“Estamos absolutamente prontos para abrir capital”, diz CEO do BV após banco registrar lucro recorde no 3T24
O BV reportou um lucro líquido de R$ 496 milhões no terceiro trimestre de 2024, um recorde para a instituição em apenas três meses

A bolsa brasileira não registra uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) desde 2021. Desde então, está difícil achar quem esteja otimista com qualquer chance de um espaço para novas aberturas de capital. Mas, para o CEO do banco BV, Gabriel Ferreira, é preciso pensar em algo além desse pessimismo.
E não é difícil entender o porquê: o BV reportou um lucro líquido recorrente de R$ 496 milhões no terceiro trimestre de 2024, um recorde para a instituição em apenas três meses. A cifra é 73,8% superior à do mesmo período do ano passado.
Assim, o retorno sobre patrimônio (ROE, em inglês) foi de 15% no período, aumento de 6 pontos percentuais (p.p.) na comparação com o terceiro trimestre do ano anterior.
Sobre a abertura de capital, Ferreira diz que desde o começo da pandemia já estavam prontos para realizar o IPO, adorando práticas de transparência e gestão compatíveis com empresas com ações na B3.
“Só estamos esperando uma janela de mercado, mas não dá para controlar ele em transições como as de um IPO”, afirma o CEO da instituição controlada pelo Banco do Brasil e pela família Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim.
Veja a seguir os principais números do balanço:
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| Indicador | 3T24 | Var%(t/t) | Var%(a/a) |
| Lucro Líquido Recorrente | R$ 496 milhões | 36,60% | 73,80% |
| Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) | 15,00% | 3,8 p.p. | 6,0 p.p. |
| Inadimplência | 4,40% | -0,1 p.p. | -1,1 p.p. |
| Carteira de Crédito Total | R$ 90,394 bilhões | 2,60% | 6% |
| Custo de Crédito | R$ 1,002 bilhão | 15,20% | -12,70% |
BV precisa do IPO — ou é o contrário?
O CEO do BV afirma que não busca na abertura de capital uma vertical de financiamento das suas operações, como é de costume para as empresas que procuram fazer um IPO.
Ferreira diz que, em valores da época, o IPO movimentaria cerca de R$ 5 bilhões, gerando um caixa de R$ 1 bilhão. “Só a carteira de crédito do BV é de R$ 90 bilhões”, compara.
Ainda que do lado do banco as coisas estejam bem, o cenário macroeconômico não inspira muita confiança. Isso porque os juros mais altos devem pressionar as operações de todas as empresas brasileiras — e a perspectiva de um cenário de dólar alto também não corrobora para um IPO ainda em 2025.
Porém, Ferreira olha também outras métricas para manter relativo otimismo frente ao cenário global. O setor bancário tem apresentado resultados bastante atrativos nos últimos meses, o que se reflete em balanços bastante positivos dos maiores bancos brasileiros.
Por último, o CEO do BV ressalta que os juros altos inspiram, sim, cautela. No entanto, a perspectiva não é exatamente de uma crise no curto prazo. “A gente trabalha com uma inflação ancorada. O emprego e a renda disponíveis também são interessantes no momento, mas o panorama pode se agravar no futuro com a trajetória do juro alto por mais tempo.”
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A estratégia para o futuro
A estratégia que o banco tem adotado desde 2018 é de uma combinação entre a inovação das fintechs e a solidez dos grandes bancos.
“Mais de 90% do crédito da pessoa física é com garantia, com carro, consignado, etc. Não temos apetite de desguarnecer o balanço em prol de um resultado de curto prazo”, afirma Ronaldo Helpe, CFO do BV.
Os executivos concordam que os grandes bancos e as fintechs encontraram seus nichos de atuação, algo que deve ser cada vez mais comum no futuro.
Atualmente,o BV é líder no segmento de financiamento de energia solar, bem como no empréstimo com garantia de veículo, com um portfólio de R$ 4,3 bilhões e R$ 3,8 bilhões respectivamente. No segmento de pessoa física, o banco atingiu a marca de 6,1 milhões de clientes, um recorde para a instituição.
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