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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

URGENTE

Crise na Americanas (AMER3): Ex-CEO Miguel Gutierrez é preso em Madri, em novo capítulo da investigação sobre fraude bilionária na varejista

Investigado pela Operação Disclosure da PF, Gutiérrez tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça desde a última quinta-feira

Camille Lima
Camille Lima
28 de junho de 2024
10:45 - atualizado às 9:45
Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, em montagem ao lado de loja da rede
Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, em montagem ao lado de loja da rede - Imagem: Montagem Brenda Silva

Um dos principais alvos da investigação da Polícia Federal sobre a fraude na Americanas (AMER3), o ex-CEO Miguel Gutierrez foi preso nesta sexta-feira (28) em Madri, na Espanha. 

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A informação foi dada pela primeira vez pelo jornal O Globo. Procurada pelo Seu Dinheiro, a PF confirmou a prisão do executivo.

Investigado pela Operação Disclosure, Gutierrez tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça desde a última quinta-feira (27) e era considerado foragido.

A PF chegou a incluir os nomes do executivo e da ex-diretora da varejista, Anna Christina Ramos Saicali, na Difusão Vermelha da Interpol — a lista dos mais procurados — após o mandado não ser cumprido.

"A prisão do ex-CEO da empresa Americanas S.A., que era alvo de mandado de prisão preventiva, foi efetuada pela Interpol e é resultado de cooperação internacional iniciada no Núcleo de Cooperação Internacional da PF no Rio de Janeiro (NCI/Interpol/RJ), após a inclusão de seu nome na lista de Difusão Vermelha", escreveu a PF, em nota à imprensa.

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As acusações contra o antigo presidente da Americanas incluem uso de informações privilegiadas (insider trading) e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro por “ocultação patrimonial”.

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De acordo com a Folha de S. Paulo, Gutierrez teria vendido bens como imóveis e automóveis e enviado o dinheiro para o exterior, para offshores em paraísos fiscais, antes de deixar o Brasil. 

Além disso, segundo a investigação da Polícia Federal, o ex-CEO e outros funcionários da Americanas venderam R$ 287 milhões em ações antes do anúncio do rombo de R$ 25,3 bilhões no balanço da empresa devido a "inconsistências contábeis", em janeiro do ano passado.

A descoberta levou ao enquadramento dos ex-executivos por crime de uso de informações privilegiadas, além de outros delitos sob suspeita na Operação Disclosure.

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Relembre o caso na Americanas (AMER3)

A Americanas (AMER3) protagonizou o maior escândalo da história do mercado de capitais no Brasil.

Em janeiro do ano passado, a varejista entrou com um pedido de recuperação judicial diante do agravamento da situação financeira da companhia. 

À época, a empresa comandada pelo famoso trio de empresários formado por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles somava dívidas no valor de R$ 43 bilhões com bancos e fornecedores, além de questões trabalhistas.

Após adiar várias vezes seu balanço, foram confirmadas fraudes na casa das dezenas de bilhões de reais. Em relação a 2021, o “maior lucro da história” da Americanas converteu-se em um prejuízo líquido de R$ 6,237 bilhões.

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E o prejuízo da varejista mais do que dobrou em 2022. A Americanas fechou aquele ano com R$ 12,912 bilhões no vermelho.

Já a fraude contábil foi estimada em R$ 25,2 bilhões, muito próximo do rombo calculado quando a Americanas admitiu que o episódio ia muito além de "inconsistências contábeis".

*Conteúdo em atualização

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