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2023-01-01T19:29:56-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
POSSE PRESIDENCIAL

Ao vivo: Acompanhe a posse dos ministros do novo governo; Lula renova decretos e assina primeiras medidas

Jasmine OlgaVictor Aguiar
Jasmine Olga, Victor Aguiar
1 de janeiro de 2023
11:25 - atualizado às 19:29
Lula veste camisa vermelha, bate palmas, em um cenário com bandeira do Brasil ao fundo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Imagem:  Ricardo Stuckert/VEJA

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin tomarão posse nesta tarde (01), a partir das 14h. 

A solenidade terá início na Catedral Metropolitana de Brasília e será seguida por um desfile do cortejo presidencial, em carro aberto, pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional. Às 15h, terá início a sessão solene de posse, seguida pelo recebimento de honras militares de Lula e Geraldo Alckmin. A subida da rampa do Planalto está marcada para acontecer próximo das 16h20.  

Nesta manhã, os governadores eleitos já tomaram posse em suas respectivas Assembleias Legislativas. 

Acompanhe o nosso minuto a minuto com os principais detalhes do evento.

*Conteúdo em atualização

PRIMEIROS DECRETOS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cerimônia de posse de seus ministros para assinar os seus primeiros decretos oficiais.

Como prometido em campanha, Lula pediu para que a CGU reavalie os sigilos impostos por Jair Bolsonaro a documentos.

Além disso, o novo presidente também:

  • Pediu a retirada da Petrobras, Correios e EBC de estudos de privatização;
  • Iniciou a reestruturação da política de armas, reduzindo o acesso de armas e municações. Além disso, registro de novas armas e clubes de tiro estão suspensos.
  • Despacho que pede ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima uma proposta para regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
  • Reestabelecimento do Fundo Amazônia
  • Medida provisória que estabelece o pagamento de R$ 600 aos beneficiários do Bolsa Família, antigo Auxílio Brasil
  • Prorrogação da desoneração tributária dos combustíveis por mais 60 dias.
Íntegra do discurso feito no Parlatório do Palácio do Planalto

"Quero começar fazendo uma saudação especial a cada um e a cada uma de vocês. Uma forma de lembrar e retribuir o carinho e a força que recebia todos os dias do povo brasileiro - representado pela Vigília Lula Livre -, num dos momentos mais difíceis da minha vida.

Hoje, neste que é um dos dias mais felizes da minha vida, a saudação que eu faço a vocês não poderia ser outra, tão singela e ao mesmo tempo tão cheia de significado:

Boa tarde, povo brasileiro!

Minha gratidão a vocês, que enfrentaram a violência política antes, durante e depois da campanha eleitoral. Que ocuparam as redes sociais, e que tomaram as ruas, debaixo de sol e chuva, nem que fosse para conquistar um único e precioso voto.

Que tiveram a coragem de vestir a nossa camisa e, ao mesmo tempo, agitar a bandeira do Brasil - quando uma minoria violenta e antidemocrática tentava censurar nossas cores e se apropriar do verde- amarelo, que pertence a todo o povo brasileiro.

A vocês, que vieram de todos os cantos deste país - de perto ou de muito longe, de avião, de ônibus, de carro ou na boleia de caminhão. De moto, bicicleta e até mesmo a pé, numa verdadeira caravana da esperança, para esta festa da democracia.

Mas quero me dirigir também aos que optaram por outros candidatos. Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim.

Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado de divisão e intolerância.

A ninguém interessa um país em permanente pé de guerra, ou uma família vivendo em desarmonia. É hora de reatarmos os laços com amigos e familiares, rompidos pelo discurso de ódio e pela disseminação de tantas mentiras.

O povo brasileiro rejeita a violência de uma pequena minoria radicalizada que se recusa a viver num regime democrático.

Chega de ódio, fake news, armas e bombas. Nosso povo quer paz para trabalhar, estudar, cuidar da família e ser feliz.

A disputa eleitoral acabou. Repito o que disse no meu pronunciamento após a vitória em 30 de outubro, sobre a necessidade de unir o nosso país.

"Não existem dois brasis. Somos um único país, um único povo, uma grande nação."

Somos todos brasileiros e brasileiras, e compartilhamos uma mesma virtude: nós não desistimos nunca.

