Sinais de uma recessão nos EUA? Varejista americana Bed Bath & Beyond entra com pedido de proteção contra falência
Empresa de itens para o lar sofreu com a pandemia e erros de estratégia, mas estímulos do governo mascararam seus problemas; agora, aperto monetário e desaceleração econômica tornaram suas dívidas insustentáveis

O tabuleiro corporativo do mundo pós-pandemia, com inflação alta, aperto monetário e risco de recessão nos países ricos, continua a se mover. Neste domingo (23), a varejista americana de itens para o lar Bed Bath & Beyond entrou com pedido de proteção contra falência na Justiça do estado americano de Nova Jersey pelo Capítulo 11 (Chapter 11) do Código de Falências dos EUA.
Com mais de 50 anos de história, a empresa especializada em vender itens como produtos de cama, mesa e banho, saiu como vencedora da crise de 2008, após a qual conseguiu se expandir, enquanto suas concorrentes quebraram.
No entanto, não conseguiu resistir à desaceleração econômica pós-pandemia, combinada com alguns erros na sua estratégia de negócios.
O fantasma da falência já vinha rondando a Bed Bath & Beyond, que no início deste ano chegou a fechar lojas, fazer demissões, dar calote em dívidas e anunciar planos de levantar recursos por meio de ofertas de ações. A divisão canadense já era considerada insolvente.
Nos últimos 12 meses, suas ações, negociadas na Nasdaq sob o código BBBY, acumulam um tombo de 98% e são atualmente negociadas na casa dos centavos. Em 2022, os papéis chegaram a entrar na espiral especulativa das "ações-meme", como as da GameStop.
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Erros de estratégia, crise na pandemia e desaceleração econômica nos EUA
A varejista vinha tentando reverter uma malsucedida estratégia de investimento em produtos de marca própria, que acabou derrubando a sua demanda. Antes disso, em 2020, a empresa já vinha sofrendo com uma operação online atrasada e problemas na sua cadeia de abastecimento devido à pandemia de covid-19.
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Os juros baixos e os estímulos ao consumo dados pelo governo americano durante a pandemia ainda mascararam os problemas da companhia, mas eles se tornaram mais evidentes após o início do mais recente aperto monetário.
Agora, com os consumidores focando suas compras nos produtos mais necessários, as fraquezas das varejistas, incluindo a Bed Bath & Beyond, ficaram mais evidentes - e as dívidas, menos sustentáveis.
Os investidores globais se preocupam com a possibilidade de ocorrer uma recessão na Terra do Tio Sam, na medida em que as empresas podem não resistir aos juros elevados por muito tempo. Os Estados Unidos já viram os bancos médios serem atingidos, e agora especialistas acreditam que seja a vez das varejistas.
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Confira o episódio desta semana do quadro A Dinheirista, em que a repórter Julia Wiltgen resolve esse e mais casos cabeludos envolvendo dinheiro. Confira:
A proteção contra falência da Bed Bath & Beyond
A proteção contra falência sob o Chapter 11 é um processo similar à recuperação judicial, aqui no Brasil, o que implica na necessidade de um plano de reestruturação e permite que a empresa devedora continue operando e com acesso a crédito.
Para pôr em prática o plano de reestruturação, a Bed Bath & Beyond obteve uma linha de crédito de US$ 240 milhões da empresa de investimentos Sixth Street Specialty Lending, que a varejista acredita ser suficiente para manter sua liquidez.
Suas lojas e sites continuarão funcionando enquanto a companhia busca compradores interessados pelos seus ativos. Deve ocorrer fechamento de lojas, mas a empresa não especificou quantas.
Apenas cinco anos atrás, a companhia chegou a ter mais de 1.500 lojas em toda a América do Norte, mas hoje este número não ultrapassa 480 - ainda assim, empregando algo em torno de 30 mil pessoas. Fato é que, mesmo no melhor cenário, a Bed Bath & Beyond deve terminar o processo com uma operação bem menor.
*Com Reuters e The New York Times
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