O Dia do Fico na Vale (VALE3): Mineradora mantém CEO e adia plano de sucessão após queda de braço com governo
O impasse sobre o comando da companhia se deu em meio ao desempenho negativo das ações, um reflexo das perspectivas ruins para o minério de ferro e do aumento das dívidas

Em meio a uma queda de braço que envolveu os principais acionistas e o governo, a Vale (VALE3) finalmente definiu que nada muda, por enquanto, no comando da mineradora.
Ou seja, Eduardo de Salles Bartolomeo fica. O mandato do presidente da companhia foi estendido até 31 de dezembro de 2024 e o novo processo de sucessão só deve começar no próximo ano.
O executivo também deve apoiar a transição para a nova liderança no início de 2025. Bartolomeo atuará como advisor da mineradora até 31 de dezembro de 2025.
Até a decisão da última sexta-feira (8), a Vale estava no meio de uma queda de braço envolvendo o comando da empresa. De um lado, a japonesa Mitsui — que detém 6,31% da mineradora — e a Cosan. Do outro, a Previ — com 8,71% — e o Bradesco. No meio, o governo.
Os nomes do ex-CEO da Suzano, Walter Schalka; da Cosan, Luís Guimarães e; o ex-presidente do Banco do Brasil e da Cielo, Paulo Caffarelli, eram cotados para a cadeira de comando da Vale.
No início do ano, até o nome do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi indicado pelo governo, mas a forte penalização pelo mercado, por meio das ações, inviabilizou o processo.
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A escolha pela permanência de Salles acontece em meio a um cenário de pressões políticas e depreciação da ação VALE3 em torno de 14,5% no acumulado de 2024. Pelo mercado, essa solução era vista como a mais viável para o momento da empresa.
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A queda de braço na sucessão da Vale
Havia um impasse entre dois grupos sobre a manutenção de Bartolomeo no comando da Vale — o mandato dele expirava em 26 de maio.
Mitsui e Cosan defendiam a prorrogação do contrato do executivo por cerca de um ano até que o posto fosse assumido por Luís Henrique Guimarães, que foi nomeado conselheiro em abril de 2023 depois de deixar a Cosan.
Já o bloco formado por Previ — o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil — e Bradesco defendiam a substituição de Bartolomeo por um executivo com perfil experiente na gestão de grandes empresas.
- Leia também: Vale (VALE3) na panela de pressão: produção de minério supera projeção em 2023, mas vendas e preços recuam
No meio, o governo
Não bastasse a queda de braço entre os dois grupos na sucessão do CEO da Vale, o governo também vinha tentando emplacar um nome para o comando da mineradora — embora tenha negado diversas vezes as manobras de influência.
Até o final de janeiro, o governo trabalhava nos bastidores para emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, no cargo de presidente da Vale.
A pressão chegou ao ápice com o ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, telefonando para conselheiros a fim de defender o nome de Mantega, segundo fontes próximas do assunto.
O governo, no entanto, acabou recuando e desistindo de tentar emplacar o ex-ministro no cargo de CEO da mineradora.
Só que horas depois, o Ministério dos Transportes notificou a Vale de uma cobrança de R$ 25,7 bilhões em concessões renovadas antecipadamente no fim do governo Jair Bolsonaro.
Os desafios da Vale vão além da sucessão
As ações da Vale entraram 2024 em campo negativo — um desempenho que reflete as perspectivas ruins para a demanda de minério de ferro no mercado externo, especialmente na China.
A mineradora também viu as dívidas subirem com a notificação do governo sobre a cobrança pela renovação antecipada de concessões ferroviárias e também pela condenação pela tragédia de Mariana (MG) — um montante que chega a R$ 70 bilhões.
O surgimento de novos passivos trouxe preocupação para os investidores que acompanham um cenário pouco favorável para a mineradora.
Em 2023, a companhia de maior peso do Ibovespa, encerrou o ano com uma queda de 5,73%, o pior desempenho anual desde 2015.
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