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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

FOCO NO VAREJO

Depois de lucro ‘milagroso’ no 2T24, Casas Bahia (BHIA3) volta ao prejuízo no 3T24 — e não foi por causa das lojas físicas

O retorno a uma era de ouro de lucratividade da Casas Bahia parece ainda distante, mesmo depois do breve milagre do trimestre anterior

Camille Lima
Camille Lima
14 de novembro de 2024
7:45 - atualizado às 10:31
Loja das Casas Bahia, empresa da Via (VIIA3)
Loja das Casas Bahia - Imagem: Divulgação

A era de ouro de lucratividade da Casas Bahia (BHIA3) parece ainda distante. Depois de experimentar um breve milagre do lucro no 2T24, a varejista voltou à “normalidade” com mais um balanço no vermelho no terceiro trimestre de 2024.

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A empresa comandada por Renato Franklin registrou prejuízo líquido de R$ 369 milhões entre julho e setembro, uma melhora de 55,9% em relação às perdas apresentadas no mesmo período de 2023.

O montante veio ligeiramente acima das expectativas dos analistas, que previam perdas da ordem de R$ 364,8 milhões, de acordo com perspectivas compiladas pelo consenso Bloomberg.

É preciso lembrar que a empresa surpreendeu o mercado no trimestre anterior com um resultado líquido positivo — mas a cifra deu-se por um efeito não recorrente do reperfilamento de dívidas do grupo

Desde o ano passado, a Casas Bahia encontra-se em uma missão hercúlea de colocar a casa em ordem e voltar a ganhar mercado em meio a altas taxas de juros.

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A Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial no fim de abril, quando fechou acordo com os credores para equacionar em torno de R$ 4,1 bilhões em dívidas.

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No entanto, as ações BHIA3 vêm sendo penalizadas na bolsa em meio ao processo de reestruturação financeira. A varejista já perdeu mais da metade do valor de mercado apenas neste ano, com desvalorização acumulada de 64,11%, de acordo com o Tradingview.

Outros destaques do balanço da Casas Bahia (BHIA3) no 3T24

A receita líquida de Casas Bahia recuou 2,9% no comparativo anual, encerrando o terceiro trimestre a R$ 6,399 bilhões. Ainda assim, a cifra veio acima das estimativas, de R$ 6,29 bilhões.

A varejista continuou a sentir a pressão do processo de reestruturação e dos juros altos no faturamento. 

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Vale lembrar que a Casas Bahia decidiu abandonar categorias e canais não lucrativos para focar naquilo que é rentável, como móveis e eletrodomésticos. No entanto, a Selic elevada encarece o crédito e afeta diretamente a compra de bens duráveis, que são o pilar da nova estratégia da empresa.

Por sua vez, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado — indicador usado pelo mercado para mensurar o potencial de geração de caixa de uma empresa — somou R$ 491 milhões entre julho e setembro, uma alta em relação ao prejuízo de R$ 66 milhões, registrado em igual intervalo de 2023. 

A alavancagem, mensurada pela relação entre caixa líquido sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, foi positiva em 0,8 vez.

O GMV (volume bruto de mercadorias) total chegou a R$ 9,658 bilhões no terceiro trimestre de 2024, recuo de 1,6% ante o mesmo período do ano passado.

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A força das lojas físicas

Apesar do conjunto mais fraco de resultados, a varejista registrou uma importante recuperação nas vendas de lojas físicas no terceiro trimestre. O GMV do canal físico chegou a R$ 5,878 bilhões, alta de 4,6% na base anual.

No entanto, a aceleração das vendas veio acompanhada de uma maior concessão de crédito pela companhia, especialmente do lado do carnê (CDC).

No terceiro trimestre, a carteira do crediário cresceu 7,5% no comparativo com igual período de 2023, a R$ 5,7 bilhões. 

Na avaliação da Genial Investimentos, essa estratégia liga um alerta amarelo para o futuro da varejista devido ao maior risco em caso de inadimplência.

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“Esse risco pode ser bem recompensado, no cenário no qual a inadimplência segue controlada e a provisão realizada é suficiente para lidar com a qualidade da carteira de crédito, ou pode ser um “tiro no próprio pé”, no cenário onde o cenário macroeconômico piore e a inadimplência de pessoas físicas volte a subir, custando maiores provisões e impactando negativamente a rentabilidade da companhia no médio prazo”, projetaram os analistas.

Nesse cenário estressado, a companhia estaria sacrificando a rentabilidade de médio prazo em detrimento de melhorar o faturamento de curto prazo.

E mesmo de olho no curto prazo, esse aumento da carteira de crédito traz consequências para a varejista, com pressão na margem líquida e dificuldade em apresentar maiores ganhos operacionais no trimestre.

De olho no digital

Do lado do e-commerce, o volume bruto de mercadorias recuou 9,9% frente ao terceiro trimestre do ano anterior, para R$ 3,8 bilhões.

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O número foi impactado pelo desempenho do canal 1P — vendas diretas de mercadoria própria online —, que encolheu 22,8%, e pelo ambiente macroeconômico. 

Já o segmento 3P, de produtos vendidos por terceiros, houve um crescimento de 24,1% no período.

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