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Apesar de nenhum crescimento inorgânico relevante no radar dos analistas, o banco continua animado com as ações SUZB3
Depois de voltar de viagem dos Estados Unidos com uma empresa na sacola de compras em julho, a Suzano (SUZB3) deve dar um tempo nas novas aquisições — pelo menos, é o que avalia o BTG Pactual.
Para os analistas do banco, é improvável que a gigante de papel e celulose anuncie uma grande fusão ou compra (M&A) no curto prazo, especialmente diante da meta de alavancagem da empresa, de 2 vezes a 3 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda, com teto em 3,5 vezes.
Mas apesar de nenhum crescimento inorgânico relevante no radar, o BTG continua animado com as ações SUZB3. “A Suzano continua sendo nossa principal escolha em todo o nosso universo de cobertura”, diz o banco, em relatório.
Os analistas mantiveram recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 81,00 em 12 meses, o que implica em um ganho potencial de 49,4% em relação ao último fechamento.
Parte do otimismo do BTG Pactual com a Suzano (SUZB3) está no preço. Para os analistas, a ação está barata — e as recompras de papéis robustas anunciadas pela empresa nos últimos trimestres confirmam isso.
“Um programa de recompra sem precedentes de R$ 5 bilhões nos últimos trimestres é uma indicação clara de quão subvalorizadas as ações estão”, escreveram os analistas.
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Nas contas do banco, a ação é negociada com taxas internas de retorno (TIRs) implícitas para ações de quase 16% aos preços atuais em dólar, em termos nominais, o que é considerado “altamente descontado”.
Vale destacar que a empresa já cancelou 80 milhões de ações e deve continuar o ritmo. Segundo os analistas, a operação tende a beneficiar os acionistas, especialmente considerando que a recompra de ações é uma das formas que as empresas têm de remunerar investidores.
Isso porque o acionista acaba com uma participação proporcionalmente maior se a companhia opta por cancelar as ações recompradas.
Por outro lado, a aquisição dos papéis faz com que percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.
Na projeção do BTG, a Suzano (SUZB3) hoje é negociada com um rendimento de fluxo de caixa livre (FCFE) de 11% para 2025, considerando a cotação da celulose a US$ 575 por tonelada.
A visão otimista do BTG vem na esteira da conversa dos analistas com o diretor financeiro (CFO) da Suzano (SUZB3), Marcelo Bacci, em conferência em Nova York na semana passada.
À primeira vista, as falas do CFO se mostram de todo positivas para o negócio de celulose.
“Em relação às perspectivas para a celulose, Bacci mencionou que os mercados estão atualmente com excesso de oferta, com compradores na China ainda não totalmente de volta às compras normalizadas, e ele vê uma falta de gatilhos de curto prazo para uma recuperação relevante nos preços”, afirmaram os analistas.
No entanto, para o banco, apesar do excesso de oferta na China, há uma mensagem clara de que o “fundo do poço” está próximo, com os preços da celulose oscilando em torno de US$ 560 a US$ 570 por tonelada.
Isso porque o custo marginal para participantes integrados é de cerca de US$ 550 a US$ 600 por tonelada.
Mas segundo os analistas, com os valores a US$ 560 por tonelada, a Suzano está “começando a ver mais interesse de compra e está relatando condições de mercado mais normalizadas — mas ainda não chegou lá”.
Enquanto a China faz pressão sobre a companhia, o mercado europeu faz o contra-peso. Na avaliação do banco, a diferença significativa de preço na Europa em relação a Pequim está ajudando as realizações de preço da Suzano no curto prazo.
“Espera-se que os lucros sejam apoiados por diferenciais de preços relevantes entre a Europa e a China”, estimaram os analistas. “Embora esse seja apenas um efeito temporário, deve ajudar a sustentar os resultados até o fim do ano.”
Já nas outras linhas, o tom da conversa com o CFO da Suzano (SUZB3) foi mais construtivo — especialmente do lado do projeto Cerrado, uma das iniciativas de maior peso para a companhia para os próximos anos.
“Cerrado está no caminho certo: o tom da aceleração do projeto é reconfortante, sem soluços até agora”, disse o banco.
Recentemente, a administração da Suzano reafirmou o guidance (projeção) de produção de celulose em 900 mil toneladas para 2024 e cerca de 2,4 milhões de toneladas até o ano que vem.
“Nem é preciso dizer que a empresa não desacelerará essa aceleração em resposta a condições de mercado potencialmente mais fracas”, projetaram os analistas.
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