Como o Mercado Livre (MELI34) pretende enfrentar o Nubank em disputa pelo mercado do México
O Mercado Pago está em busca de uma licença bancária para se estabelecer como “o maior banco digital do México”, em uma briga direta com o Nu

Dois gigantes do setor financeiro acabam de anunciar uma “lucha libre” pelo mercado mexicano. O Mercado Livre (MELI34) informou nesta terça-feira (21) que a fintech Mercado Pago agora está em busca de uma licença bancária para se estabelecer como “o maior banco digital do México” — em uma disputa direta com o Nubank (ROXO34).
Vale lembrar que o roxinho entrou com pedido de licença bancária por lá em outubro do ano passado, sendo o México o primeiro país onde o Nu será, efetivamente, um banco.
O objetivo do Mercado Pago é se “tornar oficialmente um banco”, após dois anos atuando sob a licença de Instituição de Fundos de Pagamento Eletrônico (IFPE), usada por fintechs para oferecer uma cartela de produtos financeiros como cartão de crédito.
“Hoje oferecemos serviços semelhantes aos dos bancos tradicionais de forma digital, inclusiva e eficiente. Nossos milhões de usuários nos veem como seu banco digital. Agora queremos formalizar isso e nos tornar o maior banco 100% digital do México”, afirmou Pedro Rivas, gerente geral do Mercado Pago, em nota.
Atualmente, a plataforma oferece cartões de débito Mastercard e cartões de crédito Visa, além de disponibilizar taxas de rendimento diárias sobre o saldo disponível na conta digital e oferecer empréstimos e financiamentos pessoais para pequenas e médias empresas (PMEs).
Uma licença bancária permitiria que a empresa recebesse depósitos de folha de pagamento e ainda eliminaria um limite para os valores retidos. Além disso, o título de banco ainda aceleraria o processo de aprovação e emissão de cartões de crédito.
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“Queremos evoluir para ter um impacto maior no sistema bancário digital do México”, afirmou Rivas. “Estamos entusiasmados por iniciar este processo com os reguladores porque temos a infra-estrutura tecnológica para chegar onde os bancos tradicionais não conseguiam antes. Os serviços bancários devem ser acessíveis a todos e pretendemos nos tornar o banco digital para todos os mexicanos.”
De acordo com o comunicado, as reuniões do Mercado Livre com os órgãos reguladores do México já começaram. A expectativa é que os representantes do Mercado Pago apresentem formalmente o pedido nos próximos meses.
A empresa deve entrar com o processo com a Comissão Nacional Bancária e de Valores Mobiliários (CNBV) do México para operar como uma Instituição Bancária Múltipla no país.
Segundo a companhia, o processo não impactará o funcionamento atual da conta digital do Mercado Pago.
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Lucha libre: Mercado Livre vs. Nubank
O anúncio do Mercado Livre sobre o objetivo de se tornar o principal banco digital do México vem na esteira dos planos do Nubank, que listou a conquista do mercado mexicano como uma das grandes apostas para 2024.
De acordo com o CEO David Vélez, agora é hora de provar que o modelo de negócios do banco digital pode ser replicado no México e na Colômbia, que vêm apresentando desempenhos acima do esperado, conforme destacado no balanço do primeiro trimestre.
Os resultados da fintech no 1T24 deram luz ao ímpeto das operações do banco digital no México. O Nu registrou a adição de 1,5 milhão de clientes no México nos três primeiros meses deste ano, para um total de quase 7 milhões de clientes por lá, em uma participação de mercado de cerca de 5,1%.
Do ponto de vista das receitas estimadas da indústria de serviços financeiros de varejo, por exemplo, o Nubank tem apenas 4% da fatia do mercado no Brasil e menos de 1% no México e na Colômbia — ou seja, tem muito espaço para crescer.
Em janeiro, o cofundador do Nubank afirmou que o país pode ser "um outro Brasil para o Nu”, ainda que possua um “risco de execução significativo”.
Na época, Vélez disse que, embora seja menos populoso que o Brasil, o México tem renda per capita 30% maior, uma população mais jovem e menor presença de serviços bancários no dia a dia dos habitantes.
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Oportunidades e desafios no México
Na avaliação da Ativa Investimentos, a busca do Mercado Livre por uma licença bancária para o Mercado Pago no México é positiva, uma vez que o país hoje representa 22% da receita total do Meli e 19% da receita da fintech.
“A empresa poderá aumentar seu leque de produtos, diversificando também suas receitas por geografia, além de ter muito espaço para crescimento no país”, afirmaram os analistas.
Segundo a corretora, com o título de banco, o Mercado Pago ainda poderá intensificar a competitividade com o Nubank com os produtos bancários ofertados no México.
De acordo com o BTG Pactual, existe uma procura crescente por parte de investidores para encontrar novas formas de investir no México — especialmente diante do sucesso do Mercado Livre no país nos últimos anos e o fato de o Nubank ter feito da região uma de suas principais prioridades para 2024.
Porém, para os analistas, ainda que as oportunidades futuras no mercado mexicano sejam grandes, ainda há riscos no radar — especialmente no que diz respeito ao ritmo lento das mudanças regulatórias.
Segundo o banco, é preciso que o país latino-americano acelere as reformas na frente regulatória para “não perder a oportunidade que tem pela frente”.
O BTG disse ter tido uma “reunião muito encorajadora” com o secretário do Ministério da Fazenda do México, Gabriel Yorio, que afirmou que o ministério está trabalhando na implementação de uma agenda favorável ao mercado com reformas para melhorar o ambiente de negócios.
Na visão do banco, além de a regulamentação no Brasil ser mais “pró-concorrência” do que no México, o sucesso do Pix “mudou o jogo” em termos de uso bancário no Brasil, enquanto o CoDi (a versão mexicana do Pix) ainda não decolou por lá.
Além disso, os analistas avaliam que a penetração dos cartões de crédito no México é “baixa e pode levar algum tempo para melhorar” — enquanto o dinheiro “ainda é praticamente rei no México”.
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