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Neste início de ano, mercado volta a considerar a hipótese de uma guinada do presidente Lula para a extrema esquerda, mas precisamos guardar as preferências ideológicas no bolso de trás da calça
Entre o fim de 2022 e o início de 2023, o mercado passou a considerar com mais seriedade a hipótese de um Lula rancoroso, avesso à responsabilidade fiscal, e guinando definitivamente para a extrema esquerda.
Mais tarde, e com o trabalho seguro feito por Haddad, viríamos a saber que aquelas preocupações eram exageradas.
Até aquele momento, porém, imperava a dúvida. Posições valiosas em Bolsa foram desmontadas, em troca de mais proteções.
Neste novo início de ano, acontece algo parecido, e com bons motivos (sempre existirão motivos para aqueles que sabem procurá-los).
De repente, surge esse papo de que o Governo quer colocar Guido Mantega na Vale. Ele teria credenciais para tanto, visto que foi o ministro da Fazenda mais longevo da história brasileira.
E surge também o fato de que a Petrobras de Jean Paul quer ressuscitar Abreu & Lima, já que nenhum custo deve ser sacramentado como irrecuperável antes que o dinheiro acabe.
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Para completar, uma "nova" política industrial permitirá que o BNDES assine um cheque de R$ 300 bilhões, voltando a ter o papel que lhe cabe no desenvolvimentismo.
Desta vez, Mercadante garantiu que não serão escolhidos os campeões nacionais. Portanto, minha amada Ponte Preta enfim terá uma chance de trocar sua dívida cara por passivos muito mais convenientes.
Todos esses boatos e fatos incomodam muito, mas precisamos guardar as preferências ideológicas no bolso de trás da calça para podermos avaliá-los com a devida sobriedade.
Embora fosse melhor deixar Abreu & Lima enterrada, seu capex marginal não é mais tão relevante face à atual geração de caixa de Petrobras.
Um Mantega aposentado é preferível a um Mantega conselheiro da Vale (cujos conselhos sejam ignorados), que, por sua vez, é mil vezes preferível ao Mantega CEO.
E tudo indica que nem o próprio Lula gostou do plano industrial, por evocar as reminiscências de uma ferida aberta chamada Dilma Rousseff.
Aliás, conforme vimos durante a gestão Dilma (vide "Fim do Brasil"), o esquerdismo radical custa caríssimo aos nossos bolsos.
Contudo, o medo de comunistas pode custar tanto quanto, ou até mais.
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