Morre Abilio Diniz, empresário que transformou o Pão de Açúcar (PCAR3) em um gigante do varejo
Diniz estava internado para tratar uma pneumonite, mas foi vitimado pela insufiência respiratória decorrente da inflamação pulmonar

O Brasil acaba de perder um dos empresários mais influentes do varejo no país. Abilio Diniz, conhecido por transformar o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) em um gigante do setor e pela atuação no conselho de administração do Carrefour Brasil (CRFB3), faleceu neste domingo (18), aos 87 anos.
Diniz estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratar uma pneumonite, mas foi vitimado pela insufiência respiratória decorrente da inflamação pulmonar.
"O empresário deixa cinco filhos, esposa, netos e bisnetos, e irá ao encontro do seu filho João Paulo, falecido em 2022. Desde já, a família agradece a todas as mensagens de apoio e carinho", diz a nota oficial encaminhada à imprensa.
O executivo, nascido em 28 de dezembro de 1936, era filho do imigrante português Valentim Diniz e de Floripe Diniz. Seus pais fundaram uma doceria chamada Pão de Açúcar, que nasceu para ser o sustento da família e mais tarde viria a transformar-se em um dos maiores conglomerados de varejo alimentar da América do Sul.
Diniz começou a trabalhar no negócio dos pais ainda cedo, participando da rotina da doceira. Mais tarde, após formar-se no curso de administração pela Fundação Getúlio Vargas, encabeçou o lançamento do primeiro supermercado Pão de Açúcar, em São Paulo, no ano de 1959.
De lá para cá liderou a expansão do Grupo — incluindo a abertura de novas lojas e a compra de rivais — e participou da fundação da Associação Brasileira de Supermercados.
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Mas a trajetória de Abilio Diniz não deixou de incluir obstáculos, especialmente durante os anos 80. Em 1989, por exemplo, ele foi sequestrado por criminosos que buscavam resgate, uma experiência traumática que durou sete dias, mas que, segundo ele, contribuiu para uma mudança de perspectiva sobre a vida e o negócio.
Além disso, o empresário enfrentou divergências com os irmãos pela direção da companhia e chegou a se afastar da empresa. A disputa só foi definitivamente encerrada em 1994, com a assinatura de um acordo que garantiu a Diniz o controle do GPA.
A disputa entre Abilio Diniz e o Grupo Casino
Outro embate que marcou ainda mais a carreira do executivo foi com o Casino. O grupo francês chegou a lista de acionistas do Pão de Açúcar em 1999, em uma época na qual a companhia precisava de capital para financiar a operação em crescimento.
O Casino comprou 24,5% dos papéis por US$ 854 milhões, na época. No início, a parceria funcionou e ajudou a fortalecer a posição do Pão de Açúcar no mercado varejista brasileiro, frente a uma concorrência cada vez mais acirrada.
No período, a companhia fez grandes aquisições como a da rede Ponto Frio e 51% da Casas Bahia, empresas que formariam depois o grupo Via Varejo.
Em 2003, no entanto, ele assinou um contrato que viria a provocar sua saída do negócio anos depois. Na ocasião, o Casino aumentou sua participação de 25% para 34%, injetando mais US$ 890 milhões no grupo, mas, em troca, obteve uma promessa de que teria o controle total da empresa a partir de 22 de junho de 2012.
A relação entre Abílio Diniz e o Casino começou a se deteriorar em 2011, quando o empresário tentou fundir o Grupo Pão de Açúcar com a rede varejista Carrefour no Brasil, uma jogada que o Casino viu como uma ameaça ao seu investimento e posição no mercado brasileiro.
O grupo francês argumentou que a tentativa de fusão violava os termos do acordo entre as partes, levando a um conflito aberto e a uma batalha legal e de relações públicas que capturou a atenção do mercado financeiro e da mídia internacional.
O embate teve fim em 2013, quando, após uma série de negociações e disputas legais, o Casino assumiu o controle total do Grupo Pão de Açúcar, forçando Diniz a renunciar à presidência do conselho de administração da companhia.
Últimos anos
O episódio marcou o fim de uma era para Abílio Diniz no varejo brasileiro, mas também o início de um novo capítulo em sua carreira como investidor e conselheiro em outras grandes empresas brasileiras e internacionais.
Uma delas foi a BRF, onde atuou como presidente do conselho de administração e teve mais uma saída tumultada em 2018 após embates com outros acionistas da companhia sob a condução do negócio, especialmente fundos de pensão.
Além da BRF, a Península Participações, empresa de investimentos de sua família, também adquiriu participação acionária no Carrefour Brasil. A fatia rendeu a Diniz uma vaga no conselho da empresa, do qual era atualmente o vice-presidente.
*Texto escrito com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial
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