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O presidente dos EUA, Joe Biden, introduziu no mês passado impostos elevados sobre os carros elétricos da China, efetivamente duplicando o preço de tabela — mas há quem diga que nem assim será possível freá-los
No início da década de 1980, a indústria automobilística da China mal existia. Hoje o país tem capacidade para fabricar cerca de 40 milhões de veículos anualmente — o suficiente para abastecer metade do mundo.
No ano passado, no entanto, apenas 25 milhões de carros foram vendidos na China, de acordo com a Dunne Insights, empresa que acompanha o mercado automobilístico dos países asiáticos.
Para descarregar o excesso, Pequim procura cada vez mais exportar: enviou carros para mais de 100 países em 2023, de acordo com a Dunne.
A empresa e outros especialistas dizem que é apenas uma questão de tempo até que os carros made in China cheguem aos EUA — algumas marcas, como a Volvo e subsidiária Polestar, já são propriedade de uma empresa chinesa, Geely, embora as marcas estejam sediadas na Suécia.
“Eu chamo de o grande Godzilla”, disse Michael Dunne, CEO da Dunne Insights à CNBC. “O mundo nunca viu uma indústria automobilística deste tamanho e escala”, acrescentou.
As pesquisas indicam que uma grande parte dos compradores norte-americanos, especialmente os mais jovens, ficaria feliz em comprar um carro chinês, apesar das preocupações comuns com a privacidade.
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Só que nem todo mundo compartilha desse entusiasmo. O presidente dos EUA, Joe Biden, introduziu no mês passado tarifas rígidas sobre os carros elétricos da China, efetivamente duplicando o preço de tabela, que de outra forma pode ser tão barato quanto US$ 11,5 mil (R$ 61,6 mil).
O governo Biden afirma que as empresas chinesas se beneficiaram de apoio estatal injusto e que as importações chinesas de carros elétricos ameaçam os grandes investimentos da gestão democrata.
O CEO da Tesla, Elon Musk, criticou as tarifas, mas disse no início de 2024 que sem barreiras comerciais a maioria das fabricantes ocidentais seria demolida pela concorrência vinda da China.
Acontece que alguns membros da indústria automobilística estão céticos quanto à possibilidade de as tarifas conseguirem retardar as importações chinesas por muito tempo — alguns dizem que podem até causar mais danos do que benefícios.
Bill Russo, ex-executivo da Chrysler que dirige uma consultoria chamada Automobility com sede em Xangai, disse que a história recente mostra as limitações das tarifas.
Segundo ele, a guerra comercial iniciada por Donald Trump pode ter sido dirigida a Pequim, mas prejudicou as montadoras norte-americanas ao aumentar o custo das peças.
“No final, também pode ter acelerado a globalização das empresas chinesas, forçando-as a investir em outros países que as ajudariam a evitar as tarifas”, acrescentou.
*Com informações da CNBC
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