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Os papéis da resseguradora lideram as perdas do Ibovespa nesta quarta-feira (28) e já chegaram a entrar em leilão duas vezes
Todo mês o IRB Re divulga resultados e a cada um deles, os investidores comemoram: a resseguradora parece estar deixando o pior para trás.
Depois da descoberta de fraudes contábeis e de um episódio envolvendo a Berkshire Hathaway, a holding do bilionário Warren Buffett, os resultados do IRB se recuperaram e as ações também — em um ano, os papéis acumulam ganho de mais de 100%.
Nesta quarta-feira (28), o IRB mais uma vez apresentou o balanço e, de novo, a resseguradora conseguiu reverter um prejuízo em lucro — um motivo para o mercado comemorar, certo?
Mas não é o que está acontecendo. As ações da companhia lideram as perdas do Ibovespa, recuando mais de 4%, depois de passarem por dois leilões por oscilação máxima permitida. Acompanhe nossa cobertura ao vivo dos mercados.
Antes de entender as razões para a queda das ações, é preciso dar uma olhada nos resultados do IRB.
A resseguradora encerrou o ano de 2023 com lucro líquido de R$ 114,229 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 630,341 milhões registrado em 2022.
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Esse resultado segue a norma contábil adotada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão que regula o setor de seguros e resseguros.
Leia também: Ação do IRB despenca após gestora Squadra apontar ‘disparidade’ em resultado
A divulgação oficial do IRB será no final de março, com os números elaborados pela norma contábil IFRS, que foi adotada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para todas as empresas de capital aberto brasileiras.
Segundo o IRB, a Susep ainda não recepcionou o IFRS, ou seja, não estabeleceu os parâmetros que as empresas reguladas devem adotar para elaborar os balanços sob a regra, por isso a resseguradora optou por apresentar as duas versões.
Outras empresas reguladas também têm feito os balanços considerando as duas normas, justamente pela ausência de recepção do IFRS pela Susep.
Embora tenha revertido o prejuízo em lucro, outras linhas do balanço do IRB preocuparam os investidores — por isso as ações da resseguradora apanham hoje.
O IRB, por exemplo, observou uma queda de 42% no volume de pedidos de indenização em relação a 2022, para R$ 3,925 bilhões.
Com isso, a emissão de prêmios, ou seja, a arrecadação com resseguros, caiu 19% em um ano, para R$ 5,690 bilhões.
O resultado financeiro do IRB também recuou (-3%) em um ano, para R$ 426,138 milhões. Os ativos da resseguradora baixaram 10% na mesma base de comparação, para R$ 20,801 bilhões, embora o patrimônio líquido tenha aumentado 3,5%, para 4,216 bilhões.
Por volta de 12h35, as ações IRBR3 caíam 3,66%, a R$ 39,78 — a maior queda do Ibovespa.
Diante dos resultados e da reação do mercado, muito investidor pode ficar em dúvida sobre comprar ou vender as ações do IRB.
O Citi manteve a recomendação neutra para os papéis da resseguradora, com preço-alvo de R$ 44, o que representa um potencial de valorização de 6,5% em relação ao fechamento de terça-feira (27).
"Embora a desaceleração sequencial deva colocar a ação sob alguma pressão por enquanto, a entrega contínua de resultados no azul corrobora a ideia de que o pior já passou - especialmente quando se trata de preocupações com a suficiência de capital", diz o Citi em relatório.
Já o JP Morgan reafirmou a recomendação de venda das ações IRBR3 baseado na combinação do que o banco considera uma avaliação dispendiosa e potenciais ventos contrários este ano provenientes de resultados financeiros e rurais mais baixos.
A produção superou em 0,5 ponto porcentual o limite do guidance da estatal, que previa crescimento de até 4%. O volume representa alta de 11% em relação a 2024.
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