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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MUDANÇAS À VISTA

Governo formaliza indicação de Jean Paul Prates para a presidência da Petrobras (PETR4). Saiba quem é o político e o que esperar do futuro da estatal

O processo entre a indicação e aprovação de Prates ao comando da Petrobras deve durar até 60 dias, uma vez que será submetido à aprovação do Conselho e à Assembleia

Camille Lima
Camille Lima
4 de janeiro de 2023
9:54 - atualizado às 10:14
jean paul prates, indicado à presidência da Petrobras
Imagem: Reprodução/Flickr/Montagem Seu Dinheiro

O ano mal começou e as mudanças propostas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já estão a todo o vapor. Confirmada desde o fim de 2022, o governo formalizou na noite desta terça-feira (03) a indicação do senador Jean Paul Prates (PT-RN) para a presidência da Petrobras (PETR4). Além da chefia da estatal, o petista deverá também ocupar uma cadeira no conselho de administração da petroleira. 

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O político era um dos nomes mais cotados para a posição desde a diplomação de Lula como presidente eleito, mas foi apenas a última cadeira a ser anunciada antes da posse presidencial. 

Segundo o Valor Econômico, o atual presidente da petrolífera, Caio Paes de Andrade, enviou carta de renúncia ao conselho de administração da estatal na última sexta-feira. A petroleira confirmou nesta manhã a saída antecipada e imediata de Paes de Andrade dos cargos de presidente e de membro do conselho.

Para substituí-lo temporariamente, o conselho nomeou como presidente interino da companhia o diretor executivo de desenvolvimento da produção, João Henrique Rittershaussen, até que o novo presidente indicado por Lula assuma a posição.

Formado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em engenharia de petróleo pela Petrobras, Rittershaussen trabalha na Petrobras há 35 anos, tendo ocupado diversas funções gerenciais.

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A indicação de Jean Paul Prates à Petrobras (PETR4)

A nomeação já havia sido antecipada em dezembro por Lula, mas deveria ser formalizada em ofício pelo Ministério de Minas e Energia (MME) à Petrobras.

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Segundo documento da petrolífera enviado à CVM ontem à noite, o nome de Prates foi enviado à Casa Civil e, após a análise da documentação e o retorno ao MME, foi encaminhado formalmente à estatal.

Vale destacar que o processo entre a indicação e aprovação de Prates ao comando da Petrobras deve durar entre 40 e 60 dias.

Isso porque, após formalizada a nomeação em ofício ao Ministério de Minas e Energia (MME) enviado à Petrobras, o conselho da companhia deve submeter o nome à aprovação por 11 conselheiros.

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Depois de efetivada, a indicação ainda passará por uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para que os acionistas confirmem Prates na presidência, além de seis conselheiros a serem apontados pelo governo.

Quem é Jean Paul Prates?

Nascido em 1968 e formado em Direito pela UERJ e em economia pela PUC-Rio, Jean Paul Prates fez carreira como consultor de óleo e gás no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte antes de entrar para a política.

Além disso, Prates ocupou a secretaria de governo de Energia e foi dirigente do sindicato patronal do setor antes de tornar-se senador.

O carioca chegou ao Senado em 2019 como substituto de Fátima Bezerra (PT), após a política ser eleita governadora do Rio Grande do Norte.

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Como senador, sua atuação foi marcada por projetos relacionados a práticas sustentáveis e à transição energética. 

Prates foi autor do projeto de lei que regulamenta a geração de energia eólica em alto mar, que está em tramitação na Câmara dos Deputados após aprovação no Senado.

O que esperar do novo comando da Petrobras?

Apesar de a indicação de Jean-Paul Prates por Lula não ter trazido surpresas ao mercado, a escolha pode causar grandes mudanças na Petrobras (PETR4) e ameaçar a atual tese de investimentos na empresa, segundo analistas.

"Quaisquer possíveis mudanças no plano de investimento e na política de preços de combustível podem representar mais riscos para a tese de investimento da Petrobras", escreveu o Citi, em relatório.

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Isso porque, logo após o senador ter sido indicado à chefia da petroleira, o carioca afirmou, em conversa com jornalistas, que a política da estatal será alterada.

"Não necessariamente para traumatizar o investidor nem o retorno de investimentos. Vai ser alterada porque a política do país vai ser alterada”, disse Prates.

“A Petrobras faz política de preços para o cliente dela. Ela é uma empresa. Ela faz política de preço de acordo com o contexto do país. A mudança de política de preços, de diretrizes de preço vai ser dada por consórcio do governo. Ministério da Fazenda, MME, Petrobras, Conselho Nacional de Política Energética. [...] Não faz sentido pagar frete em cima de algo produzido aqui.”

Na visão do Citi, a experiência de 37 anos de Jean Paul Prates no setor e as críticas públicas à atual política de paridade de preços (PPI) da petroleira podem aumentar os riscos ao negócio e impactar diretamente a política de dividendos da estatal.

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De acordo com o banco, as possíveis possíveis mudanças na estratégia de longo prazo da Petrobras e a incerteza sobre sua futura alocação de capital são os principais riscos à petroleira.

Para os analistas, a troca de comando na empresa e nas diretrizes de gestão pode resultar em múltiplos menores da estatal em comparação com seus pares, além de cortar o dividend yield (rendimento de dividendos) a 8%.

"Uma das áreas de discussão mais importantes, a nosso ver, é a futura política de dividendos da empresa, que pode convergir para o payout mínimo de 25%. Nesse cenário, vemos a ação sendo negociada com um rendimento de dividendos de cerca de 8%, o que implica riscos potenciais de queda no preço da ação", disse o Citi, em relatório.

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