Reag acusa GetNinjas (NINJ3) de distorcer contexto da OPA e violar lei; empresa responde e ações disparam quase 18% na B3
A Reag Investimentos atingiu 25% de participação na GetNinjas, o que obriga a realização de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações para todos os acionistas

O futuro da GetNinjas (NINJ3) ganhou novos contornos nesta semana, depois que a acionista Reag Investimentos comprou mais ações e atingiu a participação de pouco mais de 25% na companhia, o que, segundo o estatuto dela, obriga a realização de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações.
Mas a troca de farpas entre as duas empresas sobre a OPA continua - a poucos dias também de uma assembleia de acionistas que irá decidir sobre a proposta de redução de capital da GetNinjas - e evidencia as discordâncias entre a administração e seus principais acionistas.
A GetNinjas recebeu uma carta da Reag Investimentos - divulgada em fato relevante nesta sexta-feira (13) - na qual a gestora acusa a administração da GetNinjas de fazer insinuações e tentar induzir o mercado a erro ao apresentar um contexto distorcido sobre os fatos recentes.
Isso porque, na visão da Reag, a companhia insinuou intencionalmente que há um acordo entre a Reag, a Arc Capital e a Wealth High Governance (WHG), em um possível acordo de acionistas não declarado.
A suposta insinuação foi feita na última quarta-feira (11) em um pedido de esclarecimento da GetNinjas aos acionistas sobre o alcance da fatia de 25%.
“Este tipo de ilação prejudica o mercado e tira valor da empresa. As inverdades e as insinuações se tornam ainda mais graves ao considerar a proximidade da Assembleia Geral da Companhia, agendada para o próximo dia 23 de outubro”, disse ainda a Reag na carta.
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A gestora reiterou que não tem nenhum acordo com as outras duas gestoras e que a atitude da GetNinjas só reforça a insatisfação com a administração.
A Reag já tinha se colocado contra a redução de capital proposta pela administração e disse não saber quais serão os votos da Arc Capital e WHG, embora saiba que a expectativa é que elas também não aprovem a operação.
Resposta da GetNinjas à Reag
A GetNinjas, por sua vez, respondeu afirmando que “refuta as inverídicas ilações” feitas pela Reag e que vem atuando “em estrita observância a seus deveres fiduciários” para manter acionistas e mercado informados sobre movimentações na base acionária.
A companhia ainda explicou que, logo após ter mandado o pedido de esclarecimento aos acionistas, recebeu a informação de que fundos sob gestão da Reag compraram ações até atingir cerca de 25% do capital, o que foi divulgado ao mercado.
A GetNinjas também reafirmou que a assembleia do dia 23 está mantida, após o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negar pedido da Reag para cancelar o evento.
Por fim, lembrou que a gestora tem até 60 dias para apresentar a oferta de aquisição das ações da empresa, independente do resultado final da assembleia.
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Reação das ações da GetNinjas e próximos passos
Apesar do clima quente entre a gestão da GetNinjas e os acionistas, a confirmação da OPA na última quarta-feira (11) à noite levou a uma reação positiva das ações no pregão de hoje (13).
Os papéis disparavam mais de 17%, a R$ 4,93, por volta das 14h50. O volume negociado era de R$ 40 milhões, quase quatro vezes maior do que o volume do último pregão.
A Reag disse que já prepara a operação e vai enviar ao conselho de administração da empresa uma proposta de convocação de uma assembleia para discutir a destituição do atual conselho, com eleição de novos membros.
Segundo a gestora, a fatia de 25% era visada para que tenha "influência na administração da companhia" e possa submeter à análise do conselho a sua "visão sobre os negócios da Getninjas, bem como oportunidades de aquisição de negócios".
Sobre a assembleia do dia 23, que vai decidir sobre a redução de capital, caso ela seja aprovada colocaria o equivalente a R$ 4,40 por ação no bolso dos acionistas, somando R$ 223,5 milhões.
A justificativa para a redução é que o conselho da GetNinjas considera o capital que possui atualmente excessivo. Em outras palavras, é como se a empresa reconhecesse que não tem o que fazer com o dinheiro. A companhia contava com R$ 270 milhões em caixa no fim do segundo trimestre.
Recentemente, o CEO e fundador da empresa, Eduardo L’Hotellier, já decidiu se preparar para a batalha na assembleia de acionistas e comprou mais ações, passando a deter 20,14% do capital da empresa que conecta clientes e prestadores de serviços.
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