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Micaela Santos

Micaela Santos

É repórter do Seu Dinheiro. Formada pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), já passou pela Época Negócios e Canal Meio.

DESTAQUES DA BOLSA

Ultrapar (UGPA3) dobra lucro no segundo trimestre, mas ações caem forte na B3 após balanço e anúncio de dividendos. O que ‘deu errado’?

A Ultrapar teve lucro líquido de R$ 491 milhões, uma alta de 106%; analistas explicam o que decepcionou o mercado e o que fazer com a ação

Micaela Santos
Micaela Santos
8 de agosto de 2024
13:54
Celular com o logo sa Ultrapar
Ultrapar - Imagem: Shutterstock

Nem o anúncio da distribuição milionária de dividendos foi suficiente para animar os investidores do Grupo Ultra (UGPA3), a Ultrapar, dona das marcas Ultragaz, Ultracargo e Ipiranga.

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Nesta quinta-feira (08), as ações da companhia amargam queda na B3, se destacando entre as maiores baixas da bolsa brasileira. Às 13h25, os papéis caíam 6,28%, a R$ 22,39.

O mercado repercute hoje os resultados do segundo trimestre de 2024 da Ultrapar, que foram divulgados na noite de ontem.

Embora tenha registrado uma alta de 89% no lucro, os analistas do BTG, Itaú BBA e BB Investimentos mantiveram a recomendação equivalente a “neutra” para a ação da Ultrapar, que decepcionou em alguns pontos no balanço trimestral.

Os números da Ultrapar (UGPA3) no segundo trimestre de 2024

Segundo o balanço financeiro, a Ultrapar teve lucro líquido de R$ 491 milhões no segundo trimestre, uma alta de 106% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

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Já a receita líquida da holding do grupo Ultra subiu 9%, para R$ 32,3 bilhões. O Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – subiu 39%, a R$ 1,3 bilhão.

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A companhia foi beneficiada pela melhora da Ipiranga, que vem passando por um um processo de reestruturação com foco em recuperação e rentabilidade.

As receitas da distribuidora de combustíveis cresceram 11%, para R$ 29,4 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 817 milhões,  um crescimento de 76% em termos anuais.

Dinâmica similar ao primeiro trimestre, mas Ipiranga pior do que o esperado

Em um relatório assinado pelo analista de investimentos Daniel Cobucci, o BB Investimentos (BB-BI) destaca que a Ultrapar teve uma dinâmica semelhante ao primeiro trimestre, com bons números na Ultracargo e avanço contido na Ultragaz.

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Entretanto, embora o volume de vendas da Ipiranga tenha aumentado, o analista destaca a  “decepção” com os números da margem do Ebitda recorrente, de R$ 133/m3, 5% menor t/t e também 5% abaixo dos R$ 140/m3 reportados ontem pela concorrente Vibra.

Além disso, houve um aumento nas despesas operacionais, com pessoal, depreciação, frete (maior volume de vendas) e despesas pontuais com mudança de escritório. 

“Do lado positivo, vemos uma continuidade da boa alocação de capital, com boas aquisições que, neste trimestre, se referem à compra de  51,7% de participação da Witzler, companhia que atua na comercialização de energia elétrica no mercado livre”, diz o relatório.

Ainda assim, o BB-BI acredita que os resultados piores do que o esperado da Ipiranga indicam ganho de volumes e perda de margens. Segundo a instituição, isso “pode resultar em ganho de market share, mas às custas de uma rentabilidade menor. 

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O BB-BI manteve a recomendação “Neutra” para UGPA3, com preço-alvo de R$ 20. O valor representa uma queda de 16% em relação ao preço do fechamento anterior, de R$ 23,89.

Para os analistas do Itaú BBA, as margens da Ipiranga também podem decepcionar os investidores que esperavam níveis de lucratividade semelhantes aos do primeiro trimestre.

Mas a instituição também ressaltou que o aumento das despesas, outro ponto negativo do balanço, foi pontual e pode não estar presente nos próximos trimestres.

“Além disso, daqui daqui para frente, as margens devem se beneficiar da perspectiva positiva para o setor no 2S24 [segundo semestre de 2024], incluindo uma melhor dinâmica competitiva e demanda mais forte”, afirmam os analistas, no relatório.

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Embora as perspectivas sejam boas, a recomendação para a ação permanece “market perform”, equivalente à “neutra”, com preço-alvo de R$ 31 para a ação – alta de 30%.

BTG Pactual: reação negativa do mercado era esperada

Por fim, o BTG Pactual fecha o trio de recomendações neutras para as ações da Ultrapar. 

No relatório, os analistas do banco reconheceram que falharam em prever o quão rápido a Ultrapar se recuperaria. “Mas acreditamos que as ações já estão sendo negociadas com prêmios relativos que não são justificados, considerando a falta de visibilidade sobre as vantagens de nossas estimativas e os estágios iniciais de seus planos de crescimento.”

O BTG ressaltou que, no geral, o resultado final do balanço foi bem alinhado às estimativas do banco, embora o Ebitda ajustado tenha ficado 4% abaixo da previsão do BTG. 

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Contudo, esperam uma reação negativa do mercado, uma vez que a Ipiranga mostrou que provavelmente entregará margens baixas em relação às outras marcas do grupo, e “a margem da Ultragaz pode ter atingido o pico”.

O banco manteve recomendação neutra para a ação da Ultrapar, com preço-alvo de R$ 37, uma alta de 55% em relação ao preço do fechamento anterior da ação.

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