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Novo CEO fala em transformar Vale em líder no segmento de metais da transição energética, como cobre e níquel; ações sobem após balanço do 3T24
Gustavo Pimenta foi alçado ao cargo de CEO da Vale depois de um processo conturbado de escolha — que ganhou contornos ainda mais pesados devido à desvalorização do minério de ferro e das ações VALE3, um processo acompanhado por uma crise mais profunda do que parece na China.
Foi sob essas tintas carregadas que, na noite de quinta-feira (24), a Vale apresentou os primeiros resultados financeiros sob o comando de Pimenta e, apesar da queda de 15% do lucro entre julho e setembro, o mercado celebrou o desempenho da companhia, catapultando a mineradora às maiores altas do Ibovespa nesta sexta-feira (25).
Pimenta estreou com o pé direito — embora tenha assumido apenas no início de outubro. Além do resultado acima do esperado pelo mercado no período, a Vale também anunciou o acordo definitivo com a Samarco, a BHP e órgãos públicos para reparar o desastre causado pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, em Mariana (MG).
A proposta de R$ 170 bilhões foi detalhada pelo Seu Dinheiro e você pode conferir tudo aqui.
Esse era um dos nós que a gestão de Pimenta precisava desatar — ele ainda tem outros, que incluem a relação com Brasília, depois que o governo não conseguiu emplacar o ex-ministro Guido Mantega como CEO e passou a tecer duras críticas à mineradora.
Nesta sexta-feira (25), Pimenta participou da teleconferência de resultados da companhia como CEO e abriu seu primeiro discurso agradecendo o antecessor, Eduardo Bartolomeo, ao dizer que o executivo “liderou a Vale em um dos períodos mais difíceis da mineradora, colocando-a em uma posição mais forte e mais preparar para um futuro muito maior”.
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Mas quais são os planos do CEO recém-chegado para uma das maiores empresas do País? O Seu Dinheiro separou os principais pontos do plano de Pimenta para a Vale que foi apresentado hoje.
Pimenta fez poucos rodeios e começou dizendo que o objetivo é levar a Vale para a parte inferior da curva de custos — um dado bastante celebrado hoje pelo mercado.
Na quinta-feira (24), a Vale informou que o custo caixa C1 do minério, sem considerar as compras de terceiros, foi de US$ 20,6 a tonelada, uma queda de 6% ante os US$ 21,9 a tonelada no terceiro trimestre de 2023. O guidance para 2024 é de US$ 21,5 a US$ 23 por tonelada.
"Estamos partindo para o nosso sólido progresso para desenvolver a Visão Vale 2030, que pretendemos detalhar no nosso Vale Day, no início de dezembro", disse Pimenta, ressaltando que o movimento parte de três pilares.
“O primeiro pilar é a manutenção do foco em segurança e excelência operacional para melhorar a competitividade; o segundo se refere a um portfólio superior, no qual "vamos acelerar a nossa estratégia de minério ferro premium; e o terceiro é mostrar aos acionistas que a empresa é confiável”, acrescentou.
Segundo o CEO, o objetivo é que a Vale consiga produzir cerca de 350 milhões de toneladas de minério de ferro — dos quais 80% a 90% serão produtos de alta qualidade.
"Temos uma plataforma única de metais básicos com chance de crescimento muito grande", adicionou.
Nos planos de Pimenta também está a transformação da Vale em uma líder no segmento de metais da transição energética, como cobre e níquel. Por isso, a meta de sua gestão é melhorar o mix desses produtos e acelerar o crescimento da produção principalmente de cobre, com custos cada vez menores.
"Reduzimos mais uma vez o guidance do custo all-in do cobre", disse Pimenta, reforçando que prevê entregar o guidance de produção de 2024 no limite superior.
A Vale atualizou as projeções de custo all-in de cobre em 2024 para entre US$ 2.900 e US$ 3.300 por tonelada, de US$ 3.300 a US$ 3.800 estimados anteriormente.
Além do plano de custos e produção, o CEO da Vale disse que a mineradora segue com a meta de eliminar todas as barragens à montante no Brasil.
Neste sentido, ele disse que o acordo oficializado nesta sexta-feira (25) com o governo, de R$ 170 bilhões para reparação dos danos decorrentes da tragédia de Mariana, foi uma solução benéfica para todos.
"O dia de hoje marca capítulo importante da nossa história, com assinatura do acordo, que reforça o compromisso da Vale com a reparação justa. Chegamos a uma solução benéfica para todas as partes. O acordo de Marina confirma que instituições brasileiras são sólidas", afirmou Pimenta.
Se a Vale desatou o nó do acordo final sobre o desastre de Mariana, Pimenta contou que a mineradora está bem perto de resolver uma outra questão importante para a empresa: a renovação das concessões de trens.
As conversas com o governo estão avançando e, segundo o CEO da mineradora, a expectativa é de que haja uma solução para o caso ainda este ano.
“Existem alguns procedimentos jurídicos que precisam ser seguidos, mas tudo indica que até o final do ano a gente consiga resolver essa discussão”, afirmou Pimenta.
O governo cobrava inicialmente R$ 25,7 bilhões pelas concessões. Em maio, a Vale colocou na mesa uma proposta de R$ 16 bilhões e o governo pediu. Nos bastidores, circula a informação de que agora as conversas giram em torno de R$ 20 bilhões.
Pimenta participou a teleconferência acompanhado de outros executivos da Vale e coube ao vice-presidente executivo interino de Soluções de Minério de Ferro da Vale, Rogério Nogueira, a missão de falar sobre a China, a maior consumidora de minério de ferro do mundo.
Nogueira disse que o governo chinês vem tomando medidas para melhorar a confiança dos consumidores — abalada por problemas internos como os do mercado imobiliário.
“O governo chinês tem trabalhado para aumentar a confiança do consumidor com estímulos fiscais e monetários. Com isso, o consumo vai se estabilizar”, disse.
Para ele, a redução do investimento em ativos fixos no setor imobiliário vai ser compensado por investimentos em ativos fixos na indústria manufatureira e na infraestrutura.
“Quando você olha o mercado de minério de ferro, este mercado vai se estabilizar. No mundo, existe uma produção de 1,9 bilhão de toneladas, com a China sendo responsável por mais de 1 bilhão de toneladas em 2024. A expectativa é de que em 2025 sejam esses mesmos números”, disse.
“Se o preço do minério se reduzir ainda mais, muita capacidade de produção vai sair do mercado”, acrescentou.
No terceiro trimestre, o preço realizado de finos de minério de ferro da Vale foi US$ 90,6 a tonelada, uma queda de 14% em 12 meses e recuo de 8% na comparação trimestral.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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