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Líderes do Ocidente foram à capital ucraniana neste sábado, pelo aniversário da guerra; ajuda dos EUA e da União Europeia ao país, no entanto, passa por dificuldades
Os primeiros-ministros de Itália, Canadá e Bélgica, além da presidente da Comissão Europeia desembarcaram em Kiev, capital da Ucrânia, neste sábado (24), em um gesto de solidariedade ao governo do país no dia em que a guerra contra a Rússia completou dois anos.
A italiana Giorgia Meloni, o canadense Justin Trudeau, o belga Alexander De Croo e Ursula von der Leyen chegaram à capital ucraniana vindos de trem da Polônia.
Uma teleconferência foi realizada durante a tarde entre líderes do G7 com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O G7 é composto por Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e EUA.
"Este lugar é o símbolo do fracasso de Moscou, este lugar é o símbolo do orgulho ucraniano… Esta terra é um pedaço da nossa casa e faremos a nossa parte para defendê-la", disse Meloni.
A premiê italiana presidiu a reunião virtual do G7 sobre a Ucrânia, que examinou uma nova série de sanções contra Moscou, depois das medidas anunciadas recentemente por Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido.
Zelensky celebrou ainda acordos bilaterais de cooperação em segurança com Meloni e Trudeau.
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Também neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o "corajoso povo da Ucrânia continua a lutar, inabalável na sua determinação em defender a sua liberdade e o seu futuro. A Otan está mais forte, maior e mais unida do que nunca".
Em discurso, Zelensky prometeu vencer a Rússia, apesar dos avanços recentes das tropas de Moscou e da redução do apoio ocidental.
"Nós estamos lutando por isto há 730 dias de nossas vidas. E nós venceremos, no melhor dia das nossas vidas", afirmou Zelensky em um evento ao ar livre no aeroporto de Gostomel, perto de Kiev.
"Qualquer pessoa normal deseja que a guerra termine. Mas ninguém permitirá o fim da Ucrânia", declarou, antes de enfatizar que a disputa deve terminar "em nossos termos" e com uma paz "justa".
O presidente ucraniano discursou ao lado de von der Leyen, Trudeau, Meloni e de Croo.
A presença de vários líderes ocidentais neste sábado em Kiev não modifica a realidade: a ajuda dos Estados Unidos está bloqueada pelos opositores republicanos do presidente, Joe Biden, e a assistência da União Europeia enfrenta atrasos.
Zelensky afirmou na sexta-feira que as decisões sobre a entrega de ajuda militar devem ser "a prioridade".
"Nossa infantaria teve que enfrentar tanques, aviões e artilharia do inimigo com rifles e granadas", declarou um recruta de 39 anos de Kiev, que está em combate há dois anos e se identifica com o codinome 'sportsman'.
A Rússia prossegue com os ataques contra cidades ucranianas com mísseis e drones. Três pessoas morreram durante a madrugada em Dnipro e Odessa, segundo as autoridades locais.
A Ucrânia anunciou que atingiu uma das maiores siderúrgicas russas, em um ataque com drones na região oeste de Lipetsk.
O Reino Unido anunciou neste sábado um pacote de 245 milhões de libras (R$ 1,54 bilhão) a Kiev para estimular a produção de armas e mais 8,5 milhões de libras (R$ 53,8 milhões) de ajuda humanitária.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que Kiev e os aliados não devem perder a esperança porque "o objetivo do presidente (russo Vladimir) Putin de dominar a Ucrânia não mudou".
Ao desembarcar em Kiev, Von der Leyen, presidente do Executivo europeu, destacou a "resistência extraordinária do povo ucraniano" e afirmou que o bloco apoiará a nação "até que o país seja finalmente livre".
A guerra começou em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e fez ataques pela terra, pelo ar e pelo mar. Embora não haja estatísticas fiéis, estima-se que pelo menos 500 mil pessoas tenham morrido nos dois lados das trincheiras.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, esperava ocupar a capital Kiev em poucos dias quando ordenou a ofensiva, há dois anos. Mas as tropas de seu país sofreram derrotas humilhantes para a resistência ucraniana.
A Ucrânia, por sua vez, teve seus planos frustrados em 2023 com o fracasso de uma grande contraofensiva no verão (hemisfério norte, inverno no Brasil). Atualmente, o Exército de Kiev enfrenta a escassez de soldados, munições e de baterias antiaéreas.
Ao mesmo tempo, a Rússia celebra o aumento das ações no front e reivindicou vitórias como a tomada de Avdiivka, no leste do país, em 17 de fevereiro, após meses de combates violentos.
As tropas russas também passaram à ofensiva em outra área da região leste, nas proximidades Mariinka.
"Hoje, em termos de proporção de forças, a vantagem está do nosso lado", afirmou o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, durante uma visita às tropas neste sábado.
Porém, os ucranianos entrevistados em Kiev pela agência de notícias AFP se declararam convencidos da vitória contra os invasores.
Putin parabenizou na sexta-feira os "heróis" de seu Exército que lutam na Ucrânia. Quase 500 mil pessoas se alistaram nas Forças Armadas em 2023 e outras 50 mil em janeiro, enquanto a economia do país foi orientada para apoiar a máquina de guerra.
A oposição russa foi dizimada pela repressão e pela morte de seu principal líder, Alexey Navalny, em 16 de fevereiro em uma prisão na região do Ártico.
Putin não tem nenhum obstáculo no caminho de sua vitória nas eleições presidenciais programadas para março.
Neste sábado, a polícia russa prendeu várias pessoas, incluindo jornalistas, durante uma manifestação de esposas de soldados russos que exigem o retorno dos militares que estão na batalha da Ucrânia.
Todos os sábados, as esposas dos soldados depositam flores no túmulo do soldado desconhecido, uma ação simbólica perto do muro do Kremlin, conhecida como movimento "Put Domoi" (caminho para a casa, em russo).
Ao comentar as sanções que isolaram a Rússia do mundo ocidental, o ex-presidente russo e atual número dois do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, afirmou que o país se vingará das medidas.
"Temos que nos recordar e nos vingarmos deles sempre que possível. São nossos inimigos", escreveu no Telegram após as novas restrições anunciadas nos últimos dias por Estados Unidos, UE e Reino Unido.
Com Estadão Conteúdo, AFP e AP.
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