Ainda que nos arranquem todas as flores, uma por uma, pétala por pétala, nós sabemos que é sempre tempo de replantio, e que a primavera há de chegar. E a primavera chegou.

Hoje, a alegria toma posse do Brasil, de braços dados com a esperança.

Minhas queridas amigas e meus amigos.

Recentemente, reli o discurso da minha primeira posse na Presidência, em 2003. E o que li tornou ainda mais evidente o quanto o Brasil andou para trás.

Naquele 1º de janeiro de 2003, aqui nesta mesma praça, eu e meu querido vice José Alencar assumimos o compromisso de recuperar a dignidade e a autoestima do povo brasileiro - e recuperamos. De investir para melhorar as condições de vida de quem mais necessita - e investimos. De cuidar com muito carinho da saúde e da educação - e cuidamos.

Mas o principal compromisso que assumimos em 2003 foi o de lutar contra a desigualdade e a extrema pobreza, e garantir a cada pessoa deste país o direito de tomar café da manhã, almoçar e jantar todo santo dia - e nós cumprimos esse compromisso: acabamos com a fome e a miséria, e reduzimos fortemente a desigualdade.

Infelizmente hoje, 20 anos depois, voltamos a um passado que julgávamos enterrado. Muito do que fizemos foi desfeito de forma irresponsável e criminosa.

A desigualdade e a extrema pobreza voltaram a crescer. A fome está de volta - e não por força do destino, não por obra da natureza, nem por vontade divina.

A volta da fome é um crime, o mais grave de todos, cometido contra o povo brasileiro.

A fome é filha da desigualdade, que é mãe dos grandes males que atrasam o desenvolvimento do Brasil. A desigualdade apequena este nosso país de dimensões continentais, ao dividi-lo em partes que não se reconhecem.

De um lado, uma pequena parcela da população que tudo tem. Do outro lado, uma multidão a quem tudo falta, e uma classe média que vem empobrecendo ano após ano.

Juntos, somos fortes. Divididos, seremos sempre o país do futuro que nunca chega, e que vive em dívida permanente com o seu povo.

Se queremos construir hoje o nosso futuro, se queremos viver num país plenamente desenvolvido para todos e todas, não pode haver lugar para tanta desigualdade.

O Brasil é grande, mas a real grandeza de um país reside na felicidade de seu povo. E ninguém é feliz de fato em meio a tanta desigualdade.

Minhas amigas e meus amigos,

Quando digo "governar", eu quero dizer "cuidar". Mais do que governar, vou cuidar com muito carinho deste país e do povo brasileiro.

Nestes últimos anos, o Brasil voltou a ser um dos países mais desiguais do mundo. Há muito tempo não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas.

Mães garimpando lixo, em busca do alimento para seus filhos.

Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo.

Crianças vendendo bala ou pedindo esmola, quando deveriam estar na escola, vivendo plenamente a infância a que têm direito.

Trabalhadoras e trabalhadores desempregados exibindo, nos semáforos, cartazes de papelão com a frase que nos envergonha a todos: "Por favor, me ajuda".

Fila na porta dos açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de espera para a compra de automóveis importados e jatinhos particulares.

Tamanho abismo social é um obstáculo à construção de uma sociedade verdadeiramente justa e democrática, e de uma economia próspera e moderna.

Por isso, eu e meu vice Geraldo Alckmin assumimos hoje, diante de vocês e de todo o povo brasileiro, o compromisso de combater dia e noite todas as formas de desigualdade.

Desigualdade de renda, de gênero e de raça. Desigualdade no mercado de trabalho, na representação política, nas carreiras do Estado. Desigualdade no acesso a saúde, educação e demais serviços públicos.

Desigualdade entre a criança que frequenta a melhor escola particular, e a criança que engraxa sapato na rodoviária, sem escola e sem futuro. Entre a criança feliz com o brinquedo que acabou de ganhar de presente, e a criança que chora de fome na noite de Natal.

Desigualdade entre quem joga comida fora, e quem só se alimenta das sobras.

É inadmissível que os 5% mais ricos deste país detenham a mesma fatia de renda que os demais 95%.

Que seis bilionários brasileiros tenham uma riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais pobres do país.

