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O chefe da Casa Rosada fez um pronunciamento em rede nacional para comemorar o feito — e alfinetar o antecessor

Quando assumiu a cadeira na Casa Rosada, Javier Milei sabia que teria uma tarefa hercúlea pela frente: fazer a economia da Argentina voltar aos trilhos. A terapia de choque do novo chefe de Estado parece ter dado resultados, com o primeiro trimestre registrando um superávit das contas públicas — o primeiro em 16 anos.
Milei utilizou a cadeia nacional na noite de ontem (22) para anunciar que o país obteve receitas maiores que as despesas pela primeira vez desde 2008. O superávit dos três primeiros meses de 2024 representa 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina.
"[É um feito] que deve nos deixar orgulhosos como país, em particular dada a herança que tivemos que assumir", disse Milei em pronunciamento, referindo-se ao antecessor Alberto Fernández.
Na transmissão gravada, Milei estava acompanhado do ministro da Economia, Luis Caputo, e do presidente do banco central argentino, Santiago Bausili.
É preciso dizer que, desde antes da eleição, analistas internacionais não conseguiram cravar qual seria a solução para os problemas da Argentina.
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Até mesmo a proposta de dolarização de Milei não era uma carta fora do baralho — apesar de ter sido temporariamente adiada pelo presidente.
A escolha do novo chefe da Casa Rosada foi a de aplicar a boa e velha terapia de choque liberal: corte de gastos públicos e financiamentos de obras, desvalorização do peso argentino, suspensão de subsídios, entre outras despesas.
Esse pacote ficou conhecido como Decreto de Necesidad y Urgencia (DNU), um aceno ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o país iria realizar uma série de medidas para sanar as contas públicas e pagar o empréstimo de US$ 44 bilhões junto ao órgão.
O resultado surtiu efeito. Os três primeiros meses do ano foram de superávit das contas públicas. Veja outros dados de 2024 até agora:
Contudo, a vitória de Milei no campo econômico não necessariamente é de agrado da maioria da população, apesar de o presidente manter relativa popularidade junto ao eleitorado, de acordo com as pesquisas recentes.
As maiores centrais sindicais do país, como a Confederación General del Trabajo de la República Argentina (CGT) e a Asociación Trabajadores del Estado (ATE) vem articulando greves e protestos.
Até mesmo a Universidade de Buenos Aires (UBA) está com manifestações marcadas para hoje em virtude do congelamento de verbas para manter as atividades.
Em um olhar mais ampliado, a pobreza da Argentina atingiu o maior nível em mais de 20 anos, totalizando 57% da população.
Rodrigo Valdés, diretor do departamento do hemisfério ocidental do FMI, elogiou as reformas do presidente.
Como representante do fundo, o aval do pacote de corte de gastos também pode significar que o órgão estaria disposto a liberar um novo financiamento de US$ 15 bilhões para que Milei possa colocar seus planos em prática.
Mas Valdés ainda afirmou: "devemos manter os esforços para dar apoio aos mais vulneráveis, para que o peso do ajuste não caia desproporcionalmente nas famílias trabalhadoras".
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