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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SEM M&A À VISTA

A Suzano (SUZB3) ainda pode partir para uma grande aquisição? O BTG acha improvável — e diz o que fazer com as ações agora

Apesar de nenhum crescimento inorgânico relevante no radar dos analistas, o banco continua animado com as ações SUZB3

Camille Lima
Camille Lima
14 de outubro de 2024
13:41
Suzano (SUZB3)
Suzano (SUZB3) - Imagem: Divulgação

Depois de voltar de viagem dos Estados Unidos com uma empresa na sacola de compras em julho, a Suzano (SUZB3) deve dar um tempo nas novas aquisições — pelo menos, é o que avalia o BTG Pactual.

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Para os analistas do banco, é improvável que a gigante de papel e celulose anuncie uma grande fusão ou compra (M&A) no curto prazo, especialmente diante da meta de alavancagem da empresa, de 2 vezes a 3 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda, com teto em 3,5 vezes.

Mas apesar de nenhum crescimento inorgânico relevante no radar, o BTG continua animado com as ações SUZB3. “A Suzano continua sendo nossa principal escolha em todo o nosso universo de cobertura”, diz o banco, em relatório.

Os analistas mantiveram recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 81,00 em 12 meses, o que implica em um ganho potencial de 49,4% em relação ao último fechamento.

Por que o BTG ainda está animado com a Suzano (SUZB3)

Parte do otimismo do BTG Pactual com a Suzano (SUZB3) está no preço. Para os analistas, a ação está barata — e as recompras de papéis robustas anunciadas pela empresa nos últimos trimestres confirmam isso.

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“Um programa de recompra sem precedentes de R$ 5 bilhões nos últimos trimestres é uma indicação clara de quão subvalorizadas as ações estão”, escreveram os analistas. 

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Nas contas do banco, a ação é negociada com taxas internas de retorno (TIRs) implícitas para ações de quase 16% aos preços atuais em dólar, em termos nominais, o que é considerado “altamente descontado”. 

Vale destacar que a empresa já cancelou 80 milhões de ações e deve continuar o ritmo. Segundo os analistas, a operação tende a beneficiar os acionistas, especialmente considerando que a recompra de ações é uma das formas que as empresas têm de remunerar investidores.

Isso porque o acionista acaba com uma participação proporcionalmente maior se a companhia opta por cancelar as ações recompradas. 

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Por outro lado, a aquisição dos papéis faz com que percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.

Na projeção do BTG, a Suzano (SUZB3) hoje é negociada com um rendimento de fluxo de caixa livre (FCFE) de 11% para 2025, considerando a cotação da celulose a US$ 575 por tonelada.

Como está o mercado de celulose?

A visão otimista do BTG vem na esteira da conversa dos analistas com o diretor financeiro (CFO) da Suzano (SUZB3), Marcelo Bacci, em conferência em Nova York na semana passada. 

À primeira vista, as falas do CFO se mostram de todo positivas para o negócio de celulose.

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“Em relação às perspectivas para a celulose, Bacci mencionou que os mercados estão atualmente com excesso de oferta, com compradores na China ainda não totalmente de volta às compras normalizadas, e ele vê uma falta de gatilhos de curto prazo para uma recuperação relevante nos preços”, afirmaram os analistas. 

No entanto, para o banco, apesar do excesso de oferta na China, há uma mensagem clara de que o “fundo do poço” está próximo, com os preços da celulose oscilando em torno de US$ 560 a US$ 570 por tonelada.

Isso porque o custo marginal para participantes integrados é de cerca de US$ 550 a US$ 600 por tonelada.

Mas segundo os analistas, com os valores a US$ 560 por tonelada, a Suzano está “começando a ver mais interesse de compra e está relatando condições de mercado mais normalizadas — mas ainda não chegou lá”.

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Enquanto a China faz pressão sobre a companhia, o mercado europeu faz o contra-peso. Na avaliação do banco, a diferença significativa de preço na Europa em relação a Pequim está ajudando as realizações de preço da Suzano no curto prazo. 

“Espera-se que os lucros sejam apoiados por diferenciais de preços relevantes entre a Europa e a China”, estimaram os analistas. “Embora esse seja apenas um efeito temporário, deve ajudar a sustentar os resultados até o fim do ano.”

De olho no projeto Cerrado da Suzano (SUZB3)

Já nas outras linhas, o tom da conversa com o CFO da Suzano (SUZB3) foi mais construtivo — especialmente do lado do projeto Cerrado, uma das iniciativas de maior peso para a companhia para os próximos anos. 

“Cerrado está no caminho certo: o tom da aceleração do projeto é reconfortante, sem soluços até agora”, disse o banco. 

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Recentemente, a administração da Suzano reafirmou o guidance (projeção) de produção de celulose em 900 mil toneladas para 2024 e cerca de 2,4 milhões de toneladas até o ano que vem. 

“Nem é preciso dizer que a empresa não desacelerará essa aceleração em resposta a condições de mercado potencialmente mais fracas”, projetaram os analistas.

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