Que um trabalhador ou trabalhadora que ganha um salário mínimo mensal leve 19 anos para receber o equivalente ao que um super rico recebe em um único mês.

E não adianta subir o vidro do automóvel de luxo, para não ver nossos irmãos que se amontoam debaixo dos viadutos, carentes de tudo - a realidade salta aos olhos em cada esquina.

Minhas amigas e meus amigos,

É inaceitável que continuemos a conviver com o preconceito, a discriminação e o racismo. Somos um povo de muitas cores, e todas devem ter os mesmos direitos e oportunidades.

Ninguém será cidadão ou cidadã de segunda classe, ninguém terá mais ou menos amparo do Estado, ninguém será obrigado a enfrentar mais ou menos obstáculos apenas pela cor de sua pele.

Por isso estamos recriando o Ministério da Igualdade Racial, para enterrar a trágica herança do nosso passado escravista.

Os povos indígenas precisam ter suas terras demarcadas e livres das ameaças das atividades econômicas ilegais e predatórias. Precisam ter sua cultura preservada, sua dignidade respeitada e sua sustentabilidade garantida.

Eles não são obstáculos ao desenvolvimento - são guardiões de nossos rios e florestas, e parte fundamental da nossa grandeza enquanto nação. Por isso estamos criando o Ministério dos Povos Indígenas, para combater 500 anos de desigualdade.

Não podemos continuar a conviver com a odiosa opressão imposta às mulheres, submetidas diariamente à violência nas ruas e dentro de suas próprias casas.

É inadmissível que continuem a receber salários inferiores ao dos homens, quando no exercício de uma mesma função. Elas precisam conquistar cada vez mais espaço nas instâncias decisórias deste país - na política, na economia, em todas as áreas estratégicas.

As mulheres devem ser o que elas quiserem ser, devem estar onde quiserem estar. Por isso, estamos trazendo de volta o Ministério das Mulheres.

Foi para combater a desigualdade e suas sequelas que nós vencemos a eleição. E esta será a grande marca do nosso governo.

Dessa luta fundamental surgirá um país transformado. Um país grande, próspero, forte e justo. Um país de todos, por todos e para todos. Um país generoso e solidário, que não deixará ninguém para trás.

Minhas queridas companheiras e meus queridos companheiros,

Reassumo o compromisso de cuidar de todos os brasileiros e brasileiras, sobretudo daqueles que mais necessitam. De acabar outra vez com a fome neste país. De tirar o pobre da fila do osso para colocá-lo novamente no Orçamento.

Temos um imenso legado, ainda vivo na memória de cada brasileiro e cada brasileira, beneficiário ou não das políticas públicas que fizeram uma revolução neste país.

Mas não nos interessa viver do passado. Por isso, longe de qualquer saudosismo, nosso legado será sempre o espelho do futuro que vamos construir para este país.

Em nossos governos, o Brasil conciliou crescimento econômico recorde com a maior inclusão social da história. E se tornou a sexta maior economia do mundo, ao mesmo tempo em que 36 milhões de brasileiras e brasileiros saíram da extrema pobreza.

Geramos mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada e todos os direitos assegurados. Reajustamos o salário mínimo sempre acima de inflação.

Batemos recorde de investimentos em educação - da creche à universidade -, para fazer do Brasil um exportador também de inteligência e conhecimento, e não apenas de commodities e matéria-prima.

Nós mais que dobramos o número de estudantes no ensino superior, e abrimos as portas das universidades para a juventude pobre deste país. Jovens brancos, negros e indígenas, para quem o diploma universitário era um sonho inalcançável, tornaram-se doutores.

Combatemos um dos grandes focos de desigualdade - o acesso à saúde. Porque o direito à vida não pode ser refém da quantidade de dinheiro que se tem no banco.

Fizermos o Farmácia Popular, que forneceu medicamentos a quem mais precisava, e o Mais Médicos, que levou atendimento a cerca de 60 milhões de brasileiros e brasileiras, nas periferias das grandes cidades e nos pontos mais remotos do Brasil.

Criamos o Brasil Sorridente, para cuidar da saúde bucal de todos os brasileiros e brasileiras.

