Vitória da Eletronuclear: Angra 1 recebe sinal verde para operar por mais 20 anos e bilhões em investimentos
O investimento total será de R$ 3,2 bilhões, com pagamentos de quatro parcelas de R$ 720 milhões nos primeiros quatro anos e um depósito de R$ 320 milhões em 2027

Em sua primeira grande conquista ligada a projetos prioritários, a Eletronuclear acaba de resolver um imbróglio de anos — e recebeu sinal verde para continuar a operar a usina Angra 1 por mais duas décadas.
A companhia obteve a renovação da licença de operação pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) na última quinta-feira (21).
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Em operação desde a década de 1980, a usina estava prestes a ver sua licença para fornecer energia, com prazo de 40 anos, expirar em dezembro deste ano.
Nos termos da aprovação, o novo prazo agora se estenderá até dezembro de 2044.
O investimento total será de R$ 3,2 bilhões. Desse total, os valores serão investidos em quatro parcelas de aproximadamente R$ 720 milhões nos primeiros quatro anos — isto é, até 2026 —, além de um pagamento de R$ 320 milhões em 2027.
Uma vitória de longa data para a Eletronuclear
O processo de extensão da vida útil de Angra 1 teve início em 2019, quando foi oficialmente solicitada a renovação da licença com o apoio do ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira.
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Desde então, a empresa disse ter criado um grupo de trabalho exclusivo para cumprir todas as exigências do órgão regulador e realizar a completa modernização da usina.
A extensão da vida útil de Angra 1 pode ser considerada a primeira grande conquista em relação aos projetos prioritários da companhia, que também trabalha para retomar a construção de Angra 3.
Vale lembrar que o projeto Angra 3 começou em 1980 e até hoje não foi finalizado — e essa última meta depende de decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo, comparou Angra 1 às usinas nos Estados Unidos, com as mesmas características, que já receberam o aval para operar por até 80 anos.
A usina nuclear Angra 1
A primeira usina nuclear brasileira entrou em operação comercial em 1985 com um reator de água pressurizada (PWR), o mais utilizado no mundo.
Com 640 megawatts de potência, o empreendimento entrega energia suficiente para suprir uma cidade de 2 milhões de habitantes e abastece o sistema elétrico nacional 24 horas por dia.
Em 2023, Angra 1 gerou 4,78 milhões de megawatts-hora (MWh). O fator de carga — que representa a energia elétrica líquida realmente entregue ao Sistema Interligado Nacional dividida pela capacidade de Angra 1 — dos últimos cinco anos é de 88,24%. Ou seja, é como se a usina tivesse operado 322 dias por ano em sua capacidade máxima.
A usina Angra 1 foi comprada da empresa americana Westinghouse sob a forma “turn key”, um pacote fechado que não previa transferência de tecnologia por parte dos fornecedores.
No entanto, a Eletronuclear afirma que “a experiência acumulada nos anos de operação comercial”, com indicadores de eficiência acima dos patamares de usinas similares, “permite que a empresa tenha hoje a capacidade de desenvolver um programa contínuo de melhoria tecnológica e incorporar avanços da indústria nuclear”.
*Com informações da Agência Brasil.
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