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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

PEDIU O MERCADO EM NAMORO?

De Powell, com amor (mas nem tanto): o que a decisão do Fed diz sobre os juros nos EUA

Em decisão amplamente esperada, o banco central norte-americano manteve a taxa referencial na faixa entre 5,25% e 5,50% ano — foi o gráfico de pontos que mandou a mensagem aos mercados

Carolina Gama
12 de junho de 2024
15:12 - atualizado às 14:33
Jerome Powell, presidente do Fed, com efeito
Montagem com Jerome Powell, presidente do Fed - Imagem: Federal Reserve / Montagem Brenda Silva

O dia é dos namorados, mas o romance entre o Federal Reserve (Fed) e o mercado está longe de acontecer — tudo indica que não deve rolar nada antes de setembro. Nesta quarta-feira (12), o banco central norte-americano manteve os juros inalterados na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano. 

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A decisão, no entanto, era amplamente esperada. Há dias, 99% dos investidores viam a possibilidade de manutenção da taxa como aconteceu hoje e jogavam as apostas do primeiro corte de juros nos EUA para os meses de setembro, novembro e dezembro — com o último mês do ano concentrando a maioria delas. 

No comunicado, o banco central norte-americano diz que a atividade econômica continuou a se expandir a um ritmo sólido, com fortes ganhos de emprego e taxa de desemprego baixa. Sobre a inflação, o documento traz uma mudança sutil.

"Nos últimos meses, registaram-se novos progressos modestos em direção ao objetivo de inflação de 2% do Comitê", diz o comunicado.

Na decisão anterior, o comunicado dizia que havia quase nenhum progresso em relação ao caminho da inflação em direção à meta de 2% do Fed.

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A reação do mercado foi imediata. Os três principais índices de ações de Nova York perderam um pouco de fôlego, com o Dow Jones invertendo o sinal e operando no vermelho. Por aqui, o Ibovespa seguiu em queda, enquanto o dólar avançava. Acompanhe a cobertura ao vivo dos mercados.

Leia Também

Conforme a coletiva de Jerome Powell, o presidente do Fed, foi evoluindo, Wall Street foi ganhando nova tração. O Seu Dinheiro decifrou os principais sinais que o chefão do BC dos EUA e seus colegas de comitê enviaram aos mercados e conta para você a partir de agora.

Dot plot: a mensagem (de amor?) do Fed 

O que muito investidor por aí queria saber é se o Fed continuaria prevendo três cortes de juros este ano — como fez em março, a última vez em que o comitê de política monetária (Fomc) atualizou suas previsões.

E a divulgação do índice de preço ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) antes da decisão sobre os juros deu uma pista do que estava por vir. o CPI ficou estável em maio ante abril. As previsões eram de alta de 0,3% na base mensal.

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O núcleo do CPI, que exclui itens mais voláteis como energia e combustíveis, avançou 3,4% em maio em base anual, abaixo da estimativa de alta de 3,5% do mercado.

Mas quem telegrafou a mensagem (de amor?) do banco central norte-americano ao mercado sobre os juros foi mesmo o  famoso dot plot.

O também conhecido gráfico de pontos do Fed mostra que os membros do comitê projetam um corte nos juros este ano, dois a menos do que a projeção anterior.

As previsões do Fomc indicam juros médios de 5,1% em 2024 ante 4,6% previstos em março. Com a atual taxa na faixa de 5,25% a 5,50%, o dot plot implica em um corte de 0,25 ponto percentual (pp). A projeção anterior de março mostrava três cortes nas taxas em 2024.

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A nova projeção para os juros mostra um comitê dividido sobre o futuro da política monetária nos EUA: sete dirigentes veem a taxa na faixa entre 5,00% e 5,25% este ano e oito projetam os juros entre 4,75% e 5,00% ao final de 2024.

Numa indicação adicional de uma tendência agressiva por parte dos banqueiros centrais, o gráfico de pontos mostrou quatro responsáveis ​​a favor da ausência de cortes este ano, contra dois anteriormente.

Para 2025, o Fomc prevê agora cinco cortes nos juros, equivalentes a 1,25 pp, abaixo dos seis de março.

Outro desenvolvimento significativo ocorreu com a projeção para os juros em longo prazo —essencialmente um nível que não impulsiona nem restringe o crescimento. Esse patamar subiu de 2,6% para 2,8%, um sinal de que a narrativa de higher-for-longer (mais alto por mais tempo) está ganhando força entre os membros do comitê.

