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Para os analistas, parte do impulso da Klabin (KLBN11) em julho deve vir da valorização do dólar; confira a lista completa
Em meio a turbulências no exterior e às incertezas sobre a questão fiscal por aqui, investir em ações no Brasil vem se tornando uma missão cada vez mais árdua. Mas na visão de analistas, a volatilidade da bolsa brasileira e a disparada do dólar abrem uma oportunidade de investimento para julho — e a Klabin (KLBN11) deve ser uma das principais beneficiadas por este cenário.
A empresa de papel e celulose apareceu entre os papéis mais indicados para o mês por três das nove corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro.
Já a medalha de prata é disputada por cinco nomes, cada um com duas indicações: Itaú (ITUB4) — que também apareceu no ranking de junho —, JBS (JBSS3), Cyrela (CYRE3), Equatorial (EQTL3) e Localiza (RENT3).

Para os analistas, parte do impulso da Klabin (KLBN11) em julho deve vir da valorização do dólar — que acumula alta de 16% frente ao real desde janeiro.
Isso porque as exportadoras tendem a ser uma das principais beneficiadas pela depreciação do real. Afinal, parte das vendas dessas companhias é realizada em dólar, enquanto a maior parcela de seus custos é em moeda local.
É por esse motivo que a ação da Klabin (KLBN11) é uma das apostas para surfar o cenário de real mais fraco. Além de ser uma das maiores produtoras integradas de papel da América Latina, a companhia se apresenta como a maior exportadora de papel de embalagem do Brasil.
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“Além da depreciação do real, o preço da celulose está subindo, outro fator importante para Klabin. O setor tinha sofrido com a queda forte de Suzano”, afirmou Fernando Siqueira, head de research na Guide Investimentos.
Para Siqueira, na comparação da Klabin (KLBN11) com a concorrência, a ação da Suzano (SUZB3) ainda está muito volátil por conta da então oferta pela IP.
Na avaliação da RB Investimentos, a guerra comercial entre a China e a Europa deve beneficiar o Brasil. Em retaliação à potencial taxação dos veículos elétricos chineses pela União Europeia, Pequim já sinalizou que importará menos suínos da Europa.
“Isso vai acabar favorecendo o Brasil indiretamente, porque nós somos um grande fornecedor de suínos para a China. Nos últimos anos, os chineses autorizaram cada vez mais plantas de frigoríficos a exportarem para lá”, afirma Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB.
Para o analista, a situação pode ajudar a ação da Klabin, uma vez que um maior embarque de suínos do Brasil para Pequim demandaria uma quantidade maior de embalagens — uma vez que a carne já deve chegar a Pequim embalada.
“Outro ponto é o Rio Grande do Sul, que travou a reciclagem de embalagens e deve puxar a elevação do preço de embalagens virgens. Com a diminuição do reciclado, vai ficar mais fácil de subir os preços”, acrescenta.
Outra aposta do mercado é que a Klabin apresente resultados sólidos no segundo trimestre — revertendo o gosto amargo do último balanço, quando a companhia registrou queda de 64% no lucro líquido em base anual.
Para o BTG Pactual, a empresa de papel e celulose deve se beneficiar de perspectivas melhores em todas as suas unidades de negócios no curto prazo, levando a um “sólido (e melhorado) momento de lucros nos próximos trimestres”.
Nas contas do banco, o Ebitda — indicador usado para mensurar a geração de caixa de uma companhia — pode avançar aproximadamente 20% entre abril e junho em relação ao mesmo intervalo de 2023.
“Vemos a Klabin como um bom veículo para exposição ao dólar: cada 10% de depreciação do real = +14% de impacto no Ebitda”, afirma o banco.
Segundo os analistas do BTG, a Klabin (KLBN11) atualmente é negociada a um “múltiplo descontado” de cerca de 6,5 vezes a relação valor de firma sobre Ebitda (EV/Ebitda).
“Esperamos ver uma expansão de múltiplos à medida que o consenso aumente gradualmente suas estimativas de lucros nos próximos meses.”
Já a segunda posição no ranking de ações para investir em julho é ocupada por cinco papéis negociados na bolsa brasileira.
A JBS (JBSS3) também é citada como uma boa pedida para quem deseja uma jogada em ações focada em câmbio. Com dupla recomendação, os analistas avaliam que o frigorífico deve se beneficiar da depreciação do real, uma vez que possui grande parte da receita em dólar.
De olho no Itaú Unibanco (ITUB4), o banco entregou um resultado robusto no primeiro trimestre deste ano e tem forte possibilidade de pagar dividendos extraordinários ainda em 2024.
Por sua vez, a Equatorial (EQTL3) é vista como uma das principais ações defensivas para se blindar da volatilidade do Ibovespa neste ano — e ainda foi a única a apresentar uma proposta para ser acionista de referência da Sabesp (SBSP3) após a privatização.
Já para a Cyrela (CYRE3), a avaliação positiva do mercado é baseada nas perspectivas de mais um trimestre robusto em 2024.
“Seguimos com a Cyrela na carteira para julho na expectativa de mais um bom resultado no 2T24 a ser divulgado em agosto. Os números do 1T24 foram bastante positivos, a despeito da cautela predominante diante de decisões do governo, que podem impactar a economia nos trimestres seguintes”, afirma Mario Mariante, analista chefe da Planner Investimentos.
Segundo Mariante, existe uma preocupação com a inflação do setor (INCC) e aumento de tributação que pode vir da aprovação da reforma tributária.
Porém, a Planner avalia que a Cyrela possui capacidade em “se adaptar a estes momentos adversos”.
Outra ação recomendada para julho é a ação da Localiza (RENT3). Líder no mercado de locação de automóveis, a companhia enfrenta pressão da depreciação de veículos usados e da “invasão” de carros chineses.
Com uma desvalorização acumulada na ordem de 33% desde janeiro, os analistas veem RENT3 negociada a preços atraentes.
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