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Probabilidade de o Banco Central estourar a meta de inflação pelo terceiro ano seguido aumentou de 61% para 67% no RTI
Na quarta-feira (27) houve um chá da tarde no Palácio do Planalto.
“Excelente e produtivo”, nas palavras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o evento deixou no ar a expectativa de reuniões periódicas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Mesmo que Campos Neto não se torne um frequentador assíduo do Palácio do Planalto, é cada vez mais provável que um de seus próximos contatos com Lula se dê por meio de carta.
É o que indica o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta quinta-feira (28) pelo BC.
Sempre que o RTI sai, os ávidos tradutores de economês debruçam-se principalmente sobre as projeções macroeconômicas da autoridade monetária.
Para além dos ajustes nas diretrizes e nas expectativas do BC para o PIB e a inflação (aqui é possível obter acesso ao relatório completo), uma informação que costuma passar despercebida chamou a atenção dos observadores desta vez.
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As chances de o Banco Central estourar a meta de inflação de 2023 aumentaram, segundo o RTI.
No cenário de referência do BC, a probabilidade de a inflação deste ano ficar acima do teto da meta é de 67%. No RTI anterior, divulgado em junho, a chance era calculada em 61%.
De acordo com as projeções atuais do BC, a inflação medida pelo IPCA deve fechar o ano em torno de 5,00%. O teto da meta de inflação para 2023 é de 4,75%.
Caso os temores do Banco Central se confirmem, este será o terceiro ano seguido no qual a autoridade monetária terá de se justificar pelo estouro da meta de inflação.
Não custa lembrar que um dos focos das críticas de Lula ao BC eram as metas, por ele consideradas baixas para a realidade brasileira.
No fim de junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN), onde o governo tem maioria, decidiu adotar o regime de metas contínuas de inflação, mas não mexeu nas metas propriamente ditas.
Para Roberto Campos Neto, a situação talvez já esteja próxima de se transformar em uma questão de honra.
Isso porque desde 2021, quando o Congresso concedeu autonomia formal ao BC, a autoridade monetária não conseguiu trazer a inflação para dentro da meta.
Diante disso, como manda a lei, RCN precisou endereçar uma carta ao Conselho Monetário Nacional (CMN) explicando tintim por tintim os motivos que levaram ao estouro da meta em 2021 e em 2022.
E a probabilidade de o mesmo ocorrer neste ano é alta — mais precisamente de 67%, como mostra o RTI de setembro.
O CMN é presidido atualmente por Haddad. A outra cadeira do triunvirato é ocupada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Embora a carta seja formalmente endereçada a eles, podemos dizer que o destinatário final é Lula, a quem Haddad e Simone respondem.
Justo agora que Lula e Roberto Campos Neto aparentemente começaram a se entender.
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