez o ex-homem mais rico da China ser condenado à prisão perpétua
20 de agosto de 2026 - 8:28SEM GABARITO
Super Quarta com os dias contados? Nova proposta do presidente do Fed pode deixar investidor ainda mais no escuro
19 de agosto de 2026 - 16:38OPORTUNIDADE OU CILADA
Renda fixa nos EUA: vale a pena comprar Treasury com a disparada dos juros?
19 de agosto de 2026 - 15:33TOUROS E URSOS #283
O gringo está de saída do Ibovespa (de novo): confira o que afasta o estrangeiro do Brasil
14 de agosto de 2026 - 14:40BRASÍLIA X TIO SAM
A lei de reciprocidade vai incendiar a bolsa? Spoiler: o risco Brasil dá mais medo
14 de agosto de 2026 - 13:31ENTREVISTA EXCLUSIVA