44% de upside e dividendos à vista: BTG vê ‘nova era’ na Sabesp (SBSP3) e retoma cobertura com recomendação de compra
Banco entende que privatização vai trazer ganhos em ao menos cinco frentes para a companhia

Após encerrar a participação como coordenador-líder do processo de privatização da Sabesp (SBSP3), o BTG Pactual retomou a cobertura da ação, com tom extremamente otimista e forte recomendação de compra.
Em relatório divulgado na quarta-feira (7), às vésperas do balanço da companhia de saneamento, o banco avaliou que “a privatização impulsiona a Sabesp rumo a uma nova era”.
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“Após atualizar nosso modelo com o novo quadro regulatório e os potenciais ganhos de eficiência da privatização, retomamos a cobertura da Sabesp com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 132 por ação”, diz o documento.
O valuation apurado pelo BTG implica em um upside de aproximadamente 44% no preço de SBSP3, hoje (8) negociada na casa dos R$ 92.
No entendimento do banco, apesar da alta de 28% das ações desde o dia 20 de junho, o preço ainda não reflete o potencial da empresa que detém a maior concessão de saneamento do país e a única companhia privada do setor listada em bolsa.
BTG: os cinco ‘aquedutos’ de valorização para a Sabesp
Na análise, o BTG destrinchou cinco canais que devem colaborar com uma boa performance da Sabesp nos próximos anos:
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- A expansão já contratada, em função da obrigatoriedade de investir R$ 70 bilhões nos próximos cinco anos, para universalizar o acesso ao saneamento básico;
- Os ganhos de eficiência, agilidade e transparência da privatização;
- Maior previsibilidade regulatória no setor e aceite de 371 municípios paulistas;
- Empresa pode se tornar um importante player ESG, em especial com a expertise da Equatorial, acionista de referência;
- Possibilidade de expansão no Brasil, cuja oferta de saneamento é precária — e junto a isso, a possibilidade de se transformar em uma grande distribuidora de dividendos.
Ganha-ganha
O banco ainda ressalta que a privatização da Sabesp é um caso em que todas as partes envolvidas saem ganhando.
Por um lado, o governo do estado de São Paulo, além do ganho em caixa, cria condições para expandir o acesso da população a serviços de água e esgoto. Por outro, os consumidores podem esperar uma melhora nos serviços sem grandes impactos na conta.
Na frente dos investidores, a Equatorial abre uma avenida no setor de saneamento, enquanto os minoritários, além de se beneficiarem de um potencial de alta, têm a reputação do acionista de referência como trunfo na condução da companhia.
Como foi a privatização da Sabesp
O processo de desestatização da Sabesp, aguardado ansiosamente pelo mercado, foi completado em julho.
A oferta, totalmente secundária, envolvia 32,3% das ações da companhia, pelas quais o governo de SP arrecadou R$ 14,8 bilhões e reduziu sua fatia de 50,3% para 18% do capital.
O processo ocorreu em duas fases: a primeira para buscar um investidor de referência, tanto para balizar os preços como para traçar responsabilidades, e a outra via bookbuilding.
A Equatorial adquiriu 15% da companhia, pagando R$ 67 por ação — e ajudou a impulsionar os preços antes da segunda fase da oferta, o que criou uma enorme oportunidade para os investidores em geral.
Com a ação hoje negociada a R$ 92, a divisão do capital da companhia está desta maneira:
- Free float: 67%;
- Governo de SP: 18%;
- Equatorial: 15%
Na noite desta quinta-feira (8), a Sabesp divulga o balanço do segundo trimestre, o último com resultados ainda anteriores ao processo de privatização.
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