Post acalorado no LinkedIn: será que vale a pena desabafar sobre sua demissão?
Antes de partir para uma análise, quero compartilhar meu mapa mental, que pode guiar sua decisão de postar (ou não) o seu "textão"

Ana teve uma ótima trajetória na empresa. Infelizmente, foi uma das pessoas na lista do layoff. O motivo: a área deixaria de ter uma camada de especialistas no novo desenho organizacional. Corte de custos, uma realidade que muitas empresas enfrentam de tempos em tempos.
Em uma provável conexão com o ressentimento, não aceitando o fato, Ana decidiu botar a boca no trombone e criticou duramente seu último empregador no LinkedIn.
O texto era cheio de mensagens diretas e indiretas para a empresa e liderança que a haviam demitido.
Embora a despedida por meio de um relato pessoal seja uma prática comum no mundo do trabalho, sempre paira no ar a dúvida se vale a pena ou não fazer um textão na saída.
"Textão" no LinkedIn funciona? Veja bem...
Antes de partir para uma análise, quero compartilhar meu mapa mental, que pode guiar sua decisão:

O mapa não ajudou a controlar seus dedinhos e, mesmo assim, você quer falar?
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Então, é melhor avaliar alguns riscos e impactos que podem estar associados a essa decisão.
- Há empresas e recrutadores que mapeiam redes sociais dos candidatos.
Já pensou se você decide fazer um post malcriado sobre a última experiência ou chefe? Você pode ficar exposto aos próximos recrutadores de potenciais instituições nas quais você tem interesse.
- É muito comum as empresas pedirem referência ao empregador anterior.
Profissionais de RH se comunicam. Recebemos com frequência ligações de outros colegas da área para checar o histórico de pessoas que estão em processo seletivo. A depender de como você saiu da empresa, isso pode influenciar na decisão de seguir ou não com você no processo de seleção.
- Se o objetivo é melhorar o ambiente para quem fica, pontue suas insatisfações.
Nem só de LinkedIn e redes sociais vive o trabalhador deste país. Ficou com um nó na garganta e se sentiu injustiçado? Muitas companhias tem entrevistas de desligamento e canais de ouvidoria. Use esses meios para pontuar suas reclamações.
- Se a intenção é alertar aqueles que querem entrar na empresa, também há um canal para isso.
Acha que as plataformas internas da instituição não funcionarão? Há também o Glassdoor, uma espécie de Reclame Aqui, pesadelo dos RHs, em que, de forma anônima e respeitosa, você pode deixar sua avaliação sobre a organização em diversos aspectos.
Conclusão: o que fazer?
Se Ana tivesse ponderado sobre o segundo item da lista anterior, talvez tivesse desistido de fazer um post mais acalorado sobre a empresa.
Um mês após sua saída, o RH da organização em que estava participando de um processo seletivo ligou para seu último empregador para checar referências.
Talvez Ana nunca tenha recebido o feedback verdadeiro do potencial contratante quando soube que não seguiria no processo seletivo. Mas eu infelizmente sei o real motivo.
Você pode até achar dura ou injusta essa postura, mas meu compromisso nesta coluna é alertá-lo sobre o mundo como ele é. Mesmo tendo trilhado uma ótima trajetória na empresa, as pessoas tendem a registrar na memória os eventos mais recentes.
Ou seja, se a saída do indivíduo foi marcada por algum evento de reação extremada, é muito provável que isso habite a lembrança das pessoas por um bom tempo.
Se o seu objetivo é se realocar e dar continuidade à sua carreira, lembre-se de que o mais importante é como você lidará com as suas emoções ao receber uma comunicação difícil e não esperada.
Até a próxima,
Thiago Veras
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