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A classe dos FIIs de papel é a que mais tem a ganhar com o aperto na taxa, já que o rendimento de parte dos títulos está diretamente relacionado aos juros
Os fundos imobiliários de tijolo, que investem em ativos reais como galpões, shoppings e escritórios, dominaram a preferência dos analistas ao longo deste ano.
Mas, com o fim de 2024 se aproximando, o jogo virou e a classe caiu para o segundo lugar, enquanto um representante dos FIIs de recebíveis imobiliários — também conhecidos como FIIs de papel por investirem em títulos de crédito do setor — despontou como o novo favorito entre as corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro.
Com quatro recomendações, o FII mais indicado do mês é o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11). E sua ascensão para o topo do pódio está ligada a outra virada: a do cenário macroeconômico.
A taxa básica de juros brasileira, a Selic, voltou a ser elevada no mês passado após um ciclo de afrouxamento que, entre manutenção e cortes, durou dois anos.
A classe dos FIIs de papel é a que mais tem a ganhar com a mudança, já que o rendimento de parte dos títulos está diretamente relacionado aos juros.
A carteira do KNCR11, por exemplo, está mais de 92% atrelada ao CDI, um indexador que acompanha de perto as variações da Selic. Outros 6,9% estão diretamente alocados na taxa básica.
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Ou seja, com o novo ciclo de alta, o rendimento dos ativos — e, consequentemente, os dividendos do FII — deve subir.
Mas isso não significa que é hora de abandonar completamente os fundos de tijolo. Prova disso é que os analistas mantiveram o BTG Pactual Logística (BTLG11) como o segundo mais recomendado para o mês e indicaram outros fundos da classe entre os favoritos.
Confira abaixo todos os FIIs presentes ‘no top 3’ das corretoras:

Entendendo o FII do Mês: Todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são as apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 fundos imobiliários, os analistas indicam os três prediletos. Com o ranking nas mãos, selecionamos os que contaram com pelo menos duas indicações.
Com mais de 370 mil cotistas e um patrimônio líquido de R$ 7 bilhões, o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) é um dos três maiores fundos imobiliários de papel da bolsa brasileira em ambos os quesitos.
Além de ser um dos gigantes da B3, o FII também atrai olhares por outro aspecto. Os dividendos pagos no mês passado, por exemplo, de R$ 0,95 por cota, representaram uma rentabilidade isenta de Imposto de Renda de 0,93%, ou 107% do CDI.
E os proventos devem seguir atrativos: os analistas do Santander, uma das casas a recomendar o KNCR11 neste mês, estimam um dividend yield acima de 11% para os próximos 12 meses.
Outra característica do FII que chama a atenção do banco é a diversificação da carteira de crédito, composta majoritariamente por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Segundo os analistas, o portfólio conta com 68 ativos com “boas estruturas”, incluindo alienação fiduciária e cessão de recebíveis, o que ajuda a mitigar os riscos em caso de inadimplência.
O Santander afirma ainda que uma parte relevante da carteira está alocada em segmentos e devedores “mais robustos”, com destaque para o financiamento de players imobiliários de renome como Brookfield, JHSF, BTG Pactual e MRV.
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