Resultado do 1T23 corta JBS (JBSS3) na carne, ações chegam a cair 10% e o pior ainda pode estar por vir
O desempenho de todas as unidades do frigorífico foi fraco entre janeiro e março deste ano e a perspectiva é de um caminho tortuoso até o final do ano

Um corte na carne. Assim foi o resultado da JBS (JBSS3) no primeiro trimestre de 2023 e o investidor não perdoou — as ações da empresa já chegaram a cair mais de 10% nesta sexta-feira (12), figurando nas primeiras posições da ponta negativa do Ibovespa.
Segundo analistas, o frigorífico enfrenta uma tempestade e o desempenho mais fraco em todas as unidades de negócio entre janeiro e março deste ano mostra que o caminho ainda deve ser tortuoso para a JBS até o final do ano.
“A JBS divulgou resultados fracos no geral, com compressão de margem em todas as unidades de negócios, exceto na Pilgrim’s Pride”, diz o Itaú BBA em relatório.
Segundo o banco, as divisões da empresa nos EUA ainda lutam contra o excesso de oferta de proteína no mercado, enquanto no Brasil, os custos mais altos dos grãos levaram a Seara a ter um desempenho ruim.
No primeiro trimestre, a JBS trouxe receita líquida de R$ 86,7 bilhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2,2 bilhões e prejuízo de R$ 1,5 bilhão.
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JBS em partes
A JBS Beef North America viu a margem Ebitda alcançar 0,4% — o Ebitda da divisão que uma das principais da empresa, foi de R$ 115,8 milhões.
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Essa performance mais fraca é explicada pelo ciclo do gado, que nos EUA está com tendência de queda do número de cabeças, o que leva a empresa a gastar mais na compra de animais.
O BTG Pactual chama atenção para as margens, que considerou decepcionantes, da JBS USA Pork — o braço de suínos na América do Norte — de 2,5% no padrão contábil brasileiro (IFRS), a menor desde 2009.
Na Seara, o preço dos grãos pressionou os resultados: o tombo foi de 76,1%, para R$ 147 milhões. A margem Ebitda ajustada da unidade recuou 5,1 ponto percentual, para 1,4%, ficando abaixo até do desempenho da JBS Brasil.
“A Seara reportou resultados fracos e muito abaixo de nossas estimativas em função dos custos de produção ainda elevados e preços fracos devido a um cenário de oferta e demanda desequilibrado”, diz a XP Investimentos em relatório.
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Um ponto fora da curva?
A performance mais fraca da JBS no primeiro trimestre é exatamente uma surpresa para o mercado — embora a Seara tenha chamado atenção.
O principal executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse em teleconferência que os resultados negativos da empresa são um “ponto fora da curva”. Segundo ele, os custos com grãos, que pesaram sobre os negócios no primeiro trimestre, já começaram a ceder.
Mas nem todos os analistas concordam com essa visão. O Santander, por exemplo, acredita que deve haver revisões para baixo do lucro da JBS ainda que a sazonalidade seja mais favorável e haja eficiências operacionais daqui para frente. O banco tem recomendação neutra para as ações JBSS3.
Outro que não está tão confiante sobre o desempenho do frigorífico é o JP Morgan, que manteve a indicação neutra para os papéis da empresa.
“Achamos que esses resultados devem levar a uma revisão significativa dos lucros para baixo, já que o ciclo da carne bovina dos EUA está se tornando negativo agora e deve permanecer sob pressão por pelo menos mais um ano e meio”, diz o banco em relatório.
O BTG Pactual manteve recomendação de compra para JBS. “Mesmo que o fundo do ciclo da proteína seja mais difícil do que pensávamos, ainda achamos que a JBS pode superá-lo. Um mercado normalizado deve tornar a ação muito barata para ser ignorada”, diz o banco em relatório.
A XP tem um otimismo maior com relação à performance da JBS daqui para frente. “A perspectiva de melhores resultados em todas as unidades sugere que o primeiro trimestre pode ser o ponto mais baixo do ano, mas deve ser uma jornada tortuosa”, diz.
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