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Micaela Santos

Micaela Santos

É repórter do Seu Dinheiro. Formada pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), já passou pela Época Negócios e Canal Meio.

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UBS rebaixa recomendação para Vale (VALE3) e corta preço-alvo dos ADRs em NY; o que está por trás do pessimismo com a mineradora?

Papéis da mineradora nas bolsas americana e brasileira operam em queda nesta segunda-feira (11), pressionando o Ibovespa

Micaela Santos
Micaela Santos
11 de novembro de 2024
14:28 - atualizado às 14:29
acao vale vale3
Vale (VALE3) - Imagem: Canva/Divulgação / Montagem: Bruna Martins

Após uma semana de baixa, o Ibovespa abriu novamente em queda nesta segunda-feira (11). Um dos principais culpados é a Vale (VALE3), cujas ações são pressionadas pela queda no preço do minério de ferro na China. 

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Por volta das 13h45, os papéis da mineradora caíam 2,38%, a R$ 59,19. Em Nova York, os recibos de ações da Vale na bolsa americana (ADRs) também operavam em queda de 3,12%, a US$ 10,27. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,09%, aos 127.680,48 pontos. 

A relação da Vale com o minério de ferro, inclusive, foi um dos motivos que fizeram o UBS rebaixar a recomendação para os ADRs da mineradora de “compra” para “neutra”.

Em relatório divulgado nesta segunda, o banco também rebaixou o preço-alvo do ADR VALE de US$ 14 para US$ 11,50, um potencial de valorização de apenas 9% ante o fechamento anterior.

Por que o UBS rebaixou os ADRs da Vale?

No documento assinado por Myles Allsop, Caio Greiner e Daniel Major, o banco explicou que, entre os motivos para o rebaixamento, estão os fundamentos da cotação do minério de ferro no médio prazo no mercado internacional, além do menor retorno aos acionistas. 

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“Em nossa opinião, as exportações de aço da China são vulneráveis a restrições globais e, provavelmente, não serão totalmente compensadas por estímulos econômicos”, afirma. 

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De acordo com o UBS, espera-se que o preço do minério de ferro apresente uma “moderação” nos próximos um a dois anos. A previsão para 2024 é de que o valor da commodity se estabilize em torno de US$ 100 (R$ 578) por tonelada, caindo para aproximadamente US$ 80 a US$ 90 (R$ 520) por tonelada em seguida, em razão de um aumento na oferta.

Com isso, o banco revisou para baixo a projeção do prêmio do minério e das “pelotas” para 2025 e 2026, além de reduzir em cerca de 9% a estimativa de Ebitda da Vale para os próximos dois anos, devido a riscos macroeconômicos associados às eleições nos EUA.

Na visão dos analistas do UBS, no entanto, a Vale ainda deve se beneficiar no médio prazo do aumento de volume, da redução de custos (graças à regulamentação da mineração em cavernas) e de prêmios mais altos à medida que seus principais projetos avancem e a indústria siderúrgica da China comece a descarbonizar. 

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“Acreditamos que isso compensará o impacto dos preços mais baixos. Além disso, o segmento de Metais Básicos deve se beneficiar de preços mais altos de cobre e níquel no médio prazo, além de medidas internas para redução de custos e melhoria dos preços”. 

Equilíbrio entre riscos e recompensas

Apesar das preocupações com o minério de ferro, o banco suíço acredita que a Vale avançou em 2024, melhorando seu desempenho operacional, chegando ao acordo com a Samarco e o governo sobre o desastre em Mariana (MG) e elegendo um novo CEO.

“Acreditamos que, nos próximos seis meses, a empresa poderá fazer mais progressos, como melhorar as relações com o governo para facilitar o novo acordo de concessão ferroviária e modernizar as regulamentações de mineração em cavernas”, diz o UBS.

Por fim, os analistas veem um equilíbrio entre riscos e recompensas: as medidas internas e o dividendo básico (com rendimento de cerca de 7%) ajudam a limitar o lado negativo, enquanto a perspectiva desafiadora para o minério de ferro, o aumento dos riscos macroeconômicos e os altos desembolsos de caixa limitam o potencial de valorização.

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O banco espera que a Vale devolva seu dividendo base aos acionistas somente em 2025 ou 2026 e estima o rendimento de dividendos em torno de 7% no próximo ano.

“Estimamos que o preço do minério de ferro precisaria ultrapassar US$ 120 por tonelada em 2025 para que a Vale devolvesse mais de 10% de seu valor de mercado (mais de US$ 4,5 bilhões ou cerca de R$ 26 bilhões, na cotação atual) aos acionistas”, afirma o UBS.

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