México pode ser um ‘outro Brasil’ para o Nubank, diz Vélez, CEO do banco digital
Em carta trimestral da gestora Dynamo, o executivo afirma que a renda per capital maior e a população mais jovem são alguns fatores potenciais para a atuação no país mexicano

Após a cotação das ações do Nubank ter dobrado em 2023, o CEO e cofundador do banco digital, David Vélez, considera que o mercado ainda subestima potenciais importantes da operação.
Segundo ele, ainda não recebem o devido valor as possibilidades de geração de receitas da base de clientes, de crescimento no México e a combinação de fatores como a operação digital e a satisfação dos clientes.
De acordo com ele, embora 85 milhões de brasileiros sejam clientes do Nubank e os índices de satisfação (NPS, na sigla em inglês) sejam os mais altos do setor, a participação de mercado do banco digital é relativamente baixa — 14% em cartões de crédito, 6% em crédito pessoal e 3% em depósitos.
"Portanto, nossa oportunidade de ganhar participação em cada uma dessas verticais é gigantesca, e o nosso histórico nos últimos 24 meses registra essa tendência muito clara: ganhamos participação de mercado de forma constante em todas as verticais em que atuamos nos últimos cinco anos", diz Vélez.
O executivo escreveu a carta trimestral da gestora Dynamo, em que alguns executivos foram questionados sobre aquilo que consideram que o mercado deixa de ver nas empresas que comandam.
Segundo ele, um exemplo do potencial de crescimento é a receita média mensal por usuário ativo (ARPAC, em inglês): nos clientes que utilizam o cartão, a conta digital e o crédito pessoal do Nubank, é de US$ 37, enquanto na média da base de clientes, está em US$ 10.
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Ao mesmo tempo, Vélez acredita que o custo para atender a cada um desses clientes deve se manter em cerca de US$ 1 ao mês, dada a eficiência da plataforma da fintech.
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Operações do Nubank no México
No caso do México, o CEO, David Vélez, afirma que o país pode ser "um outro Brasil para o Nubank, embora com um risco de execução significativo (nosso tipo de risco favorito)".
Vélez menciona que embora seja menos populoso que o Brasil, o México tem renda per capita 30% maior, uma população mais jovem e menor presença de serviços bancários no dia a dia dos habitantes.
"Nos últimos três anos, nos tornamos um dos principais emissores de cartões de crédito no México, com mais de 4 milhões de clientes de cartões de crédito e com mais de 1 milhão de clientes abrindo contas de poupança nas primeiras quatro semanas de seu lançamento", diz o CEO do Nubank.
Ele afirma que o crescimento não deve ser linear, mas que em cinco anos, o banco digital está confiante de que se tornará "a empresa mais bem posicionada" para capturar o crescimento do mercado bancário mexicano.
O executivo menciona ainda uma combinação de fatores que, segundo ele, criam espaço para possíveis ganhos não previstos. São eles: a base de clientes exclusivamente digital, a alta satisfação dos clientes e a confiança na marca, a equipe de tecnologia e ciência analítica, uma cultura forte e "uma das mais sofisticadas infraestruturas de análise de dados da América Latina".
Ao longo do ano passado, o mercado reavaliou o Nubank diante da perspectiva de início da queda dos juros no Brasil, com investidores apostando que a fintech será uma das principais beneficiárias.
Também entrou na conta a chegada da fintech ao lucro, mesmo diante de um cenário de juros altos e inadimplência subindo no crédito para pessoas físicas.
Entretanto, os fatores mencionados por Vélez têm sido citados por algumas casas.
Em outubro, o Morgan Stanley afirmou que o Nubank pode chegar a um valor de mercado de US$ 100 bilhões até 2026 graças às oportunidades de venda cruzada no Brasil e de crescimento das operações do México e da Colômbia.
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Vélez: um dos CEOs do ano
Em dezembro, o cofundador do banco digital, David Vélez, foi considerado um dos cinco melhores CEOs do mundo pela The Economist.
A revista britânica destaca que o Nubank tem sido rentável na América Latina, fazendo frente aos grandes bancos tradicionais. O neobanco é a quinta maior instituição financeira da região.
Por outro lado, há um desafio ainda a ser superado: a atuação no México. Para a revista, a estratégia de focar em pessoas que não possuem conta bancária no país é “dispendiosa”.
Mas, se o cenário se reverter nos próximos anos, a The Economist afirma que Veléz “poderá reivindicar o prêmio” de melhor CEO do ano.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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