Pão de Açúcar (PCAR3) chegou à metade do trabalho de reestruturação, diz CEO; foco segue em redução de despesas
Pão de Açúcar deve seguir com redução de despesas e foco nas principais bandeiras da marca, mas mercado segue cético e ações caem

Desde que assumiu a liderança do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) em fevereiro de 2022, Marcelo Pimentel tem como missão fazer uma reestruturação, que inclui pontos como a venda de ativos não essenciais e a redução de despesas para que a rede de supermercados volte a ter maior eficiência.
Em entrevista ao Seu Dinheiro após participação no evento de varejo Latam Retail Show, o CEO disse que acredita que já chegou à metade desse processo de reestruturação, que está mais avançado no que se refere às operações do grupo e às vendas de ativos.
Porém, reconhece que ainda há muito o que ser feito principalmente em relação a cortes de gastos e à estrutura de capital da companhia.
“Do lado operacional estamos bem avançados, já passamos da metade desse processo. Foram seis trimestres consecutivos ganhando market share e estamos gradualmente melhorando a margem comercial e reduzindo nossas despesas. A estrutura do negócio continua evoluindo trimestre a trimestre,”, afirmou.
“Mas temos trabalho que continua sendo feito na estrutura do capital. Fizemos a venda de ativos non core [não essenciais], fizemos a venda da fatia da Êxito. Acredito que estamos no meio da jornada”, completou.
Grupo Pão de Açúcar mais enxuto
Entre os pontos no qual destacou que o grupo precisa continuar a trabalhar está a redução de despesas operacionais.
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Pimentel conta que já houve uma redução do tamanho do grupo como um todo, incluindo na estrutura física do escritório e de pessoas, com demissões.
Além disso, citou a busca por redução de custos de abertura e manutenção de lojas da companhia, que está com maior foco nas bandeiras Pão de Açúcar e Pão de Açúcar Minuto. Esta última tem o conceito de lojas menores e mais próximas do consumidor.
“Vamos terminar este ano com ganho incremental em relação à corte de despesas, e vamos continuar trabalhando nisso. Esse é um trabalho que nunca acaba também”, disse.
Expansão da bandeira Pão de Açúcar Minuto
Em relação ao crescimento das lojas Pão de Açúcar Minuto, o executivo contou que o foco é na expansão da bandeira em São Paulo e que segue com a ambição de chegar a 300 lojas nos próximos anos.
Porém, disse que o processo de abertura de lojas é feito com cuidado, para “não cair em uma armadilha de expansão exagerada”, que tenha alta taxa de mortalidade.
“Dessas 300, já abrimos mais de 120 lojas e vamos fechar o ano perto de 140 lojas. Mas com muito foco em garantir a assertividade nesta expansão”, revelou.
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Abertura de lojas Minuto ajuda nas vendas online
Segundo o CEO, a abertura de lojas e o aumento da capilaridade da rede de supermercados em São Paulo ajuda no processo de entrega de compras online, dando suporte ao crescimento desse segmento.
Pimentel explica que cada loja funciona como se fosse um centro de distribuição de produtos, o que permite acelerar formas de entrega mais rápidas, como o número de entregas até em uma ou duas horas e entregas programadas.
O executivo também disse que 50% das entregas do e-commerce do Pão de Açúcar já são para o mesmo dia e querem chegar a 70% pelo menos.
Hoje, o comércio eletrônico representa 12% das vendas totais.
Mercado segue cético com ações do Pão de Açúcar
Apesar de o CEO do grupo destacar os avanços operacionais, analistas seguem céticos em relação à recuperação da companhia e as ações têm sofrido.
Nesta terça-feira (19), o Bank of America (BofA) afirmou que projeta que a rede opere com prejuízo até 2027.
Segundo os analistas, a cisão das operações da rede colombiana Éxito (EXCO32) no mês passado nem de longe deve ser suficiente resolver os problemas da rede.
Desse modo, os analistas do banco decidiram cortar o preço-alvo das ações do GPA de R$ 15 para R$ 3,50 e mantiveram a recomendação de venda.
As ações do grupo fecharam o pregão de hoje com queda de 6,90%, a R$ 4,05 após o relatório do banco norte-americano.
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