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Em uma indicação adicional de uma tendência agressiva por parte membros do Fomc, o gráfico de pontos mostrou quatro deles ​​a favor da ausência de cortes este ano, contra dois anteriormente.

Com as projeções publicadas, os investidores refizeram as apostas no corte de juros. A probabilidade de redução em setembro subiu de 52,8% de ontem para 63,5% agora. Mais cedo, logo depois da divulgação do CPI, essas chances passavam de 70%.

Para novembro, as apostas subiram de 68,1% ontem para 76,3% agora. Dezembro continuou concentrando a maior parte dessa probabilidade, saltando de 88,9% ontem para 93,2% agora. Os dados são compilados pelo CME Group por meio da ferramenta FedWatch.

E agora, Campos Neto? Inflação acelera em maio depois de sete meses. Como ficam os cortes na Selic

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Sem romance: juros e outras previsões do Fed

A cada três meses, o Fomc divulga as projeções não só para os juros como também para a economia. Confira as estimativas atualizadas de junho:

Juros

  • 2024: 5,1% de 4,6%
  • 2025: 4,1% de 3,9% previstos em março
  • 2026: mantido em 3,1%
  • Longo prazo: 2,8% de 2,6% previstos em março

PIB dos EUA

  • 2024: mantido em 2,1%
  • 2025: mantido em 2,0%
  • 2026: mantido em 2,0%
  • Longo prazo: mantido em 1,8%

Inflação medida pelo PCE

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  • 2024:  2,6% de 2,4% previsto em março
  • 2025: 2,3% de 2,2% previstos em março
  • 2026: mantido em 2,0%
  • Longo prazo: mantido em 2,0%

Taxa de desemprego

  • 2024: mantido em 4,0%
  • 2025: 4,2% de 4,1% previstos em março
  • 2026: 4,1% de 4,0% previstos em março
  • Longo prazo: 4,2% de 4,1% previstos em março

  • Como proteger os seus investimentos: dólar e ouro são ativos “clássicos” para quem quer blindar o patrimônio da volatilidade do mercado. Mas, afinal, qual é a melhor forma de investir em cada um deles? Descubra aqui.

Juros: de Powell para o mercado, com amor

Se as grandes estrelas neste dia 12 de junho são os casais de namorados, no caso do mercado, os olhos brilhavam para Jerome Powell — e os sinais sobre quando o romance com o Fed finalmente vai engatar. 

O presidente do banco central norte-americano abriu a coletiva reconhecendo os progressos na inflação, mas voltou a avisar que ainda não há confiança necessária para que o Fomc inicie o tão esperado ciclo de afrouxamento monetário nos EUA.

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"A inflação melhorou, mas ainda está alta, acima da meta de 2%. Expectativas de inflação se mostram bem ancoradas. Não vamos cortar os juros até ganharmos confiança de que os preços estão em trajetória sustentável na direção da meta. A inflação vem apresentando progressos, mas precisamos ver mais bons dados para ter essa confiança", disse Powell.

Powell também fez questão de destacar que as projeções do dot plot não são um plano do comitê para os juros: "O comitê continuará acompanhando os dados para avaliar a melhor decisão e estamos prontos para agir conforme necessário. Vamos decidir reunião por reunião, com base em dados".

Questionado sobre o fato de as projeções indicarem uma inflação mais elevada neste ano e a necessidade de o Fed ver os preços caminharem na direção da meta de 2% de forma sustentável, Powell disse que se trata de uma visão mais conservadora do comitê.

"Há um elemento de conservadorismo que estamos assumindo; assumimos que [os dados de inflação] serão bons, mas não incríveis. É um jeito conservador de projetar os dados. Se vierem dados melhores como o de hoje serão bem-vindos", disse o presidente do Fed.

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Powell também foi interrogado sobre a divisão entre os membros do Fomc sobre o futuro dos juros nos EUA. "Ninguém discute que a decisão só será tomada com base em dados", afirmou.

O chefão do BC dos EUA ainda explicou o que é necessário para que os juros caíam. "Precisamos ganhar mais confiança. Certamente mais dados bons de inflação ajudarão nisso, mas não vou dizer quantos mais são necessários. Podemos ver também dados inesperados de enfraquecimento do mercado de trabalho", disse.

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