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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

SD ENTREVISTA

“Devolver o dinheiro é o mais honesto a se fazer”, diz CEO do Getninjas (NINJ3)

Em conversa com o Seu Dinheiro, o CEO Eduardo L’Hotellier conta por que vai devolver R$ 223 milhões aos acionistas e os planos da empresa

Camille Lima
Camille Lima
22 de setembro de 2023
17:48
Eduardo L'Hotellier, fundador e CEO da GetNinjas (NINJ3), posa no escritório com uma espada japonesa
Eduardo L'Hotellier, fundador e CEO da GetNinjas - Imagem: Zé Carlos Barretta/Divulgação GetNinjas

Uma das empresas que abriu o capital na última onda de IPOs na B3, o GetNinjas (NINJ3) dominou o noticiário na última semana após anunciar uma operação considerada incomum no mercado de capitais brasileiro: a devolução de caixa aos acionistas.

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A plataforma que conecta clientes e prestadores de serviços aprovou uma redução de capital de R$ 223,5 milhões, equivalente ao valor de R$ 4,40 por ação.

A operação despertou uma série de dúvidas, sendo a principal delas de ordem “filosófica”: se não tinha o que fazer com o dinheiro, por que o Getninjas emitiu ações na bolsa, afinal?

“Na época, o IPO era o melhor para a base de acionistas, para a tese e era o que a gente acreditava. Mas essa aposta se deu diferente do que todo mundo esperava”, afirmou Eduardo L'Hotellier, CEO e fundador do GetNinjas, em entrevista ao Seu Dinheiro.

De acordo com L’Hotellier, o capital da empresa atualmente é excessivo. “Esse dinheiro [do capital] não tem espaço, porque não está gerando o retorno esperado.”

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No fim do segundo trimestre, a companhia contava com R$ 270 milhões em caixa.

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Para o executivo, a redução de capital é “o mais honesto” a se fazer com os acionistas. “É muito melhor do que fizeram algumas empresas, que captaram [com o IPO], gastaram todo o dinheiro, não geraram valor e hoje não têm uma saída.”

Como vai funcionar a redução de capital?

A operação de redução de capital do GetNinjas ainda precisará ser aprovada em Assembleia, marcada para 23 de outubro. Porém, para o CEO, a tendência é que a proposta passe entre os acionistas sem dificuldades.

“Eu ficaria bastante surpreso se algum acionista votasse contrário a essa tese e não entenderia as motivações. Questionaria a agenda de qualquer acionista que votasse contra uma operação isônoma em que a própria gestão da companhia afirma que o negócio está com caixa excedente.”

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Caso a redução seja aprovada, o pagamento dos recursos aos acionistas estará sujeito ao término do prazo de 60 dias. 

Ou seja, o investidor que tiver intenção de adquirir ações NINJ3 para receber a restituição de capital terá cerca de três meses para ter direito aos valores.

O que a redução de capital significa?

Na visão do fundador do GetNinjas, a redução de capital da companhia é também uma espécie de oportunidade para os mais acionistas da companhia.

“O que o GetNinjas está fazendo é uma devolução de capital. Hoje, para o investidor comprar uma ação, ele estaciona uma parcela grande do valor em caixa”, diz L’Hotellier. 

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“Se eu devolver capital, o investidor que estava pelo caixa sai feliz e o investidor que acredita na tese se capitaliza para poder comprar mais.”

Para o CEO do GetNinjas, a tendência é que as ações reajam em queda na bolsa de valores após a redução de capital. Com isso, o investidor que “confie no case” poderia comprar novos papéis por um preço menor.

“Pelo mesmo valor que ele investiria antes, esse investidor consegue adquirir uma participação maior na empresa e consegue surfar muito mais a tese de investimento.”

Além de L’Hotellier, que possui 18% do capital, as gestoras Oceana, Indie Capital e Alpha Key aparecem entre os principais acionistas do GetNinjas.

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Recentemente, também chamou a atenção a movimentação da Reag Investimentos, que elevou a fatia no GetNinjas de 5% para 18%.

O GetNinjas (NINJ3) vai sair da bolsa?

A redução de capital anunciada pelo GetNinjas não representa um fechamento de capital — ou uma saída da companhia da bolsa de valores. 

“A diferença de uma redução de capital e do fechamento de capital é que o fechamento praticamente obriga todo o investidor a vender àquele preço”, afirma Eduardo L’Hotellier.

Embora não esteja nos planos deixar a bolsa agora, nem mesmo o CEO do GetNinjas sabe dizer se ainda valerá a pena manter a empresa listada na B3 depois da redução milionária de capital.

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“A gente vai precisar entender como essa ação irá negociar.”

De acordo com L’Hotellier, o valor de firma (enterprise value, em inglês) da empresa também deve influenciar a decisão. “O EV da empresa hoje é negativo porque tem bastante caixa. Depois dessa operação, talvez o mercado continue precificando o GetNinjas como negativo ou talvez perceba a seriedade da gestão e dê um voto de confiança.”

Vale destacar que, até o momento, não há qualquer discussão sobre um potencial fechamento de capital ou de venda do negócio, segundo o CEO.

O GetNinjas (NINJ3) errou em fazer o IPO?

O GetNinjas abriu o capital em maio de 2021, em um período em que diversas startups de tecnologia vieram ao mercado em meio à euforia da bolsa.

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Acontece que, desde o IPO, as ações do GetNinjas (NINJ3) despencaram 77%, considerando o fechamento do último pregão. 

Desde a estreia na B3, a empresa apresentou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em português) negativo em todos os trimestres.

Mesmo assim, na visão do CEO, a abertura de capital na bolsa brasileira foi um acerto — ao menos, na época.

“A gente acredita que, de fato, poderia ter executado melhor durante esses últimos dois anos. Teve bastante acerto, mas também aprendizados”, ressaltou.

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Nos cálculos do CEO, uma virada de jogo para o GetNinjas deve acontecer na metade do ano que vem, quando a empresa deve se tornar “lucrativa operacionalmente”.

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