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Além do lucro, a receita e o ebitda da Taurus também caíram no terceiro trimestre e a empresa sentiu também impacto na inflação nos EUA
Após ver crescimento nas vendas nos anos anteriores, a fabricante de armas Taurus (TASA4) sentiu a mudança de cenário nos países onde atua e as alterações na legislação feitas pelo governo Lula no Brasil.
Os efeitos podem ser vistos nas principais linhas do balanço do terceiro trimestre. O lucro líquido, por exemplo, foi de R$ 26 milhões, o que representa uma queda de 75% frente ao lucro visto no terceiro trimestre do ano passado.
Já a receita líquida da empresa caiu 31,4% na mesma comparação, para R$ 439,3 milhões entre julho e setembro.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado também caiu, registrando um recuo de 61%, para R$ 70,7 milhões.
Segundo a empresa os resultados refletem principalmente três fatores:
No entanto, o CEO da Taurus, Salésio Nuhs, disse, em mensagem no balanço, que os resultados vieram dentro das expectativas da companhia e com margens brutas superiores à média de empresas estrangeiras do setor.
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Para se adaptar às mudanças, a companhia buscou reduzir custos de produção e aumentar a eficiência.
Na avaliação da Taurus, o mercado doméstico segue “extremamente restrito” por conta de questões jurídicas, o que faz o ano ser bastante atípico.
A companhia lembra que em 1º de janeiro deste ano foi publicado o Decreto 11.366, que estabelecia restrições para o setor e deveria ser regulamentado no prazo de três meses, o que não ocorreu.
“A incerteza paralisou o mercado, com consumidores e lojistas interrompendo suas compras até que a questão fosse definida. Apenas em 21 de julho foi publicado o novo Decreto. No entanto, permanecem algumas incertezas a serem esclarecidas pelos órgãos reguladores”, disse o CEO.
Essas incertezas se referem ao limite máximo de energia em joules autorizado para as armas a serem vendidas no mercado brasileiro, que foi estabelecido sem a apresentação de uma tabela de calibres.
Segundo a Taurus, até o momento, novas aquisições de armas por parte de CACs (colecionador, atirador desportivo e caçador) estão basicamente interrompidas.
No terceiro trimestre, a companhia vendeu 18 mil unidades no mercado doméstico, totalizando 66 mil armas no acumulado do ano, o que representa redução de 82,4% e 77,1% ante iguais períodos de 2022, respectivamente.
A previsão da fabricante é que até o início de 2024 ocorra a regulamentação do Decreto 11.366.
A Taurus ainda citou que está atenta à recente situação de conflito no Oriente Médio, com a guerra entre Israel e o Hamas, que poderá “gerar aumento natural da demanda para o setor”.
As exportações da empresa, no entanto, devem ser previamente autorizadas pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa do Brasil.
Outra mudança destacada pelo CEO foi a alteração do mix de produção para acompanhar o comportamento do consumidor.
Como a demanda nos EUA atualmente está mais voltada para o segmento de revólveres, a Taurus ampliou a fabricação desses produtos na linha de produção na unidade brasileira no decorrer deste ano.
A produção de revólveres foi responsável por cerca de 45% do volume total de armas produzidas pela Taurus no terceiro trimestre, ante aproximadamente 30% no terceiro trimestre de 2022, ganhando espaço em relação à produção de pistolas, que passou de 69% para 55%.
A avaliação da companhia é ainda que o mercado norte-americano de armas, principal destino dos seus produtos, vem se consolidando em um novo patamar após o período de euforia visto durante os anos de pandemia.
Dessa forma, o consumo nos EUA está voltando aos níveis observados no período pré-pandemia.
No mercado norte-americano, foram vendidas 263 mil unidades no terceiro trimestre, somando o total de 871 mil armas no acumulado do ano, uma queda de 26,5% e de 22,7% respectivamente, na comparação com os mesmos períodos de 2022.
Outra alteração destacada pela Taurus nos EUA foi a tendência de mudança no padrão de estoque de produtos mantido pela cadeia de vendas.
Isso porque os distribuidores estão buscando aumentar o giro de seus estoques, para se proteger do custo financeiro gerado pelo aumento da inflação norte-americana.
Com isso, novas encomendas são postergadas com a intenção de redução dos estoques para níveis capazes de atender as vendas pelo período próximo de um mês, ante um padrão anterior de estoques suficiente para cobrir três a cinco meses de vendas.
No entanto, a expectativa é de um aumento da demanda, considerando também a sazonalidade tradicional do fim do ano.
Em 2024, por ser um ano de eleições presidenciais nos EUA, também há possibilidade de maior movimentação no mercado de armas, explicada pela insegurança com relação à política.
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A produção superou em 0,5 ponto porcentual o limite do guidance da estatal, que previa crescimento de até 4%. O volume representa alta de 11% em relação a 2024.
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