Fortalecemos o nosso Sistema Único de Saúde. E quero aproveitar para fazer um agradecimento especial aos profissionais do SUS, pela grandiosidade do trabalho durante a pandemia. Enfrentaram bravamente, ao mesmo tempo, um vírus letal e um governo irresponsável e desumano.

Nos nossos governos, investimos na agricultura familiar e nos pequenos e médios agricultores, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa. E fizemos isso sem descuidar do agronegócio, que obteve investimentos e safras recordes, ano após ano.

Tomamos medidas concretas para conter as mudanças climáticas, e reduzimos o desmatamento da Amazônia em mais de 80%.

O Brasil consolidou-se como referência mundial no combate à desigualdade e à fome, e passou a ser internacionalmente respeitado, pela sua política externa ativa e altiva.

Fomos capazes de realizar tudo isso cuidando com total responsabilidade das finanças do país. Nunca fomos irresponsáveis com o dinheiro público.

Fizemos superávit fiscal todos os anos, eliminamos a dívida externa, acumulamos reservas de cerca de 370 bilhões de dólares e reduzimos a dívida interna a quase metade do que era anteriormente.

Nos nossos governos, nunca houve nem haverá gastança alguma. Sempre investimos, e voltaremos a investir, em nosso bem mais precioso: o povo brasileiro.

Infelizmente, muito do que construímos em 13 anos foi destruído em menos da metade desse tempo. Primeiro, pelo golpe de 2016 contra a presidenta Dilma. E na sequência, pelos quatro anos de um governo de destruição nacional cujo legado a História jamais perdoará:

700 mil brasileiros e brasileiras mortos pela covid.

125 milhões sofrendo algum grau de insegurança alimentar, de moderada a muito grave.

33 milhões passando fome.

Estes são apenas alguns números. Que na verdade não são apenas números, estatísticas, indicadores - são pessoas. Homens, mulheres e crianças, vítimas de um desgoverno afinal derrotado pelo povo, no histórico 30 de outubro de 2022.

Os Grupos Técnicos do Gabinete de Transição, que por dois meses mergulharam nas entranhas do governo anterior, trouxeram a público a real dimensão da tragédia.

O que o povo brasileiro sofreu nestes últimos anos foi a lenta e progressiva construção de um genocídio.

Quero citar, a título de exemplo, um pequeno trecho das 100 páginas desse verdadeiro relatório do caos produzido pelo Gabinete de Transição. Diz o relatório:

"O Brasil bateu recordes de feminicídios, as políticas de igualdade racial sofreram severos retrocessos, produziu-se um desmonte das políticas de juventude, e os direitos indígenas nunca foram tão ultrajados na história recente do país.

Os livros didáticos que deverão ser usados no ano letivo de 2023 ainda não começaram a ser editados; faltam remédios no Farmácia Popular; não há estoques de vacinas para o enfrentamento das novas variantes da COVID-19.

Faltam recursos para a compra de merenda escolar; as universidades corriam o risco de não concluir o ano letivo; não existem recursos para a Defesa Civil e a prevenção de acidentes e desastres. Quem está pagando a conta deste apagão é o povo brasileiro."

Meus amigos e minhas amigas,

Nesses últimos anos, vivemos, sem dúvida, um dos piores períodos da nossa história. Uma era de sombras, de incertezas e de muito sofrimento. Mas esse pesadelo chegou ao fim, pelo voto soberano, na eleição mais importante desde a redemocratização do País.

Uma eleição que demonstrou o compromisso do povo brasileiro com a democracia e suas instituições.

Essa extraordinária vitória da democracia nos obriga a olhar para a frente e a esquecer nossas diferenças, que são muito menores que aquilo que nos une para sempre: o amor pelo Brasil e a fé inquebrantável em nosso povo.

Agora, é hora de reacendermos a chama da esperança, da solidariedade e do amor ao próximo.

Agora é hora de voltar a cuidar do Brasil e do povo brasileiro. Gerar empregos, reajustar o salário mínimo acima da inflação, baratear o preço dos alimentos.

Criar ainda mais vagas nas universidades, investir fortemente na saúde, na educação, na ciência e na cultura.

Retomar as obras de infraestrutura e do Minha Casa Minha Vida, abandonadas pelo descaso do governo que se foi.

