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Durante teleconferência com analistas, o CEO do Magalu afirmou que existem três oportunidades na varejista que ainda não foram contempladas pelo mercado
Um dos balanços mais aguardados da safra do quarto trimestre de 2023 veio a público na noite da última segunda-feira (18): o do Magazine Luiza (MGLU3), que representou “um momento simbólico e de virada de resultados” para a varejista, na visão do CEO Fred Trajano.
“Depois da pandemia, com o contexto macroeconômico com aumento de juros e impostos, nós enfrentamos uma realidade muito dura e em dois anos não apresentamos resultado. Estabelecemos um foco absoluto em fazer a companhia retomar a lucratividade, que foi exatamente o que a gente entregou no quarto trimestre”, disse Trajano, durante conferência de resultado na manhã desta terça-feira (19).
Vale lembrar que a empresa registrou um lucro líquido ajustado de R$ 101,5 milhões no período, uma reversão do prejuízo de R$ 15,1 milhões visto no mesmo intervalo de 2022. O número superou as expectativas do mercado, cuja média das estimativas chegava a R$ 40,5 milhões, de acordo com dados da Bloomberg.
No entanto, mesmo com o resultado melhor que o esperado, os participantes do mercado não “compraram” a versão de “virada” da varejista. Ou pelo menos não por enquanto.
Hoje, as ações do Magalu caem forte na bolsa brasileira nas primeiras horas do pregão, devolvendo parte dos ganhos expressivos da última sessão.
Os papéis MGLU3 fecharam em queda de 6,19% na B3, negociados a R$ 1,97. Confira a cobertura de mercados em tempo real do Seu Dinheiro aqui.*
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Talvez seja apenas um movimento de realização de lucros. MGLU3 encontra-se mais de 50% acima das mínimas em 12 meses, registradas em outubro.
O fato é que os analistas receberam positivamente o resultado do Magalu no quarto trimestre de 2023.
O Itaú BBA avalia o balanço do Magazine Luiza no quarto trimestre de 2023 como positivo, especialmente pela rentabilidade melhor do que o esperado no período.
“A melhora no 4T23 e as melhores perspectivas para o crédito futuro provavelmente impulsionarão a história de curto prazo da empresa”, disse o banco, em relatório.
Os analistas ainda destacam a geração de caixa de aproximadamente R$ 500 milhões a varejista no último trimestre do ano passado, que foi considerada “a melhor em muito tempo”.
Por sua vez, o Santander afirma que a unidade financeira de crédito do Magazine Luiza, a Luizacred, surpreendeu no quarto trimestre, que gerou um lucro líquido de R$18 milhões, contra a expectativa de resultado negativo dos analistas.
Na avaliação do BTG Pactual, o resultado do Magazine Luiza no último trimestre de 2023 mostrou “brotos verdes em um ano desafiador” para o setor de varejo digital (e-commerce).
Para os analistas, a margem bruta do período, que chegou a 30,3% no fim de dezembro, foi o destaque do resultado devido a maiores receitas de serviços e a uma conduta mais racional da varejista no trimestre.
A perspectiva do banco é de um aumento na rentabilidade e queda nas despesas nos próximos trimestres de 2024, apesar da visão ainda conservadora para o volume geral de vendas (GMV).
“Para os próximos trimestres, o Magalu deverá se beneficiar da abordagem mais racional de taxas de juros e de seu modelo de negócios multicanal para alavancar a operação de marketplace”, escreveram os analistas, em relatório.
Para o JP Morgan, o GMV foi pressionado pela queda anual de 8% nas vendas do segmento 1P — de e-commerce com estoque próprio —, que ainda sofre os efeitos de uma base de comparação forte pela Copa do Mundo no ano passado e da escolha do Magalu de priorizar a lucratividade em detrimento ao crescimento durante a Black Friday.
Segundo os analistas, o resultado do Magalu no 4T23 aponta para “melhorias contínuas nas margens no primeiro trimestre de 2024”, apoiadas por uma combinação de melhor crescimento nas lojas físicas e margem comercial, enquanto o capital de giro continua a melhorar.
Para Fred Trajano, existem três oportunidades no Magazine Luiza que ainda não estão inseridas nas projeções do mercado e que podem destravar valor para as ações MGLU3 nos próximos anos.
"Cloud, fintech e advertising [anúncios] são avenidas para monetização que não estão contempladas nas projeções da maior parte dos analistas", disse o CEO, em teleconferência.
Para o Magalu Ads, o executivo acredita que existe uma grande oportunidade de monetização das 500 milhões de visitas mensais.
“Boa parte dos nossos esforços e capex [investimentos] vão estar em desenvolver a plataforma para anunciantes. Temos certeza que o Ads vai contribuir de forma significativa para o nosso Ebitda dos próximos anos e temos certeza de que isso não está contemplado nas projeções de consenso de mercado.”
Já do lado da Fintech Magalu, que reúne tecnologias e soluções financeiras como o MagaluPay e a Luizacred para clientes e vendedores (sellers), a expectativa é de monetização de produtos financeiros nos canais digitais e físicos.
Além das perspectivas positivas para a Luizacred devido à redução de funding (financiamento) e inadimplência, o Magalu pretende lançar um novo método de pagamento no início do segundo semestre de 2024: o CDC Digital.
“O segundo semestre promete bastante”, afirmou Carlos Mauad, CEO da operação de fintech da varejista, o MagaluBank.
Por sua vez, o Magalu Cloud, vertical do Magazine Luiza que oferece serviços de computação em nuvem e é considerada a primeira cloud brasileira com escala global, pretende lançar seus três primeiros produtos já no mês que vem.
"A gente espera estar em um nível de maturidade no meio de 2025 ou começo de 2026", disse o diretor de plataformas da empresa, André Fatala, durante a teleconferência.
Atualmente, cerca de 30% das operações do Magazine Luiza já estão na Cloud. Além disso, a unidade já possui 74 clientes externos selecionados para experimentar os serviços de digitalização de pequenas e médias empresas.
*Matéria atualizada para incluir a cotação de fechamento das ações do Magazine Luiza
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