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A ÚLTIMA MILHA

EUA: inflação atinge o menor nível em 3 anos, mas será o suficiente para convencer o Fed a cortar os juros agora?

O núcleo do PCE, a medida preferida do banco central norte-americano para a inflação, subiu 0,1% em maio e 2,6% em base anual

Jerome Powell, presidente do Fed, com efeito
Montagem com Jerome Powell, presidente do Fed - Imagem: Federal Reserve / Montagem Brenda Silva

A mensagem do Federal Reserve (Fed) é clara: precisa haver confiança na trajetória descendente da inflação para o início do corte de juros. Nesta sexta-feira (28), a medida preferida do banco central norte-americano desacelerou para o menor nível em três anos — mas será o suficiente para convencer o BC dos EUA a afrouxar a política monetária?

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Há especialista que acha que é preciso mais. “O relatório de maio do PCE dos EUA, que veio em linha com as expectativas, é uma boa notícia no que diz respeito à inflação, mas não traz novidades após os dados positivos do CPI e do PPI”, diz o CIBC em relatório. 

Segundo o banco canadense, o foco do Fed já está nos números de junho, que irão mostrar se essa melhora é sustentada.

A Oxford Economics também destaca que o índice de preços para gastos pessoais (PCE, em inglês) de maio nos EUA veio conforme o esperado, mostrando desaceleração gradual da inflação no país — mas ainda não será o suficiente para um corte de juros agora. 

“Os dirigentes do Federal Reserve ainda querem ver alguns dados encorajadores a mais de inflação antes de cortar juros. A boa notícia é que não esperarão até que a taxa chegue à meta de 2%”, disse a Oxford em relatório. 

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Para o ING, os membros do comitê de política monetária precisa de três fatores para começar a cortar os juros:

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  • Mais evidências de ociosidade no mercado de trabalho;
  • Suavização dos gastos do consumidor.

Em maio, o PCE ficou estável na comparação com abril, segundo dado divulgados mais cedo pelo Departamento do Comércio. O resultado veio em linha com o esperado por analistas ouvidos pela FactSet. Na comparação anual, o PCE subiu 2,6%, também como previsto.

O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,1% em maio, com alta anual de 2,6%. Os dois números também vieram conforme o esperado. 

O que muita gente quer saber: quantos cortes de juros vêm aí?

Na última atualização das projeções, feita em junho, o Fomc baixou de três para um o número de cortes dos juros em 2024. O dado de inflação de hoje deu mais confiança aos investidores. 

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Logo após a divulgação do PCE, o mercado passou a ver chance maior para início dos cortes de juros em setembro, além de ter ampliado a probabilidade de redução acumulada de 50 pontos-base (pb) em 2024.

Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a chance de corte de juros em setembro subiu para 67,7%, de 64,1% antes do dado. Esse total representa 61,1% de probabilidade de corte de 25pb — para a faixa de 5,00% a 5,25% — e 6,6% de redução de 50pb — para o intervalo de 4,75% a 5,00%.

Até dezembro, a chance de redução acumulada de 50 pb avançou de 43% antes do dado para 45,4%. Já a chance de manutenção dos juros na faixa atual, entre 5,25% a 5,50%, caiu de 7% para 5,2%.

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Já os especialistas mantém um otimismo cauteloso sobre o número de cortes de juros este ano. 

O CIBC prevê que futuras leituras de inflação favoráveis e riscos crescentes para o mercado de trabalho deixarão o Fed confortável para cortar juros duas vezes este ano, a partir de setembro.

A Oxford segue a mesma linha: "Nós ainda esperamos que o Fed comece a cortar juros em setembro, e depois disso reduza os juros uma vez por trimestre". 

“O Fed acredita que a política monetária é restritiva com os juros entre 5,25% e 5,50% em um ambiente em que considera a taxa neutra em torno de 2,8%. O BC não quer causar uma recessão se não for necessário e se os dados permitirem começar a tornar a política monetária ligeiramente menos restritiva, pensamos que a Fed aproveitará essa oportunidade, potencialmente já em setembro”, dizem os analistas do ING.

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