É hora de trazer investimentos e reindustrializar o Brasil. Combater outra vez as mudanças climáticas e acabar de uma vez por todas com a devastação de nossos biomas, sobretudo a Amazônia.

Romper com o isolamento internacional e voltar a se relacionar com todos os países do mundo.

Não é hora para ressentimentos estéreis. Agora é hora de o Brasil olhar para a frente e voltar a sorrir.

Vamos virar essa página e escrever, em conjunto, um novo e decisivo capítulo da nossa história.

Nosso desafio comum é o da criação de um país justo, inclusivo, sustentável, criativo, democrático e soberano, para todos os brasileiros e brasileiras.

Fiz questão de dizer ao longo de toda a campanha: o Brasil tem jeito. E volto a dizer com toda convicção, mesmo diante do quadro de destruição revelado pelo Gabinete de Transição: o Brasil tem jeito. Depende de nós, de todos nós.

Em meus quatro anos de mandato, vamos trabalhar todos os dias para o Brasil vencer o atraso de mais de 350 anos de escravidão. Para recuperar o tempo e as oportunidades perdidas nesses últimos anos. Para reconquistar seu lugar de destaque no mundo. E para que cada brasileiro e cada brasileira tenha o direito de voltar a sonhar, e as oportunidades para realizar aquilo que sonha.

Precisamos, todos juntos, reconstruir e transformar o Brasil. Mas só reconstruiremos e transformaremos de fato este país se lutarmos com todas as forças contra tudo aquilo que o torna tão desigual.

Essa tarefa não pode ser de apenas um presidente ou mesmo de um governo. É urgente e necessária a formação de uma frente ampla contra a desigualdade, que envolva a sociedade como um todo:

trabalhadores, empresários, artistas, intelectuais, governadores, prefeitos, deputados, senadores, sindicatos, movimentos sociais, associações de classe, servidores públicos, profissionais liberais, líderes religiosos, cidadãos e cidadãs comuns.

É tempo de união e reconstrução.

Por isso, faço este chamamento a todos os brasileiros e brasileiras que desejam um Brasil mais justo, solidário e democrático: juntem-se a nós num grande mutirão contra a desigualdade.

Quero terminar pedindo a cada um e a cada uma de vocês: que a alegria de hoje seja a matéria-prima da luta de amanhã e de todos os dias que virão. Que a esperança de hoje fermente o pão que há de ser repartido entre todos.

E que estejamos sempre prontos a reagir, em paz e em ordem, a quaisquer ataques de extremistas que queiram sabotar e destruir a nossa democracia.

Na luta pelo bem do Brasil, usaremos as armas que nossos adversários mais temem: a verdade, que se sobrepôs à mentira; a esperança, que venceu o medo; e o amor, que derrotou o ódio.

Viva o Brasil. E viva o povo brasileiro."

POSSE DOS MINISTROS

Após receber os representantes estrangeiros e outras autoridades, o presidente Lula participou da posse de seus 37 ministros no Palácio do Planalto.

Acompanhe a cerimônia no vídeo abaixo:

Quem são as pessoas que passaram a faixa para Lula na posse

Com a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos nesta sexta-feira, 30, o presidente empossado Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a faixa presidencial de uma mulher negra catadora. Aline Sousa faz parte da secretaria Nacional da Mulher e Juventude da Unicatadores e tem 33 anos.

Além dela, seis outros representantes da sociedade civil acompanharam o petista durante a cerimônia - entre eles, uma pessoa com deficiência que é ativista da causa anticapacista, e o cacique Raoni, conhecido pela luta pela defesa do Meio Ambiente.

Ao lado da esposa Janja da Silva, o petista subiu a rampa com a cadela Resistência, que foi adotada por militantes durante a vigília petista em frente à sede da Polícia Federal no Paraná. Veja quem são eles:

Aline Sousa

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"União e reconstrução"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin estão oficialmente empossados e prontos para iniciar os trabalhos do novo governo após uma cerimônia de posse marcada pela forte participação popular e simbolismo cheio de emoção. 

Na ausência de Jair Bolsonaro, que se recusou a fazer a tradicional transferência da faixa presidencial, o item simbólico foi entregue ao novo presidente por membros da sociedade civil, representantes de minorias e pautas importantes para o governo do petista — em um sinal de que o "povo" reconduziu Lula ao Planalto.

