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Fontes de dentro do governo chinês ouvidas pela Reuters mostram divisão sobre a meta de expansão da segunda maior economia do mundo no ano que vem; uma decisão só será tomada em março
Mesmo com o mercado prevendo uma desaceleração econômica gradual, a China segue comprometida em não deixar o ritmo esfriar. Segundo informações da Reuters, consultores do governo chinês recomendaram a manutenção de uma meta de crescimento econômico em torno de 5% para o próximo ano — mas pediram estímulos mais fortes.
A meta de crescimento econômico chinês é um dos indicadores mais observados globalmente para dar pistas sobre as intenções de política de curto prazo de Pequim. Entre os consultores, quatro dos seis ouvidos pela Reuters apoiam a meta de 5%, enquanto um sugere um objetivo “acima de 4%” e outro propõe uma faixa entre 4,5% e 5%.
Considerando o impacto esperado da eleição de Donald Trump e a possível imposição de tarifas de importação dos Estados Unidos na casa dos 60% , o único caminho viável para esse objetivo parece ser o fortalecimento dos estímulos fiscais.
Uma pesquisa da Reuters aponta que essas tarifas podem reduzir o crescimento econômico da China em até 1 ponto percentual. Sem contar com esse fator, o estudo também projeta um crescimento esperado de 4,5% para o próximo ano, o que ainda não atinge a meta defendida pelos conselheiros.
Apesar do vento em Pequim apontar na direção dos 5%, a meta só será oficialmente anunciada em uma reunião parlamentar em março.
As recomendações dos conselheiros são consideradas pelos formuladores das políticas chinesas no processo final de tomada de decisão. Em geral, a visão mais popular costuma ser adotada, mas nem sempre prevalece.
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A maioria dos conselheiros falou com a Reuters na condição de anonimato, mas Yu Yongding, economista do governo que defende uma meta de aproximadamente 5%, expôs um caminho.
"É totalmente possível compensar o impacto das tarifas de Trump sobre as exportações da China expandindo ainda mais a demanda doméstica", disse.
Outros economistas têm solicitado que o governo da China abandone ou adote metas de crescimento mais baixas para reduzir a dependência de estímulos, que têm alimentado bolhas imobiliárias e enormes dívidas dos governos locais.
No entanto, os defensores de metas ambiciosas argumentam que elas são cruciais para salvaguardar a posição global da China, a segurança nacional e estabilidade social.
A visão ambiciosa do presidente Xi Jinping de uma "modernização ao estilo chinês" prevê dobrar o tamanho da economia até 2035 em relação aos níveis de 2020, potencialmente superando a dos Estados Unidos.
Entretanto, economistas fora da China não acreditam que essa meta seja realista, mesmo assim, ainda influencia as discussões sobre políticas domésticas do país.
"Para alcançar os objetivos de 2035, precisamos atingir um crescimento econômico de cerca de 5% em 2025", disse um dos conselheiros do governo.
A necessidade de um público consumidor interno robusto na China já é uma questão amplamente discutida. No entanto, continua sendo um ponto sensível.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou no mês passado que o crescimento da China pode cair "bem abaixo de 4%" se o país não migrar de um modelo econômico baseado em exportações e investimentos para outro impulsionado pela demanda do consumidor.
A ameaça de tarifas norte-americanas atingiu um ponto fraco da economia chinesa, abalando o setor industrial chinês — US$ 400 bilhões são exportados pelo setor anualmente para os Estados Unidos.
Reagindo a esse cenário, muitos fabricantes já começaram a transferir suas produções para o exterior como estratégia para escapar das tarifas.
Apesar disso, o economista Yu Yongding minimizou o impacto dessas tarifas, destacando que a contribuição das exportações líquidas ao Produto Interno Bruto (PIB) da China é relativamente modesta, representando apenas 2,2% em 2023.
No entanto, os dados oficiais mostram que as exportações brutas ainda correspondem a quase 20% da produção econômica total.
Outros economistas, porém, destacam a forte dependência do setor industrial chinês da demanda externa. Para eles, barreiras comerciais adicionais poderiam intensificar as pressões deflacionárias e os desafios ao crescimento econômico.
“Se as exportações da China forem prejudicadas e a demanda doméstica não compensar, as pressões deflacionárias se agravarão”, alertou um conselheiro que recomendou uma meta de crescimento "acima de 4%".
Neste mês, a China anunciou um pacote de 10 trilhões de yuans (R$ 8 trilhões), em um período de 5 anos, com intuito de dar suporte à dívida dos governos locais. No entanto, nem mesmo uma injeção trilionária de recursos foi suficiente para o mercado financeiro dar um voto de confiança ao governo de Xi Jinping.
Mesmo assim, alguns analistas acreditam que Pequim está reservando munição para responder ao primeiro movimento do governo de Donald Trump.
O ministro das Finanças, Lan Foan, revelou que mais medidas de estímulo estão em preparação, mas sem detalhes sobre a escala ou cronograma.
Embora existam planos para expandir programas de subsídios destinados a estimular o consumo — como apoio à compra de automóveis e eletrodomésticos —, os conselheiros destacam que grandes distribuições de vouchers em dinheiro são improváveis.
Além disso, eles enfatizam a necessidade de avançar em reformas estruturais, como mudanças tributárias e políticas sociais, para lidar com os desequilíbrios econômicos.
*Com informações da Reuters
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