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A construtora pretende emitir até 20 milhões de novos papéis e, considerando o fechamento de ontem, pode movimentar cerca de R$ 432 milhões com o follow-on
Os analistas que acompanham os movimentos da Direcional (DIRR3) terão muito o que repercutir nesta quinta-feira (22). A construtora anunciou há pouco que seu conselho de administração aprovou uma oferta primária de ações com a emissão de até 20 milhões de novos papéis.
Segundo o comunicado enviado ao mercado, os recursos levantados com a oferta serão utilizados para promover o crescimento da companhia e "otimizar a estrutura de capital".
A operação será restrita a investidores profissionais e poderá ser acrescida em até 17,5% do total de ações, ou 3,5 milhões de papéis.
Considerando o lote adicional e o fechamento das ações DIRR3 ontem, no dia anterior ao anúncio, o follow-on pode movimentar cerca de R$ 432 milhões. A data de fixação do preço por ação está marcada para a próxima quinta-feira (29).
Arrumando a casa (e as contas) antes da oferta para levantar recursos, a Direcional também comunicou ao mercado a reapresentação dos balanços do primeiro trimestre de 2023 e os resultados consolidados dos últimos três anos.
A medida foi necessária pois a construtora revisou os critérios para o cálculo de resultado dos encargos financeiros decorrentes de cessões de recebíveis realizadas entre dezembro de 2020 e dezembro de 2022.
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Os recebíveis imobiliários, vale relembrar, são recursos cujo recebimento está previsto — como a receita com a venda de apartamentos em construção —, mas ainda não entraram no caixa das companhias. Os ativos podem ser utilizados para lastrear operações de securitização e garantir capital para as empresas do setor.
No caso da Direcional, a companhia optou por alterar a forma de apropriação contábil desses recebíveis. Antes, os recursos eram reconhecidos no resultado de acordo com o prazo de liquidação da carteira cedida; agora, seguirão a mesma regra dos demais componentes do estoque da empresa.
De acordo com a construtora, o novo cálculo não provocou alterações no balanço patrimonial do trimestre passado, nem nas demonstrações do resultado, resultados abrangentes, demonstrações dos fluxos de caixa ou demonstração do valor adicionado.
Mas os efeitos das mudanças foram sentidos, ainda que sutilmente, em outras linhas do balanço, como o lucro bruto, resultado com equivalência patrimonial e despesas financeiras. Veja abaixo os números consolidados originalmente apresentados e os ajustes:
| Indicador | Original | Reapresentado |
| Custo da venda de imóveis e serviços prestados | (R$ 300,9 milhões) | (R$ 303,1 milhões) |
| Lucro bruto | R$ 167,1 milhões | R$ 164,9 milhões |
| Resultado com equivalência patrimonial | R$ 3,5 milhões | R$ 3,5 milhões |
| Despesas financeiras | (R$ 62,1 milhões) | (R$ 60,8 milhões) |
| Resultado financeiro | (R$ 25,8 milhões) | (R$ 24,4 milhões) |
| Resultado líquido do período | R$ 46 milhões | R$ 45,2 milhões |
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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