Embora o ex-presidente não tenha sido citado nominalmente nenhuma vez, Bolsonaro não foi esquecido — e nem deve ser tão cedo. 

Em seu primeiro discurso após a assinatura do termo de posse, Lula optou por um tom duro em suas críticas ao governo de Bolsonaro, sem poupar sinalizações de que irregularidades na condução da crise do coronavírus serão investigadas e julgadas. 

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Lula, ao lado da primeira-dama e do vice-presidente, recebe agora autoridades estrangeiras e cumprimentos de autoridades.

LULA ENCERRA DISCURSO NO PLANALTO

Em pronunciamento semelhante ao feito no Congresso, o presidente Lula voltou a fazer críticas ao governo de Jair Bolsonaro. A fala foi marcada por momentos emocionados ao falar sobre o crescimento da fome no Brasil e o aumento da desigualdade social no país.

Lula também relembrou o seu primeiro pronunciamento após ser declarado presidente eleito, ao dizer que não existem dois Brasis e que governará para todos os brasileiros.

PACHECO FALA NA POSSE DE LULA

O presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), assegurou que o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai encontrar cooperação do Legislativo e destacou a presença dos três Poderes na cerimônia de posse de Lula para o seu terceiro mandato.

É um contraste em relação à gestão de Jair Bolsonaro, marcada pela tensão entre os Poderes — principalmente com o Judiciário e, mais especificamente, com o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Neste momento solene, em que os três Poderes da República se encontram reunidos neste Congresso, em harmonia e em equilíbrio, quero concluir reafirmando nosso compromisso imperturbável com a democracia e suas instituições", enfatizou, citando o "mandamento" do equilíbrio entre os Poderes, condição para "a higidez da República".

Pacheco disse que o Legislativo agiu "com moderação quando os ânimos estavam acirrados", em referência aos últimos dois anos, quando estava à frente do Congresso, em que houve equilíbrio, conforme ele, para aprovar medidas de interesse público.

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EM INSTANTES: LULA FAZ O PRIMEIRO DISCURSO AO POVO APÓS RECEBER A FAIXA PRESIDENCIAL

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Lula recebe a faixa presidencial de membros da sociedade civil após subir a rampa do Planalto de braços dados com diversos representantes do povo

LULA SE DIRIGE AO PALÁCIO DO PLANALTO

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PRIMEIRO DISCURSO COMO PRESIDENTE

Em seu primeiro discurso como presidente empossado, Luiz Inácio Lula da Silva fez fortes críticas ao governo de Jair Bolsonaro e pregou que, embora não busque revanchismo, os erros serão julgados.

Em pronunciamento que durou cerca de 30 minutos, Lula falou sobre a necessidade de reconstruir o orçamento público, afirmando que o diagnóstico da equipe de transição sobre o estado dos programas sociais e de desenvolvimento é "estarrecedor". O texto também exaltou a importância da democracia.

O presidente voltou a falar do papel que as empresas estatais e os bancos públicos terão em seu governo, sendo financiadoras do crescimento da economia, afirmando que o teto de gastos será revogado, mas que é necessário buscar um equilíbrio nas contas públicas.

LULA INICIA PRIMEIRO DISCURSO COMO PRESIDENTE EMPOSSADO

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LULA E ALCKMIN ESTÃO OFICIALMENTE EMPOSSADOS COMO PRESIDENTE E VICE-PRESIDENTE DO BRASIL

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Em instantes: Lula fará primeiro pronunciamento como presidente empossado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin sobem a rampa do Congresso lado a lado após serem recebidos por Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e Arthur Lira, da Câmara.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin percorrem juntos o trajeto em carro aberto até o Congresso.

Em instantes: Lula se dirigirá ao Congresso para assinar termo de posse

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EDUARDO LEITE (PSDB) É REEMPOSADO NO RS

Após deixar o comando do Rio Grande do Sul e entrar num embate com João Doria, ex-governador de São Paulo, pela indicação do PSDB para a corrida eleitoral — os tucanos, ao fim de tanta briga, sequer tiveram candidatura própria —, Eduardo Leite disputou novamente o governo gaúcho. E, mais uma vez, saiu vencedor, embora tenha enfrentado uma concorrência árdua no estado.

