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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

DESTAQUES DA BOLSA

Guerra no Oriente Médio: por que o petróleo despenca 5% hoje e arrasta a Petrobras (PETR4) e outras ações do setor

Camille Lima
Camille Lima
28 de outubro de 2024
12:15 - atualizado às 17:02
Petróleo, petroleiras, ações, brent. recv3
Imagem: iStock

O setor de petróleo e gás protagoniza o campo negativo da bolsa brasileira nesta segunda-feira (28), com os mais diversos tons de vermelho tingindo as ações das petroleiras locais pela manhã.

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A Prio (PRIO3) é quem lidera as perdas no Ibovespa, com recuo de 3,24% por volta das 11h45. Por sua vez, a Petrobras (PETR4) registrava uma queda mais tímida no mesmo horário, de 0,86%.

Confira o desempenho das ações das petroleiras na B3:

CÓDIGONOMEVARDIAULT
RECV3PetroRecôncavo ON-0,77%R$ 16,83
PETR3Petrobras ON-0,99%R$ 39,01
PETR4Petrobras PN-0,86%R$ 35,84
PRIO3Prio ON-2,43%R$ 40,64
BRAV3Brava Energia ON-2,11%R$ 16,67

O tom mais negativo dos papéis acompanha a derrocada do petróleo no mercado internacional. 

O barril do Brent — referência global, inclusive para a Petrobras — recuava 5,05%, cotado a US$ 71,80. No mesmo horário, o petróleo cru WTI, referência no mercado americano, caía 5,15%, a US$ 68,12, no pior dia em quase dois anos. 

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A guerra no Oriente Médio e a queda da commodity

Após semanas especulando sobre uma possível retaliação ao ataque do Irã com cerca de 200 mísseis no início deste mês, foi só no fim de semana que as Forças de Defesa de Israel confirmaram a operação de contra-ataque.

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A ofensiva israelense, no entanto, evitou a infraestrutura de petróleo, nuclear e civil iraniana — o que poderia interromper o fornecimento de um dos principais produtores da commodity no mundo — e teve como alvo as instalações militares de Teerã. 

Como os ataques israelenses no fim de semana deixaram intocadas as instalações de energia iranianas, os analistas do Citi inclusive agora descartaram qualquer chance de interrupção de fornecimento de petróleo em caso de agravamento da guerra.

Vale lembrar que o Irã ameaçou retaliar com ainda mais força caso a infraestrutura nuclear ou de petróleo do país fosse atacada. A imprensa iraniana de energia Shana afirmou que a operação petrolífera do Irã está “em funcionamento normal” e sem interrupções. 

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“É improvável que a recente ação militar israelense seja vista pelo mercado como uma escalada que impacte o fornecimento de petróleo”, escreveram analistas do Citi, em relatório. 

A relação entre Israel, Irã e o petróleo

Hoje, o mercado vivencia um excesso de oferta global de petróleo, com aumento da produção em países como Estados Unidos, Canadá e Brasil — e sem perspectivas de melhora do lado da demanda. 

Atualmente, a produção iraniana de petróleo corresponde a até 4% do fornecimento global da commodity, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Recentemente, a agência reduziu a projeção para o avanço da demanda global por petróleo neste ano, com perspectiva de um aumento de 862 mil barris por dia (bpd) em 2024, contra uma estimativa anterior de 903 mil barris.

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Isso deve manter as cotações da commodity sob pressão. O Citi cortou a previsão para o petróleo do tipo Brent em US$ 4, para US$ 70 por barril nos próximos três meses.

Agora, a atenção dos investidores está em uma potencial reação do Irã ao contra-ataque israelense. No domingo (27), o presidente Masoud Pezeshkian defendeu o direito do país de reagir à investida israelense — mas afastou a possibilidade de um aquecimento maior dos conflitos.

“Não buscamos guerra, mas defenderemos nosso país e os direitos do nosso povo. Daremos uma resposta adequada à agressão”, disse Pezeshkian.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que tinha o “direito e a obrigação de se defender”, mas afirmou que reconhece as responsabilidades do país para com a paz e a segurança da região.

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*Com informações da CNBC, da Reuters e da BBC.

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