Em cerimônia realizada nesta manhã na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Leite foi empossado para o seu segundo mandato no Palácio Piratini. E, entre outros pontos do discurso, destacou saúde e educação como as prioridades da nova gestão.

“Iremos melhorar a qualidade da educação e do aprendizado no Rio Grande do Sul. Arrumamos as contas, estamos arrumando o governo e vamos arrumar a escola", disse Leite. "É a partir da educação que nivelaremos as oportunidades e proporcionaremos o mesmo ponto de partida para que os nossos jovens estejam preparados para os desafios econômicos e humanos no novo milênio”.

No lado da saúde, o governador disse que o objetivo é consolidar o estado como um polo nacional de excelência no atendimento, com investimentos em infraestrutura e garantia financeira para a prestação de serviços.

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COMO FICAM OS COMBUSTÍVEIS?

Jean Paul Prates, presidente indicado da Petrobras (PETR4), afirmou que o governo irá enviar uma medida provisória para ampliar a desoneração de combustíveis, que terminaria hoje, por mais 60 dias.

Segundo Prates, o tempo é necessário até que se tome posse na Petrobras (PETR4). A expectativa é que a nova gestão altere a política de preços da companhia.

ZEMA SEGUE NO COMANDO DE MINAS GERAIS

Único governador do Novo, Romeu Zema tomou posse hoje para o seu segundo mandato à frente de Minas Gerais — e, ao menos neste começo de 2023, tenta se consolidar como um dos eventuais nomes da direita para a disputa da presidência em 2026 — Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, é visto como outro nome forte da oposição.

“Após arrumar a casa e colocar o trem de Minas de novo nos trilhos, estamos prontos para fazer essa locomotiva acelerar", disse Zema, em pronunciamento ao plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). "Com a experiência adquirida, agora em um cenário mais positivo de equilíbrio fiscal, meu compromisso é o de fazer nesses próximos quatro anos um governo muito melhor que o primeiro”.

O governador estabeleceu entre as prioridades da nova gestão que se inicia o acordo da tragédia de Mariana, além de lembrou do enfrentamento a outras adversidades, como a pandemia de covid-19, a condução da maior operação de vacinação da história de Minas e o rompimento da barragem de Brumadinho.

“Assumimos a responsabilidade de buscar uma justa reparação aos atingidos, uma justa compensação pelo impacto socioeconômico e ambiental provocado em todo o estado e de solucionar a crise de insegurança gerada por mais um rompimento de barragem de mineração de enormes proporções no estado", disse.

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FESTIVAL DO FUTURO

Ao longo de todo o dia, dois palcos montados em Brasília celebrarão a posse do novo presidente com shows e espetáculos para o público. Chamado de "Festival do Futuro", as atrações serão interrompidas para a cerimônia solene e retomadas após às 18h30.

O canal do Partido dos Trabalhadores (PT) no Youtube transmite os shows. Acompanhe:

JERÔNIMO RODRIGUES: SUCESSOR DE RUI COSTA NA BAHIA

Empossado neste domingo (1) como governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) disse que o povo brasileiro se posicionou em favor da democracia na eleição do ano passado, referindo-se à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Nessas últimas eleições, o povo brasileiro emitiu um claro posicionamento em favor da democracia e da recomposição da moldura constitucional. A inversão de valores, o desrespeito e a intolerância, levada às últimas consequências nos últimos quatro anos, não cabem mais na nossa sociedade", disse Jerônimo, em seu discurso de posse.

"Basta olhar o que aconteceu nas eleições de 2022. Não adiantou viralizar fake news nas redes sociais, nem engendrar operações escusas que tentaram até atrasar e impedir a chegada dos eleitores às suas seções", acrescentou o novo governador da Bahia.

Ele afirmou também que o palanque eleitoral acabou e que é preciso um Brasil unido e sem ódio. "O Brasil é um só".

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Tarcísio de Freitas é empossado governador de SP e fala em ‘governar para todos’

Pela primeira vez desde 1994, São Paulo tem um governador que não é oriundo do PSDB: Tarcísio de Freitas, do Republicanos, foi empossado hoje como novo líder da maior economia do país. E, num discurso inicial cheio de recados — para a população, para os aliados e até para os opositores —, deu alguns sinais a respeito de sua gestão.

"Entendemos o recado das urnas", disse o novo governador, em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) neste domingo (1). "Vamos governar para todos, renovando esperança de futuro melhor, percebendo e explorando cada potencial do estado, e são muitos potenciais".

Tarcísio foi ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro, mas já fazia parte dos quadros federais desde 2011: na gestão Dilma Rousseff, ele ocupou o posto de diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) e, posteriormente, na administração Michel Temer, foi diretor-geral do mesmo órgão.

Ele derrotou Fernando Haddad (PT) na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, obtendo 55,27% dos votos válidos no segundo turno — o petista, que posteriormente viria a ser confirmado como ministro da Fazenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficou com 44,73%.

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PRESENÇA CANCELADA

Mesmo após o governo de Jair Bolsonaro derrubar medidas para permitir a presença do presidente venezuelano Nicolás Maduro na posse de Luiz Inácio Lula da Silva, Maduro acabou cancelando sua presença no evento.

Ele será representado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela. Não foram citados motivos para a mudança de planos.

Confira o roteiro, os horários e os eventos relacionados à posse de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva assumirá seu terceiro mandato presidencial na tarde deste domingo (01) em Brasília.

Cerca de 300 mil pessoas são esperadas na capital federal para os festejos e a cerimônia oficial de posse.

Entre chefes de Estado, de governo e embaixadores estrangeiros, representantes de cerca de 120 países estarão presentes na posse.

Segurança reforçada

Entretanto, os eventos transcorrerão com segurança reforçada diante de temores de ações extremistas por parte de eleitores de Jair Bolsonaro ainda inconformados com o resultado das eleições presidenciais.

Na última quarta-feira (28), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que somente forças de segurança estarão autorizadas a portar armas de fogo no Distrito Federal até 2 de janeiro, dia seguinte à posse de Lula.

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Lula fora de combate: com petista de molho, ministros mandam recado e não poupam ninguém

27 de março de 2023 - 20:04

A ministra do Planejamento, Simone Tebet; o ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Alexandre Padilha; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, falaram de temas caros ao presidente

DIAS 84 E 85

Repouso forçado: Como o adiamento da ida de Lula à China pode reacelerar a âncora fiscal

27 de março de 2023 - 9:27

Haddad também permaneceu no Brasil e deve se empenhar ao lado de Lula na finalização da regra fiscal que sucederá o teto de gastos

PRESIDENTE EM REPOUSO

Mesmo sem Lula, Dilma viaja à China e assume cargo de presidente do banco dos Brics, que tem carteira de investimentos de US$ 33 bilhões

26 de março de 2023 - 16:16

A ex-presidente começará a despachar da sede do banco e vai se mudar para Xangai, mas a cerimônia de posse, antes prevista para o dia 30 de março, foi cancelada

SEM VIAGEM!

Ficou para depois: Lula adia viagem à China mais uma vez; nova data não foi confirmada ainda

25 de março de 2023 - 12:58

Embarque da comitiva brasileira liderada por Lula à China foi adiado de por causa de um diagnóstico de pneumonia leve

DIA 83

Lula ou Bolsonaro? Saiba qual dos dois têm mais pedidos de impeachment antes dos 100 dias de governo

24 de março de 2023 - 20:20

No total, Bolsonaro acumulou 158 pedidos para se retirar do cargo durante o mandato, que se encerrou em 31 de dezembro do ano passado

CONTAGEM REGRESSIVA

Bolsonaro está chegando: ex-presidente marca dia e hora para voltar ao Brasil — confira os detalhes desse retorno

24 de março de 2023 - 16:42

Com a polêmica das joias sauditas, a especulação de que Bolsonaro não voltaria tão cedo ao país aumentou, mas ele sinaliza que isso não será empecilho

VÃO-SE OS ANÉIS…

Com dor no coração: Bolsonaro entrega joias sauditas, mas revela que não queria devolver outro presente

24 de março de 2023 - 15:45

Ex-presidente diz que também foi obrigado pelo TCU a entregar um “mimo” recebido do governo dos Emirados Árabes Unidos

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